segunda-feira, 16 de julho de 2012

A febre dos memes em Maceió


Fernando Nunes / Estagiário

Basta abrir seu perfil na rede de relacionamentos Facebook para encontrar um meme que certamente irá fazer você pensar sobre algum tipo de situação cotidiana, tirar de você alguma risada e injetar uma dose de bom humor. Eles estão, atualmente, espalhados pelo site em diferentes formas e padrões, seja em imagens ou links compartilhados por amigos, sejam em perfis ou páginas que foram criadas com um único objetivo de produzir informações curtas, que são, em sua maioria de natureza cômica.
A produção de memes no Facebook tem acompanhado o crescimento da rede no Brasil nos últimos meses. De acordo com uma pesquisa feita pelo site especializado Social Bakers, as estatísticas dos seis primeiros meses de 2012 na rede social, criada pelo norte americano Mark Zuckerberg, revelaram um impressionante aumento de 45,55% na base de usuários brasileiros na página, ou seja, mais de 16 milhões de novos usuários brasileiros se registraram no site durante os últimos seis meses.
“Antes de analisar o crescimento dos memes no próprio Facebook, é interessante observar o fenômeno em si. Primeiro, não é recente. E segundo, não é exclusivo da internet. Desde que a web nasceu, existe essa questão de duplicar conteúdo com seu próprio ponto de vista”, alerta Tiago Nogueira, gerente de marketing e comunicação do Projeto Educação da Confederação Nacional da Indústria (CNI-DF).
O Facebook tem, atualmente, entre 850 e 900 milhões de usuários e a porção ‘verde e amarela’ dele é de 51 milhões. O Brasil, que domina o Facebook na América latina, segue liderando o ranking dos “emergentes” do site, deixando a Índia (com 49 milhões) em segundo lugar e o México (com 35 milhões) em terceiro. Com esse crescimento, uns dos produtos mais queridos da “Face” – como os usuários costumam abreviar o nome da rede –, os memes, têm se multiplicado a olhos vistos.

Meme da página Maceió Ordinário mostra a diferença no clima na cidade. Os memes são produzidos com imagens envidas por usuários da rede na cidade. (Foto: Reprodução)
Fábricas de memes
Atualmente a rede social conta com muitas páginas que se dedicam exclusivamente a produzir este tipo de informação, geralmente carregada de humor, que se multiplica pelos perfis de vários usuários através de compartilhamento, como as conhecidas “Tema de Hoje”, “É você Satanás”, “Memes Idiotas”, Hipister da Depressão” e outras que tratam de assuntos específicos de profissões, tais como “Jornalismo da Depressão”, “Filosofia da Depressão”. A grande maioria destas páginas foramcriadas no primeiro semestre de 2012.
É justamente nesta nicho que está inserida a página Maceió Ordinário (https://www.facebook.com/Maceiordinario) página especializada em memes, criada em janeiro deste ano, com o objetivo de ironizar os problemas cotidianos da capital alagonana, já curtida por mais de 33 mil pessoas. “Eu comecei uma brincadeira como os memes e resolvi puxar a coisa para o humor de Maceió”, revela o administrador da página, um jovem de 18 anos, que trabalha com mídias sociais e preferiu não se identificar a fim de manter a curiosidade dos usuários pela página. A página Maceió Ordinário foi criada em janeiro de 2012 e a cada dia vem conquistando a simpatias de mais usuários.
“Meu amigo teve a ideia de criar os dois memes inspirados em políticos locais. Achei que seria legal e topei a ideia. Peguei os memes originais e modifiquei algumas coisas até deixar parecidos com eles. Não precisa de tanta recurso para criar os memes, basta criatividade”, revele o jovem que diz receber muitos fotos e idéias de pessoas por e-mail para novos memes tipicamente maceioenses.
A estudante de comunicação Reanata Madeiros diz gostar muito dos memes principalmente pela dose de atualidade que possuem. “Alguns são muito divertidos, mas outras pegam bem pesados com assuntos sérios. Na maioria das vezes eles relatam de uma maneira engraçada temas polêmicos, levando a discussão para Facebook”
Criando Memes
“Existem até mesmo sites especializados em "gerar memes", afirma Tiago Nogueira, sobre espaços na web pensados para que qualquer pessoa possa criar imagens de cunho conscientizador ou humorístico. Alguns exemplos são o Meme Base (http://memebase.com/ragebuilder) e o Ragemaker (http://ragemaker.net), onde é possível utilizar ferramentas para criar memes dos mais variados tipos.
No início deste ano, a rede social Google + (Mais) lançou um recurso que a coloca a alguns passos a frente do Facebook. O novo recurso permite que os usuários da rede social adicionem textos para as fotos que fazem uploads, sem a necessidade de adicionar sites ou ferramentas. http://memesdofacebook.com.br
A natureza dos memes
O termo meme é usado para descrever um conceito que se espalha via Internet e se refere a uma teoria ampla de informações culturais criada por Richard Dawkins em 1976 no seu livro O Gene Egoísta (The Selfish Gene). Nele, Dawkins explica que um meme seria uma espécie de gene cultural, capaz de se autopropagar e de se multiplicar de cérebro em cérebro ou entre outros locais onde a informação é armazenada, como a internet.
“Assim como na web, na vida real os memes podem ser ideias, ilustrações, gírias e todo tipo de informação cultural. Portanto, o que vivemos atualmente não é um crescimento dos memes, mas sim um crescimento da consciência de sua existência”, explica Tiago Nogueira.
De natureza predominantemente viral, capaz de penetrar na consciência coletiva e resistir as tentativas de ser esquecido ou rejeitado, apresentam dezenas ou centenas de milhões de visualizações e compartilhamentos no Facebook. Eles duram por um período significativo de tempo, semanas ou meses e talvez, mais importante, geram uma enorme quantidade de conteúdo de todos os que remetem a peça original.
É o caso de imagem de meme que traz o ator norte americano Gene Wilder, que interpretou Willy Wonka, em uma cena do filme a Fantástica Fábrica de Chocolates (EUA, 1971), onde ele sempre pede explicações sobre alguma afirmação supostamente feita como: “Você é um revolucionário comunista? Então me diga porque que usa esse iPhone para conversar com seus colegas.” quase sempre com a pergunta em cima e o resto embaixo.
Epidemia Troll

Os memes podem se apresentar de várias maneiras, seja como um desenho, geralmente em preto e branco. Alguns são caricaturas, como as popurlamente conhecidas trollfaces. Alguns são as já famosas tirinhas dos jornais, que trazem personagens bem como Mafalda – criada em 1962 pelo cartunista argentino Quino –, e outros são, em maior número, fotografias adaptadas a uma situação, contendo frases sujeitas à alterações e trocadilhos ou ainda misturando outros elementos como as trollfaces ou rage faces”.
“Quanto mais facilmente for replicável o meme, mais rápido ele crescerá. Um tipo de meme bastante comum é o da foto com legenda. Independentemente da foto ou do contexto do que está escrito, os usuários podem facilmente reproduzir e divulgar este tipo de meme” explica Nogeuira a repeito da criação desse tipo de viral. “Infelizmente as pessoas se limitam a considerar memes os rage faces (os populares bonecos mal desenhados), que são apenas mais um meme que "viralizou", isto é, se tornou popular”
O futuro dos memes
A expectativa durante o período eleitoral é que os candidatos possam usar essa ferramenta para se promover, difundir suas propostas e atacar os adversários. A questão é saber como os usuários Irão reagir à invasão política. Alguns candidatos já começaram a difundir seus “santinhos” pela rede desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou a propaganda em alguns tipos de mídia no último dia 06 de julho.
“Quando a violência ou a segurança pública entram em pauta e os candidatos começam a fazer propostas nessas áreas, certamente teremos candidatos utilizando memes, mas unicamente para conseguir votos, não porque isso é de fato algo que lhes pertence”, prevê Nogueira, ao dizer que os candidatos podem utilizar o meio popular para se conectar com o maior número possível de pessoas. “A história prova que candidatos que estão conectados com os desejos atuais da maioria acabam por vencer.”
Quanto a um possível fim desta febre na rede o especialista garante que os memes terão vida longa. “Os memes jamais acabarão, mas obviamente a moda passará”, conclui, ressaltando que hoje as empresas privadas encontraram nesta forma de difundir informação uma maneira genuína de se conectar com um público original.( Mais AL )

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