(Foto: Mauro Ângelo)
A prisão de Marcelo Rodrigues Leal – o
“Mascote” – 20 anos, acusado de ter atirado e matado Ronald Thyego
Cunha, torcedor do Paysandu, em uma confusão antes do clássico Re x Pa,
no último dia 26, foi o estopim para a criação de um grupo de combate e
enfrentamento à violência entre grupos de torcidas
rivais. A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social
(Segup) anunciou, em entrevista coletiva, tolerância zero as cenas
violentas que acontecem nos arredores dos jogos, durante o campeonato
paraense.
O crime aconteceu no canteiro central do Conjunto Paar, em Ananindeua. Os torcedores da Torcida Uniformizada Terror
Bicolor que se reuniram no local foram surpreendidos pelos disparos que
matou Ronald e feriu outros não identificados. Durante a entrevista foi
exibido um vídeo com imagens que mostram o momento do baleamento. A
vítima foi atingida na cabeça por dois integrantes da Torcida Pavilhão
6, do Clube do Remo. “As imagens estavam sendo repassadas entre os
membros de grupos de torcedores, como comemoração pela morte do rival”,
explicou o delegado Cláudio Galeno, Secretário Adjunto de Inteligência e
Análise Criminal da Segup.
Durante as investigações, a delegada Daniela
Santos, Diretora da Seccional do Paar e responsável pelo inquérito,
localizou a mãe de um adolescente de 17 anos, que segundo testemunhas
teria envolvimento no crime. A mãe afirmou a delegada que o filho havia
contado sobre sua participação no homicídio, junto com Marcelo Leal.
“Marcelo diz que quem disparou foi o adolescente e o adolescente diz que
foi Marcelo quem disparou o tiro. Ainda assim os dois são coautores do
crime”, declara.
A delegada ainda descobriu que Marcelo Leal já estava preso. No último final de semana
ele foi flagrado com uma arma de fogo ilegal e foi autuado pelo porte
na Seccional da Cidade Nova. Nesta terça-feira, o adolescente foi
localizado em Ananindeua e já foi encaminhado para a Divisão de
Atendimento ao Adolescente (Data). A arma encontrada com Marcelo, foi
encaminhada para o perícia de microcomparação balística, que vai revelar
se foi a mesma usada no homicídio.
À imprensa, Marcelo garante que não
participou do crime. “Eu não falei nada. Eu estava em casa, quando
cheguei na praça ele já tinha sido baleado”, defende. A Segup reúne
agora um grupo composto pelas polícias Civil e Militar, Secretaria
Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (Siac), Ministério
Público do Estado (MPE) e outras instituições, para atuar durante jogos
entre os dois clubes. O promotor de Justiça Domingos Sávio Campos foi
enfático em destacar que ações como essas não serão mais toleradas. “As
forças do Estado estão unidas para atuar fortemente no combate a esses
crimes cometidos por bandidos infiltrados em torcidas”, disse.
(Diário do Pará)
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