Igor Almeida e Raquel Soares Do G1 MA
O ex-prefeito do município de Serrano do Maranhão, Vagno Pereira, mais
conhecido como Banga, denunciou, nesta sexta-feira (3), em entrevista à
Rádio Mirante AM, que a sua prisão pela Polícia Federal, ocorrida em
março de 2010, foi a punição encontrada pela quadrilha de agiotagem,
investigada pelo envolvimento na morte do jornalista Décio Sá, que
exigia dele o pagamento de uma dívida de R$ 200 mil, feita, segundo
Banga, pelo ex-prefeito daquela cidade, Leocádio Olímpio Rodrigues.
Banga contou que recebeu várias ligações de Gláucio Alencar - apontado
como mandante da execução de Décio Sá e líder da quadrilha de agiotagem –
para um encontro em um restaurante de São Luís. Na ocasião, Alencar o
teria pressionado a pagar a dívida. “Ele queria que eu pagasse a dívida,
um débito que nem por mim foi feito. E como eu iria pagar isso se a
prefeitura, naquela época, estava toda inadimplente? Inclusive, eu falei
pra ele que a prefeitura sequer tinha cheques e ele me disse que dentro
do carro tinham três folhas que eu poderia assinar, mas eu me recusei a
fazer isso”, argumentou o ex-prefeito.
Foto: Flora Dolores

Banga declarou que prisão arbitrária foi punição da quadrilha de agiotas
O ex-prefeito de Serrano do Maranhão afirmou que foi vítima da
quadrilha de agiotagem. “Se eu não tivesse sido preso, com certeza
estaria morto como o jornalista que denunciou o esquema e foi
assassinado por eles, que se achavam seguros por ter a proteção do
deputado Cutrim”, declarou.
Ainda
sobre o encontro com Gláucio, Banga disse que o agiota o ameaçou dizendo
que ele iria lhe pagar de qualquer jeito. No dia 19 de março de 2010,
Banga foi preso pela Polícia Federal, segundo ele próprio, sem ordem de
prisão, em uma estrada vicinal do município com a filha de apenas cinco
anos. A operação, segundo Banga, foi liderada pelo delegado Pedro
Meireles, ouvido nesta semana pela Superintendência de Investigações
Criminais (Seic), no inquérito que investiga a morte do jornalista Décio
Sá.
Quando foi preso, Banga tinha
assumido a prefeitura de Serrano do Maranhão, já que Leocádio Rodrigues
teve o mandato cassado por improbidade. Banga permaneceu preso por 45
dias e permanece afastado do cargo de prefeito, assumido pelo presidente
da Câmara de Vereadores, Hermínio Pereira, filho de Leocádio, que está a
um ano à frente da prefeitura.
Banga afirmou que se coloca à disposição da Comissão de Delegados que
investiga os crimes de agiotagem no Maranhão, para prestar
esclarecimentos. “Eu sou uma pessoa de bem. Se a comissão me chamar eu
vou até agora, se for preciso. Quero ficar cara a cara com o Gláucio,
pra mostrar pra todo mundo que eu estou falando a verdade, que eu fui
vítima dessa quadrilha. Se eu não tivesse sido cassado, com certeza
estaria morto”, afirmou.
Em contato com o G1,
o subdelegado geral da Polícia Civil do Maranhão, Marcos Afonso Junior,
que integra a comissão que investiga os crimes de agiotagem e a morte
do jornalista Décio Sá, não descartou a possibilidade de ouvir o
ex-prefeito de Serrano, Vagno Pereira. “Há sim a possibilidade de
ouvirmos o ex-prefeito. Se isso for necessário para as investigações,
iremos ouvi-lo. No momento, é a única coisa que podemos adiantar”,
declarou o delegado.
Esclarecimento
O G1 tentou entrar em contato com o ex-gestor de Serrano do Maranhão, Leocádio Rodrigues, em vários números de telefone, mas sem sucesso em todas as tentativas.
O G1 tentou entrar em contato com o ex-gestor de Serrano do Maranhão, Leocádio Rodrigues, em vários números de telefone, mas sem sucesso em todas as tentativas.
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