Por Mary Zaidan
José
Dirceu é mesmo o máximo. Ministro-chefe da Casa Civil e homem de
confiança do presidente Lula, foi desapeado do Planalto em junho de 2005
quando as denúncias do mensalão começaram a esbarrar no chefe-maior,
que o tinha como capitão do time. No fim do mesmo ano teve seu mandato
de deputado federal cassado.
De lá para cá, mesmo com direitos políticos suspensos até 2015, Dirceu, ao contrário do que se poderia supor, só ganhou poder.
Aproximou-se
da nata empresarial, para a qual presta serviços de consultoria,
vendendo caro seu trânsito e influência. Embora visivelmente baqueado,
não perde a pose.
Continua poderoso mesmo depois de condenado pela Suprema Corte. Dá ordens, manda e desmanda.
Na
última semana de abril foi ele quem intercedeu em favor da governadora
do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) para que o PT suspendesse as críticas a
ela nas inserções regionais do partido na TV.
Os
30 segundos de propaganda traziam elogios aos feitos de Lula e Dilma
Rousseff em contraponto à triste realidade maranhense: “O Maranhão
continua ostentando os piores indicadores sociais do país. Somos os
piores na Saúde e na Educação. Vivemos num estado de profunda
insegurança, medo e violência, que aterroriza todos nós. Com o PT,
haveremos de inaugurar um tempo de mudança, renovação e esperança para o
Maranhão”.
A filha de José Sarney não
teve dúvidas: reclamou com Dirceu e, rapidamente, o presidente nacional
do PT, Rui Falcão, mandou suspender o comercial.
Parece uma questiúncula local, mas não é.
Dirceu
dá as cartas em várias instâncias do PT. Em uma frente, percorre o País
fazendo-se de vítima, encarnando o injustiçado por um julgamento
político.
Na outra, interfere nas
pautas do partido. Saem dele os discursos mais contundentes sobre
reforma política – financiamento público de campanha e voto em lista – e
de controle mais ferrenho da mídia, que o PT chama de democratização.
Chega
ao cúmulo de querer escalar o papel dos ministros do Supremo Tribunal
Federal, requerendo que o presidente da Corte seja afastado da função de
relator no julgamento dos recursos do mensalão.
E, assim como fez no Maranhão, mete a mão também nas brigas locais.
Quando
o País lutava contra a inflação galopante, buttons com os dizeres “Eu
sou fiscal do Sarney” tomaram as ruas. Quem diria que 27 anos depois
Dirceu passaria a ostentá-lo. Não como os brasileiros crédulos de 1986,
que apostaram cegamente nas pirotecnias do Plano Cruzado. Mas para
proteger o rei do Maranhão, que sobrevive da miséria de seu Estado
natal.
Ao que parece a dívida com os Sarneys não é apenas alta. É impagável.( Do Blog do John Cutrim/JP)


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