(Foto: Daniel Pinto)
Após um
breve silêncio, atletas e empresários de MMA resolveram desabafar com
exclusividade ao DIÁRIO, na manhã de sábado (14), sobre os transtornos
que passaram em Belém após o cancelamento do evento denominado “Iron
Man”, que ocorreria na noite da última quinta (12), no Hangar, mas
acabou sendo cancelado no dia do evento. Entre as reclamações, a de
terem sido despejados do hotel e não terem sequer as passagens de volta
para as suas respectivas cidades compradas. Apenas profissionais que
pagaram as passagens de volta com dinheiro do próprio bolso teriam
conseguido sair de Belém àquela altura.
Cerca de 30 profissionais, incluindo atletas e comissões técnicas, desembarcaram em Belém com a certeza de que o evento seria realizado. Uma emissora de TV, com alcance nacional, fazia chamadas durante toda a semana, inclusive com links ao vivo direto da capital paraense promovendo os combates.
Cerca de 30 profissionais, incluindo atletas e comissões técnicas, desembarcaram em Belém com a certeza de que o evento seria realizado. Uma emissora de TV, com alcance nacional, fazia chamadas durante toda a semana, inclusive com links ao vivo direto da capital paraense promovendo os combates.
“O combinado foi que os dois atletas
principais receberiam as bolsas nesse mesmo dia. No entanto, o senhor
Iron Man Thomas nos comunicou que até aquele momento a verba ainda não
havia sido liberada, mas que no dia seguinte seria depositado o
recurso”, declarou Fred Fontes, empresário dos lutadores. Segundo ele,
foi acordado um novo prazo até o meio dia, e se não fosse pago não
haveria luta. “Eu fiquei sabendo pela imprensa que o evento tinha sido
cancelado. Estou há 14 anos nesse negócio, fazemos de quatro a seis
lutas por mês, mas é a primeira vez que eu vejo um evento ser cancelado
no dia do evento”.
“Hoje (sábado, 14) ao meio dia nós fomos despejados do hotel e ficamos entregues à própria sorte. Um amigo meu, empresário de Belém, nos convidou para almoçar e acabamos conhecendo o dono de uma faculdade particular, que se solidarizou e se comprometeu a pagar as passagens de quem não conseguiu voltar com o próprio dinheiro”, continuou Fred.
“Hoje (sábado, 14) ao meio dia nós fomos despejados do hotel e ficamos entregues à própria sorte. Um amigo meu, empresário de Belém, nos convidou para almoçar e acabamos conhecendo o dono de uma faculdade particular, que se solidarizou e se comprometeu a pagar as passagens de quem não conseguiu voltar com o próprio dinheiro”, continuou Fred.
O organizador da luta teria passado mal
depois do cancelamento. Assim, a esposa dele teria tomado a frente das
negociações. Ela teria levado um termo de compromisso que eles não
quiseram assinar, aonde ficava acordado que os pagamentos seriam
quitados até o dia 30 desse mês. Uma cláusula do contrato previa que
nenhum deles falasse à imprensa.
POR TRÁS DO GLAMOUR
O que deixou os lutadores todos ainda mais indignados é que, ao contrário do que aparentam as grandes lutas televisionadas, a maioria dos lutadores de MMA do Brasil precisam de outros empregos para se manter. De pedreiros a seguranças de festas, todos trabalham muito para conseguir um lugar ao sol.
“Situação complicada viveu o senhor que trouxe de caminhão a estrutura de octógono. Ele chegou em frente ao Hangar e estava fechado. Ele e sua equipe desceram toda a estrutura do caminhão, mas tiveram que carregar tudo de volta quando receberam a informação de que não haveria evento algum agendado ali. Ele está desesperado porque não tem condições de voltar sem receber”, informou Elton Lambreta, treinador de Paulo Filho.
O que deixou os lutadores todos ainda mais indignados é que, ao contrário do que aparentam as grandes lutas televisionadas, a maioria dos lutadores de MMA do Brasil precisam de outros empregos para se manter. De pedreiros a seguranças de festas, todos trabalham muito para conseguir um lugar ao sol.
“Situação complicada viveu o senhor que trouxe de caminhão a estrutura de octógono. Ele chegou em frente ao Hangar e estava fechado. Ele e sua equipe desceram toda a estrutura do caminhão, mas tiveram que carregar tudo de volta quando receberam a informação de que não haveria evento algum agendado ali. Ele está desesperado porque não tem condições de voltar sem receber”, informou Elton Lambreta, treinador de Paulo Filho.
“Uma pessoa que chama trabalhadores para uma
outra cidade sem ter a real certeza de que terá como pagá-los, e depois
os abandona à própria sorte, está brincando com a vida de seres
humanos”, desabafou.
A luta principal seria a revanche de uma
outra que foi realizada em 2006, no “Pride Fighting Shampionship”,
evento que se assemelha ao UFC, mas que é realizado no Japão. Cerca de
60 mil espectadores acompanharam a luta em que Paulo Filho derrotou
Murilo Ninja. “Essa luta seria acompanhada pelo mundo todo, porque
aquela luta ficou para a história”, relatou Paulo Filho, chateado por
não ter o devido reconhecimento no Brasil como tem em outros países.
“Não estamos com raiva de Belém, que fique claro. Mas estamos muito
chateados com essa situação”, desabafou o lutador.
O outro lado da moeda
A assessoria de comunicação do senador Flexa Ribeiro informou que o mesmo já tem conhecimento dos documentos com as supostas assinaturas falsificadas e já pediu para a Seel a cópia dos mesmos. Assim que tiver as cópias, o parlamentar tomará as providências jurídicas, entrando com uma denúncia de falsidade ideológica, apontada pelos lutadores. Por se tratar de uma entidade parlamentar, o processo pode ocorrer via Polícia Federal.
A assessoria de comunicação do senador Flexa Ribeiro informou que o mesmo já tem conhecimento dos documentos com as supostas assinaturas falsificadas e já pediu para a Seel a cópia dos mesmos. Assim que tiver as cópias, o parlamentar tomará as providências jurídicas, entrando com uma denúncia de falsidade ideológica, apontada pelos lutadores. Por se tratar de uma entidade parlamentar, o processo pode ocorrer via Polícia Federal.
O organizador Iron Man Thomas informou que
só tomou conhecimento de que o recurso para o evento não cairia às 21h40
da quarta feira, véspera da luta. Informou ainda que em nenhum momento
tentou fugir com o dinheiro dos ingressos, e que o dinheiro já foi
devolvido para a maioria dos compradores. Para receber o valor de volta,
basta que se compareçam às lojas onde foram comprados com o bilhete em
punho para receber o dinheiro de volta.
Informou também que não foi possível comprar
as passagens de volta com recursos próprios porque “estamos em alta
temporada”, ou seja, as passagens estão muito caras, mas que o amigo
dele, “Parazinho”, se prontificou em ajudar com as despesas de
hospedagem e transporte para que os lutadores não fiquem desamparados.
Disse também que ele agiu com o máximo de transparência, e que a
cláusula que constava no termo de compromisso, que proibia atletas e
comissão técnica de falar com a imprensa, é algo legal e normal nesse
meio. E negou a fraude em contratos, alegando que isso foi uma invenção
para o prejudicar.
Resposta
Em resposta à matéria “Lutadores de MMA são ‘nocauteados’ por evento”, publicada na edição do sábado (14), no DIÁRIO, Eliane Pimentel, assessora jurídica do campeonato, afirmou que as denúncias feitas ao jornal não têm fundamento. “A razão do cancelamento das lutas foi burocrática, o banco não liberou em tempo hábil a quantia necessária para realização do evento”, ratificou. Sobre a falta de assistência aos lutadores de outros Estados, ela também nega a acusação. “Todos os dias vamos ao hotel conversar com eles, os mantemos informados e garantimos alimentação, hospedagem e auxílio”, complementa. Mesmo assim o retorno dos lutadores ainda não tem data definida porque a organização do evento tem encontrado dificuldades na compra de passagens de última hora.
Em resposta à matéria “Lutadores de MMA são ‘nocauteados’ por evento”, publicada na edição do sábado (14), no DIÁRIO, Eliane Pimentel, assessora jurídica do campeonato, afirmou que as denúncias feitas ao jornal não têm fundamento. “A razão do cancelamento das lutas foi burocrática, o banco não liberou em tempo hábil a quantia necessária para realização do evento”, ratificou. Sobre a falta de assistência aos lutadores de outros Estados, ela também nega a acusação. “Todos os dias vamos ao hotel conversar com eles, os mantemos informados e garantimos alimentação, hospedagem e auxílio”, complementa. Mesmo assim o retorno dos lutadores ainda não tem data definida porque a organização do evento tem encontrado dificuldades na compra de passagens de última hora.
Por fim, Eliana garante que os ingressos
estão sendo devolvidos nas lojas parceiras assim como o ressarcimento de
valores. “Agiram de má fé ao fazerem esse relato sem identificação. Sei
que houve transtorno com o cancelamento. Meu próprio marido passou mal
ao saber que ele (campeonato) não aconteceria. Mas essas denúncias não
procedem”, concluiu.
(Diário do Pará)
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