Agência Estado
Em
uma análise do cenário pós eleições municipais no Brasil, o cientista
político e professor do Insper Humberto Dantas avalia que o PSB se
fortaleceu como força política estratégica no plano nacional ao inflar
em mais de 40% o número de prefeitos eleitos pela sigla. Para Dantas, o
PSB é importante para “todos os partidos que querem jogar o jogo
eleitoral nacional, tornando-se a noiva da vez nas eleições
presidenciais de 2014″. “Eduardo Campos (presidente do PSB e governador
de Pernambuco) está fazendo o jogo de ser, enquanto partido político, a
moça mais desejada da festa. É um partido estratégico para todas as
demais siglas que querem jogar o jogo eleitoral nacional em 2014″,
avalia.
Dantas ressalta que o PSB tem
um bom desempenho nos Estados do nordeste, “região predominantemente
petista”, onde os tucanos tiveram dificuldade em obter votos nas últimas
eleições nacionais. “Isso torna o partido um aliado preferencial do
PSDB, especialmente porque o DEM, aliado histórico dos tucanos, perdeu
sua penetração nessa região”, afirmou. Ele menciona também que, em uma
eleição com resultados apertados, o apoio dos socialistas pode ser
decisivo para o PT manter-se no poder devido ao elevado número de
palanques da sigla de Campos.Ӄ um partido que governa seis Estados,
incluindo alguns importantes do nordeste. É um partido ultra estratégico
para as pretensões futuras do PSDB e para a manutenção do poder no PT”,
analisa.
O cientista político
explica que, ao se dar conta dessa conjuntura, Campos – definido por
Dantas como “um político habilidoso” – “colocou um pé em cada canoa”,
flertando com o PT e o PSDB. “Ele apareceu em um almoço com a
(presidente) Dilma e com o (ex-presidente) Lula, posa para fotos com o
(senador mineiro do PSDB) Aécio Neves e deixa no ar a possibilidade de
lançar candidatura própria ao Planalto”, diz.
São Paulo
Ao
analisar o resultado das eleições em São Paulo, onde o estreante em
disputas eleitorais Fernando Haddad (PT) venceu o candidato do PSDB,
José Serra, Dantas ressaltou a importância da participação do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirmou que ele foi “um dos
fatores decisivos”, não o único. “O binômio PT forte em São Paulo e
desejo de renovação na cidade fez com que, dentro das estruturas do PT,
entendessem que era necessário colocar alguém novo na disputa. Lula
bancou a candidatura de Haddad, ou seja, é o responsável pela indicação,
mas o partido e a vontade da sociedade também foram”, avaliou.
Para
Dantas, Lula não teve um desempenho muito bom em diversas cidades onde
ele fez campanha. Ele citou Fortaleza (CE), Recife (PE), Manaus (AM) e
Salvador (BA), onde Lula participou das campanhas, mas seus candidatos
perderam. “Apenas Campinas (onde o estreante em eleições Marcio Pochmann
perdeu, mas conseguiu chegar ao segundo turno) e São Paulo contaram com
uma participação decisiva de Lula, nos outros lugares dá para dizer que
o Lula derrapou”, comentou.
Sobre o
desempenho do PSDB neste pleito, o professor do Insper afirmou que,
apesar da derrota para o PT em São Paulo, o partido obteve “vitórias
interessantes” no País. “O PSDB volta ao poder em Manaus, lembremos que a
Dilma, em 2010, teve mais de 80% dos votos válidos naquele Estado,
importantíssimo para o PSDB. Vence em Belém, vai bem no Recife”, afirma.
Dantas ressalta, porém, que algumas derrotas no Estado de São Paulo
passaram um recado ao partido. “As urnas dão recados que merecem atenção
do PSDB, eles perderam São José dos Campos, que é uma cidade
emblemática (por ser um dos berços políticos do governador Geraldo
Alckmin), Jundiaí, é preciso observar”, diz. E emenda: “agora, o PT
também perde coisas históricas. Perdeu Diadema para o PV, que lançou um
ex-tucano para a Prefeitura”, diz. “Ambos têm derrotas importantes, mas
têm vitórias interessantes”, conclui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário