terça-feira, 28 de maio de 2013

Prostituir o talento de Neymar

 

 

Neymar
Tostão (O Tempo)







Pelé fazia dupla com Coutinho. Neymar, com André, Mirales ou Paulinho. Já imaginou se Messi, hoje, jogasse na Argentina, Cristiano Ronaldo, em Portugal, e Ibrahimovic, na Suécia? Neymar, no fraco time do Santos, é um desrespeito a seu talento.
A situação de Neymar é bem diferente da de inúmeros bons jogadores brasileiros, que, dificilmente, seriam titulares de uma grande equipe da Europa. Por isso, muitos voltaram. Ser destaque no Brasil, além de ganhar salários tão bons, ou maiores, é melhor que jogar em um time médio europeu.
Se a situação do futebol brasileiro fosse outra, seria ótimo Neymar ficar por aqui. Muitos argumentam que é muito melhor vê-lo jogar mais de perto, do que fora, como se Neymar fosse um produto de consumo, à nossa disposição. A sociedade do espetáculo idolatra, consome e descarta rapidamente seus ídolos. A impaciência com Neymar já começou. Querem que ele dê show em todas as partidas.
O maior compromisso de um artista é com sua arte e com a busca da perfeição, sem nunca alcançá-la. Ficar no Brasil, porque ganha mais que Cristiano Ronaldo e é o rei da cocada preta, seria estagnar, prostituir seu talento.
Neymar não vai para provar que é um cracaço nem para ser eleito o melhor do mundo. Ele vai porque vai enfrentar defesas melhores e mais compactas, porque precisa de concorrência para evoluir, porque vai jogar ao lado e contra os melhores jogadores, porque vai aprender a ser um coadjuvante, como Messi foi no início, e, principalmente, a jogar coletivamente.
No Santos, há dois times, o de Neymar, formado só por ele, e o do Santos, com o restante dos jogadores. Um time não se mistura com o outro. O de Neymar é muito melhor.
Tentar driblar, de rotina, vários jogadores, para fazer um golaço e ganhar o prêmio da Fifa vai levar à ineficiência. Temo que se transforme em apenas um grande craque circense.
Messi disse que Neymar é excepcional na jogada de um contra um. Messi já o imaginou no Barcelona. Quando Messi, Xavi e Iniesta trocam passes pelo meio, até a
entrada da área, e não conseguem penetrar, o que tem sido mais frequente, um dos três toca a bola para o atacante pelo lado, livre, pois o lateral fecha para o meio, para fazer a cobertura. Mesmo assim, nada ocorre. Costumam voltar a bola para o meio, e tudo recomeça. Messi, Xavi e Iniesta estão loucos para a chegada de Neymar.
Neymar é que tem que decidir sua vida. Não temos nada com isso. Se optasse por ficar, porque achava que aqui seria mais feliz, que poderia ser ator da TV Globo e o reizinho, nunca ameaçado, teríamos de respeitar sua decisão. Se optasse por desaparecer e gastar sua fortuna pelo mundo, seria também uma decisão interessante.
ÓTIMO RESULTADO
O Atlético, contra o Tijuana-MEX, jogou muito mal, durante a maior parte do jogo, correu grandes riscos de ser goleado, mas, graças aos erros individuais do adversário, ao talento de Tardelli e ao gol de Luan, que, dessa vez, em vez de cavar a falta, ficou em pé, para fazer o gol, está próximo da semifinal.
Já o Fluminense ficou em uma situação perigosa, apesar de ter ainda mais chances que o Olímpia para se classificar, já que pode empatar com gols, além de ter um time melhor. Abel teria dito, antes da partida, que empatar por 0 a 0 é melhor que ganhar por 2 a 1, por não sofrer gols em casa. Avacalharam com a matemática. Aliás, não gosto deste regulamento, de dar mais valor ao gol fora de casa.

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