O deputado estadual Raimundo Cutrim
(PSD) será chamado pela Polícia Civil do Maranhão para prestar
depoimento no inquérito que apura o assassinato do jornalista Décio Sá,
ocorrido em São Luís, em um bar da Avenida Litorânea, na noite de 23 de
abril passado.
A Polícia Civil,
através Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic),
confirmou neste final de semana que o parlamentar do PSD será ouvido em
depoimento formal à Polícia.
Delegados que integram a comissão investigadora do homicídio acreditam
que até a próxima sexta-feira (10) o inquérito poderá estar concluído.
Os delegados querem tomar o depoimento de Raimundo Cutrim pelo fato de o
nome do deputado ter sido citado diversas vezes pelo executor do crime –
o pistoleiro paraense Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos - como
suposto principal mandante da morte do jornalista Décio Sá.

O deputado Raimundo Cutrim deverá depor na Polícia sobre o assassinato do jornalista Décio Sá
Ao prestar depoimento à polícia, no dia 9 de junho, o executor de Décio
Sá, por três vezes, citou o nome do deputado Raimundo Cutrim como
suposto mandante do assassinato, tomando como referência diálogos com um
dos intermediadores do crime, o empresário José Raimundo Sales Chaves
Júnior, o “Júnior Bolinha”, preso pela polícia.
A segunda citação do nome do deputado estadual, durante as
investigações, veio à tona no dia 29 de junho, quando parte do
depoimento do empresário Gláucio Alencar Pontes Carvalho, apontado como
líder da rede de agiotagem que ofereceu R$ 100 mil pela morte de Décio
Sá, “vazou” na internet.
Em um dos
trechos de seu depoimento, o agiota revela aos delegados da comissão
investigadora que, em uma das últimas reuniões que teve com o colega
empresário, presenciou quando Júnior Bolinha disse que era amigo do
deputado Raimundo Cutrim. Nesse ínterim, o parlamentar se defendeu,
usando a tribuna da Assembleia Legislativa.
Duro pronunciamento na tribuna –
No discurso que proferiu na tribuna da Assembleia Legislativa, o
deputado Raimundo Cutrim (PSD) atacou duramente o secretário de
Segurança Pública, Aluísio Mendes. 'É um moleque travestido de
secretário. Não tem condições de ser nem faxineiro, quanto mais
secretário', afirmou Cutrim num trecho de sua fala.
O deputado teve seu nome envolvido na morte do jornalista Décio Sá –
ocorrida em abril passado –, num depoimento prestado à polícia por
Jhonatan de Sousa Silva, 24 anos, preso sob a acusação de ser o executor
de Décio.
Raimundo Cutrim foi
secretário de Segurança Pública por quase seis anos (de julho de 1997 a
abril de 2002, e de abril de 2009 a março de 2010). Desde que assumiu,
substituindo Cutrim, o atual ocupante do cargo, Aluísio Mendes, tem sido
alvo de constantes críticas do parlamentar na Assembleia Legislativa do
estado.
Segundo afirmou o deputado
Raimundo Cutrim, o depoimento do assassino confesso foi 'montado' pelo
secretário Aluísio Mendes. '[Jhonatan de Souza] é um papagaio ensaiado.
Foi tão mal ensaiado que falou bobagens', disse o deputado.
Expressando revolta, o parlamentar chegou a proferir por seis vezes a
palavra 'porra'. 'Não aceito o que esse moleque travestido de secretário
quer fazer comigo. É uma falta de respeito o que estão querendo fazer
comigo', discursou Cutrim, que ainda afirmou que se tivesse algo pessoal
contra Décio Sá, resolveria pessoalmente e não mandaria ninguém fazer
isso por ele.
'Não tinha nada contra
o Décio, e mesmo que tivesse eu resolveria com ele, na porrada, na
bala, como fosse, mas não sou homem de mandar fazer, isso é coisa de
covarde', declarou.
'Ninguém queira
passar pelo que estou passando. Tenho uma vida limpa, de policial
honesto e, de repente, da noite para o dia, vejo pessoas me olhando de
maneira estranha e desconfiada. Isso é terrível para um delegado da
Polícia Federal', afirmou Cutrim.
O
parlamentar também exibiu, na tribuna da AL, cópias de um ofício
encaminhado à comissão de delegados que investiga a morte de Décio Sá,
colocando-se à disposição para depor. 'Abro mão até das prerrogativas
constitucionais de deputado para ser ouvido', declarou Cutrim.
O deputado afirmou que estava acompanhando atentamente os fatos que
estão sendo divulgados pela imprensa e que se viu na obrigação de
prestar esclarecimento sobre a citação do seu nome do interrogatório do
pistoleiro Jhonatan. 'Sinto-me enojado com essa molecagem que estão
querendo fazer comigo', desabafou.
Cutrim disse que tinha ouvido calado a tentativa de envolvimento do seu
nome com o assassinato do jornalista, mas que não é homem de ficar
acuado. Narrou sua história de policial e os casos em que atuou que
tiveram repercussão nacional para cobrar respeito, ressaltando que
'nunca fui homem de mandar fazer e muito menos servir de moleque de
recado'.
'Se o Júnior Bolinha tem
problemas com o caso, eu não tenho nada a ver com isso. Não é porque uma
pessoa é amiga da outra e essa outra pessoa comete um crime quer você
tenha algum envolvimento; agora, ensaiar um papagaio e jogar em cima de
mim eu não admito', enfatizou.
O
ex-secretário ressaltou que na entrevista do executor do crime, Jhonatan
se refere a Raimundo Cutrim. 'Não conheço uma única pessoa no Maranhão
que me chame de Raimundo Cutrim. Me chamam Dr. Cutrim ou Cutrim',
lembrou.
Cutrim aproveitou sua
presença na tribuna para analisar alguns trechos do depoimento do
pistoleiro e apontar, segundo ele, uma série de contradições,
principalmente onde é citado como suposto mandante do crime, para
afirmar que Jhonatan foi ensaiado pelo secretário Aluísio Mendes para
incriminá-lo.
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( JOrnal Pequeno )
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