terça-feira, 28 de maio de 2013

« Desânimo no Planalto. Acabou o estoque de denúncias contra Rosemary, a amiga de Lula. E agora, o que fazer?

A ditadura não parou de me perseguir. Não me assassinou, com a tantos, com medo. A Comissão da Verdade tem que acabar com a “anistia ampla”, que só serviu aos torturadores. E a destruição da Tribuna, em fevereiro de 81? A tragédia do 1º de maio de 81, quem pagará por ela. A “anistia”, em 1979. E 1981 não vem depois? Que calendário é esse?

 

 


Helio Fernandes/Tribuna da Imprensa






A Comissão da Verdade está fazendo um excelente trabalho, tentando resgatar o que aconteceu realmente nos 21 anos de chumbo da ditadura. E se insiste em “21 anos da ditadura”, é porque para este repórter e para muita gente, 1979 e a chamada “anistia ampla, geral e irrestrita” foi uma farsa, uma fraude, mistificação que só serviu aos ditadores-torturadores-assassinos. Por causa desse ato fraudulento e unilateral, o Brasil foi superado totalmente pelo Chile e Argentina, que puniram seus criminosos (um dos últimos e o mais importante, acaba de morrer numa cela comum, merecidamente), enquanto os nossos foram totalmente esquecidos. Esquecidos e inocentados.
Essa “anistia” de nome imenso é tão grande quanto os atos criminosos dos torturadores. Mas os generais dos mais altos escalões sabiam de tudo, agora fica a impressão supérflua ou profunda: torturador covarde, insensato e desumano, só o coronel Ustra. Ele, sem dúvida. Mas os generais com uma porção de estrelas nos ombros, também.
A ANISTIA ERA DE 1979, MAS O
TERROR E A DITADURA, ATÉ 1985
Como é possível respeitar essa “anistia” de 1979, se em 1981, dois anos depois, os inocentados por eles mesmos, destruíam completamente a Tribuna da Imprensa? Massacre planejado, coordenado e executado pela mais alta patente da época (patente e cargo), o general de quatro Estrelas e chefe-geral do SNI, Octavio Medeiros.
Já disse aqui que 48 horas depois da destruição da Tribuna, o senador Franco Montoro (depois, governador de São Paulo) telefonou para o presidente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, e pediu para marcar um encontro comigo no dia seguinte. Franco Montoro era relator da CPI do Terror, queria que eu fosse depor imediatamente.
Conversamos no gabinete de Barbosa, acertamos o depoimento para três dias depois. O Senado lotado, não só de senadores, mas também com um número enorme de deputados. Contei tudo, coloquei o chefe do SNI inteiramente como responsável, ele era o grande beneficiário da permanência do regime arbitrário, atrabiliário e discricionário. Estava decidido, se a ditadura permanecesse, ele seria o novo “presidente”.
O assombro foi geral, perplexidade e receio em relação à minha integridade. Como voltei para o Rio imediatamente, não houve espaço para a violência física, mas recorreram ao que faziam e melhor. Sumiram com tudo o que eu revelei em 6 horas de depoimento.
###
PS – Terminei dizendo: “A destruição da Tribuna não foi apenas um ato de vingança, mas um movimento de sobrevivência”. Para que ficasse bem claro o que estava acontecendo, reafirmei: “Não acabou, está longe disso”.
PS2 – Lógico que eu não adivinhava nada, mas pressentia que o desespero dos insensatos que não queriam perder o Poder poderia levá-los a qualquer violência.
PS3 – Nem acreditava que seriam capazes da loucura do Riocentro, no dia 30 de abril, em comemoração antecipada do 1º de maio, três meses depois. Quem imaginaria que fossem capazes de planejar e executar aquela tragédia que não se consumou por detalhes que até hoje não se explica?
PS4 – Por isso, a prioridade “mil” da Comissão da Verdade tem que ser a de desmoralizar essa “anistia” de 1979. Como poderão explicar à opinião pública que os criminosos absolvidos por eles mesmos, sejam agora inocentados pelos que estão obrigados a investigá-los?
EIKE BATISTA A  JATO
Está á venda por 14 milhões de dólares (28 milhões de reais) um jatinho. É dele, sim. Já foi um dos 10 mais ricos do mundo, dizia que em 1 ano seria o mais rico do Brasil, em 2 ou 3, o mais rico do mundo. Hoje, na relação da Forbes, é o número 222X.
Mas o mais importante vem agora, a pergunta ingênua: Por que um homem que deve 62 bilhões, sem garantias, precisa de 28 milhões, e o que vai fazer com essa miséria? A não ser que seja uma de suas extravagâncias. Para provar e convencer, tem que comprar outro jato igual, por 100 milhões. Mas numa operação pública, registrada em cartório e referendada por dois amigos: Lula e Sergio Cabral.
PAVOR DA INFLAÇÃO
O prefeito de São Paulo levou mais de 15 dias negociando o aumento dos ônibus. Os sindicatos patronais queriam o aumento para 3,40 reais, dos consumidores 3,10. Conversas e mais conversas, o aumento foi de 10 centavos, pelo menos os trabalhadores não perderam tudo.
No ano de 1900 (113 anos passados), no faroeste dos EUA, com 10 centavos de dólar, qualquer um tomava um pileque de dormir 2 horas. Em 1917, depois de fundar a United Arts, Charles Chaplin ganhava 150 dólares por semana, as pessoas não acreditavam. Repetiam: “150 dólares por semana? Isso não existe”. 10 centavos agora, que tormento.
A PROXIMIDADE DO PLANALTO
Dona Dilma tinha compromisso importante no exterior, Temer e Henrique Eduardo Alves também, sobrou para que Renan contasse mais tarde em Alagoas: “Fui presidente da República, estou na História”.
Se ele também viajasse, o substituto seria Joaquim Barbosa, presidente do Supremo, quinto na hierarquia, que jamais foi beneficiado. 24 ou 48 horas no Planalto-Alvorada ajudariam Barbosa a definir esperanças e desesperanças?

Nenhum comentário:

Postar um comentário