terça-feira, 27 de novembro de 2012

Escola pior classificada no ENEM tem boa infraestrutura e salas refrigeradas


Aquiles Lisboa: Salas refrigeradas e péssimo desempenho no ENEM
A vexatória liderança do Maranhão com as piores escolas classificadas pelo ENEM exige um conjunto de reflexões pelo poder público que vai além da mera constatação da falta de infraestrutura da rede de ensino.
É evidente que existem muitas escolas abandonadas, mas há também a equivocada política de obras, que serve apenas para dar visibilidade e números ao gestor, que ao final do mandato pode arrotar que construiu e reformou tantas e tantas unidades escolares.
Uma troca de valores que confude escola limpa, bonita, que oferece merenda e uniforme com educação de qualidade.
O melhor exemplo é o Centro de Ensino Aquiles Lisboa em São Domingos do Azeitão, que possui sete salas de aula, boa estrutura física com salas climatizadas e foi a pior colocada no certame do MEC.
O que nos faz levantar um outro “x” para a questão que é o professor. Em artigo publicado na revista Veja (edição de 21 de novembro), Gustavo Loschpe, demonstra o quanto sabemos pouco sobre os principais atores do nosso sistema educacional.
Com dados extraídos de questionários respondidos por professores da rede pública, em um caso para compor um “Perfil do Professor Brasileiro”da Unesco, em outro em pesquisa Ibope para a Fundação Victor Civita e, finalmente, na Prova Brasil, o ariculista de Veja desmonta alguns mitos e revela problemas de gestão e cinismo que contribuem consideravelmente para a derrocada do ensino público no País.
Não chega a ser surpreendente o resultado do ENEM quando se descobre que apenas 32% dos professores concordariam em dizer “meus alunos aprendem de fato”. O que nos leva a concluir que 78% da categoria fracassam em sua missão.
Gustavo Loschpe lembra em seu artigo que “esse professor poderia entrar em crise, poderia buscar ajuda, poderia voltar a estudar, poderia ter planos de apoio de sua Secretaria de Educação. Mas nada disso costuma acontecer, porque não há sançao ao professor ineficaz, nem incentivo ao professor obstinado. O professor que fracassa continuará recebendo seu salário, pois tem estabilidade. Seguirá, inclusive, sendo promovido, pois na maioria das redes a promoção se dá por tempo de serviço ou titulação”.
Isto mesmo, o professor que falta, não dá aula direito e pouco se interessa ganha o mesmo do professor dedicado e com suas responsabilidades em dia.
Não há nenhum tipo de punição para os ineficientes na proporção que não há incentivos para os eficientes.Loschpe observa que esse sistema permissivo aliena os professores bons daqueles que ainda não são bons, mas são comprometidos, batalhadores. “É difícil visitar uma escola em que não haja uma tensão surda entre a minoria comprometida e a maioria acomodada, e os competentes não querem trabalhar em um ambiente de inércia”.
Colégio Universitário: professores bem pagos e queda drástica na classificação do ENEM
Um outro exemplo que poderia se encaixar nas análises do articulista é o caso do Colégio Universitário, mantido pela UFMA e com corpo docente formado por professores universitários, que ganham bem mais do que seus colegas das demais escolas públicas.
O Colun, que já esteve entre os primeiros. ocupou desta vez o 30º, perdendo para o IFMAs de São Luís, Imperatriz e Santa Inês, todas escolas públicas federais.
O secretário de educação, Pedro Fernandes, anunciou que estará nesta segunda em São Domingos do Azeitão, vistando o Centro de Ensino Aquiles Lisboa, que ficou na ultima colocação no ENEM 2011. Vai conversar com professores e gestores da escola, e se encontrar com o gestor da regional de São João dos Patos, responsável pela dita escola.
Espera-se que possa fazer a devida avaliação e propor soluções, o que aproveito para novamente citar Gustavo Ioschpe ao avisar que a “sociedade brasileira não pode retirar os maus professores do cargo, pois a maioria tem estabilidade no emprego. Mas tampouco pode tolerar o seu imobilismo. As mirabolantes e simplistas soluções orçamentárias não resolvem esse problema tão difícil: como fazer que professores dessen                                                                                                   sibilizados por anos ou décadas de cinismo voltem a ter a esperança e o brilho nos olhos que os fizeram optar por essa linda profissão”.
 Professores em números
” 53% dos professores dizem que exercem o magistério que é por amor à profissão; 14% dizem que é para contribuir para uma sociedade melhor”
“81% concordam que são muito importantes para a sociedade, e 78% dizem ter orgulho de ser professor”
“72% acham que uma das finalidades mais importantes da educação é formar cidadãos conscientes. Nove entre dez professores concordam que o “professor deve desenvolver a consciência social e política das novas gerações”. E  45% acreditam que o professor deve evitar toda forma de militância e compromisso ideológico em sala de aula”
“Quase seis em cada dez professores (57%) trabalham em apenas uma escola”.
“Só 34% dos profe”ssores acreditam que sua formação está totalmente adequada à realidade do aluno

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