Deputados e vereadores maranhenses devem ser afastados dos cargos
Procuradoria
da República no Maranhão (PR-MA) investiga milhares de fraudes aplicadas no
programa do Governo Federal, que garante aos pescadores do Estado o
seguro-defeso. O número de irregularidades é referente aos inquéritos abertos
somente entre o período de janeiro de 2010 e maio de 2012.
Além dos
casos que ainda estão sendo investigados, mais de 50 ações judiciais já estão
em trâmite. Entre elas estão casos de recebimento indevido do dinheiro,
filiação de falsos pescadores por colônias, vantagem ilícita e estelionato.
O
seguro-defeso é um seguro desemprego garantido por lei para auxiliar o pescador
com um salário mínimo, durante o período de reprodução das espécies. O
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) é o
responsável pela medida, que visa proteger os peixes e garantir a sobrevivência
dos pescadores.
A “máfia
do seguro-defeso” conseguiu eleger políticos no Maranhão, a exemplo dos
deputados estadual e federal Edson Araújo e Cleber Verde e vereadores pelo
interior do estado, como é o caso do município de Raposa, que elegeu os vereadores
Lídia da Colônia e Pierre da Pesca, do PMDB, na maior ação de compra de votos
do município, usando o seguro defeso e quitações irregulares das mensalidades
dos colonizados. Todos estão sendo investigados e podem perder os cargos a
qualquer momento.
A
situação é ainda pior do que se imaginava, além do uso indevido do
seguro-defeso e das quitações fraudulentas das mensalidades das colônias de
pescadores, existem também falsos pescadores colonizados de maneira criminosa
para obtenção de aposentadorias que sangram ainda mais os cofres públicos. Entre
os falsos pescadores estariam funcionários públicos, comerciantes e outros
prestadores de serviços autônomos.
O
Ministério Público Federal (MPF) estimou, no ano passado, que, a cada dois
seguros-desemprego concedidos a pescadores, um estaria sendo pago de forma
ilegal. Em todo o Brasil, isso representa cerca de R$ 500 milhões pagos todo
ano pelo governo a quem não tem direito. No Maranhão, várias pessoas são
investigadas por facilitar a obtenção do benefício.
Na
tentativa de acabar com as fraudes na concessão do seguro desemprego,
identificadas em todo país no ano passado, a ministra da Pesca e Aquicultura,
anunciou no dia 25 de janeiro, novas regras para o cadastramento de pescadores
artesanais no Registro Geral da Pesca (RGP) e para a concessão de carteiras de
pescador profissional.
A
renovação da carteira de pescador, que era feita a cada três anos, passa agora
a ser feita a cada dois anos. O direito ao Seguro, no entanto, depende ainda de
uma série de exigências do Ministério do Trabalho. Mas a exigência da nota de
venda de pescado – que pode ser nota fiscal ou recibo – passa a ser um dos
pré-requisitos para renovação da carteira.
Essas
notas serão exigidas nas vendas para pessoas jurídicas. Quando o pescador
comercializar sua produção exclusivamente no varejo, deverá apresentar a
contribuição previdenciária. Também será necessária uma declaração do
interessado de que não possui vínculo empregatício em outra atividade
profissional.
( Para anneglauce.freire@claraonline.com.br/MPF/Comunicação )
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