Roma, na Itália, conta hoje com 19 subprefeituras; São Luís também deve adotar modelo descentralizador
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| Gilberto Casciani e o prefeito de Roma durante campanha |
Descentralizada
ao extremo, a Itália diverge muito do Brasil no quesito política. E a
primeira grande diferença está no voto. Os brasileiros são obrigados a
votar; os italianos não. Para eles, o voto é apenas um direito cívico.
Porém algumas semelhanças podem ser notadas. Roma tem em sua estrutura
19 subprefeituras ou “circunscrições”, como preferem chamar os
italianos. Por outro lado, O Centro Histórico romano ainda encontra-se
dividido também em 22 regiões (“rioni” do Latim).
No Brasil, as
subprefeituras já existem em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de
Janeiro e podem se tornar realidade também em São Luís do Maranhão. A
proposta foi apresentada pelo então candidato petecista, Edivaldo
Holanda Jr, e teve aprovação popular durante a campanha pela sucessão
municipal em outubro de 2012.
Apesar de ainda
não ter anunciado quando vai implantar o modelo descentralizador das
subprefeituras, o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, já
reiterou que vai encaminhar, em breve, projeto neste sentido para
apreciação da Câmara Municipal de São Luís.
Em Roma, que
respira o regime parlamentarista, as subprefeituras (“circoscrizione” em
italiano), como pôde observar esta editora em recente experiência na
capital italiana, representam, cada uma, um conjunto de bairros; têm
além de um subprefeito, escolhido pelo povo, pequenas câmaras municipais
que ajudam na administração.
Em São Luís e
nesses outros estados brasileiros que estão “namorando” esse sistema
descentralizador europeu, vistos em países como Itália e Portugal, a
grande diferença é que esses subprefeitos são escolhidos pelos próprios
prefeitos e não existem essas pequenas câmaras. Mas a ideia de criar as
subprefeituras já é muito significativa, pois elas vão dinamizar, e
muito, a forma de governar e a eficiência das máquinas públicas.
Dinamismo - Toda
essa estrutura assegura à grande Prefeitura de Roma (“comune” em
italiano) uma descentralização, capaz de garantir maior poder de ação e
de resolução às demandas e problemas do dia-a-dia. Por exemplo, se
aparecerem buracos, falta de iluminação ou outro tipo de problema mais
setorizado no Centro de Roma, quem resolve é a subprefeitura que
aglutina os bairros daquela região.
Diferente de
São Luís do Maranhão e, claro, de todo o Brasil, em Roma, o prefeito
(“sindaco” em italiano) da capital, Gianni Alemanno, é também o
presidente da Câmara Municipal (“Consiglio Comunale” em italiano) e
assiste às sessões junto aos vereadores (“consiglieri”), onde tem que
responder a tudo olhando nos olhos desses parlamentares. Em caso de
cassação de mandato, o Parlamento é quem escolhe o sucessor e os
secretários municipais (lá chamados de “assessori”).
Campanha política em Roma: eleitor vale ouro
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| Jornalista Sílvia Tereza e o prefeito de Roma, Gianni Alemanno |
Esta editora
acompanhou, na Itália, um mês inteiro e intenso de campanhas pelas ditas
subprefeituras de Roma, em 2011, ao lado do presidente da Comissão
Internacional e Regional de Lazio, Gilberto Casciani, e do prefeito da
capital italiana, Gianni Alemanno. Candidatos a subprefeitos e às
câmaras têm uma forma bem diferente de abordagem eleitoral, já que lá
ninguém é obrigado a votar; o eleitor é extremamente cobiçado e mimado –
vale ouro mesmo.
Os
acontecimentos políticos são como eventos sociais. Existe o falatório de
praxe, que é sempre seguido de coquetéis ou jantares. Os eleitores,
assim como os postulantes, apresentam-se nos locais de forma elegante,
muitas das vezes um luxo. Não se vê os malditos carros de som, ninguém
com bandeira em punho, apitaços, carreatas, todos apenas ouvem,
pouquíssimos aplaudem, muitos torcem o nariz e chegam a interromper os
candidatos para dizerem o que lhes der vontade.
As campanhas,
como no Brasil, são feitas via veículos de comunicação. Quase sempre,
elas são muito tensas e com fortes ataques entre candidatos.
| Esta editora na sala de reuniões da Câmara de Roma, na Itália |
Em Roma, os
candidatos a essas subestruturas estão ligados a correntes políticas que
podem pertencer ou não ao grupo do prefeito da capital. Por exemplo, o
prefeito Gianni Alemanno participa do processo eleitoral, garantindo
apoio aos postulantes do seu grupo que lhe darão sustentação quando da
disputa pela Prefeitura da capital. Lá, os subprefeitos e vereadores são
também escolhidos pelo voto popular.
Roma é a
capital da Itália e do maior Estado (região) daquele país: Lázio, onde o
governo é exercido por uma Junta Governamental, instância executiva e
legislativa. Este grupo, eleito por voto popular a partir da Assembleia
Legislativa (“Consiglio Regionale” em italiano) tem um presidente, que
funciona como se fosse um governador no Brasil com poderes semelhantes. ( Do blog da Silvia Teresa )


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