Eugênio Moraes/Arquivo Hoje em Dia
Nos últimos 12 meses, os alimentos in natura tiveram alta de preço de 43,35%
“Dificilmente encerraremos o ano com a inflação convergindo para o
centro da meta”, analisa o coordenador de pesquisas da Fundação Ipead,
professor Wanderley Ramalho.
A alimentação foi, novamente, a vilã. No acumulado dos últimos 12
meses, o grupo subiu 13,86%. Os alimentos in natura foram além,
escalando 43,35%. Na mesma linha, comer em casa ficou 16,06% mais caro. O
subgrupo alimentação fora de casa também foi às alturas, aumentando
11,20%.
Conforme Ramalho, o atraso nas chuvas foi o principal responsável pela alta nos preços dos alimentos.
Entre os itens não alimentares, o subgrupo encargos e manutenção da
habitação registrou a maior alta no acumulado dos 12 meses, chegando a
9,28%. Saúde e cuidados pessoais aparece em segundo entre os que mais
subiram, com alta de 6,21%.
Controle
Embora o dragão da inflação pareça estar solto, Ramalho afirma que a
alta de preços não é desenfreada. “O governo está experimentando
cenários com a Selic. A alta de 7,25% para 7,5% não foi unânime, o que
comprova a existência desses testes”, diz.
Ainda de acordo com ele, o consumidor é um forte aliado para segurar a
alta de preços. E a receita é simples. Segundo o professor, a população
deve boicotar produtos que registram alta no preço devido à especulação.
O coordenador comenta que alguns comerciantes
veem a alta nos concorrentes e, mesmo sem motivo, aumentam o preço
também. “Esse é o aumento difícil de controlar. Aquele que não tem
motivo para existir, mas corrói o bolso do cliente em busca de lucro maior”, diz.
Contribuições
Entre os itens que contribuíram para puxar a inflação para cima estão
despesas com energia elétrica (3,65%), refeição (1,52%), cabeleireiro
(3,41%), telefonia fixa e internet (3,42%) e táxi (4,9%).
Na contramão, os que puxaram para baixo chamam a atenção pela
irrelevância na composição do IPCA: ingressos para jogos (-10,56%),
gasolina comum (-0,62%), perfume (-4,36%), excursões (-1,73%), laranja
(-15,71%). Em média, cada um dos itens segurou a inflação em -0,02 ponto
percentual.
“Como a maioria dos produtos sofreu alta, os poucos que tiveram alguma queda se destacaram”, explica Ramalho.
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