terça-feira, 28 de maio de 2013

Sem uma das pernas, Daniel quer apenas ser mais um na multidão


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Daniel participa assiduamente dos ensaios da quadrilha junina Dona Matuta
Foto: Marília Banholzer/NE10

Do NE10
Enquanto muitos lutam para se destacar em um grupo, um jovem de 18 anos se esforça e ensaia por horas para tentar passar despercebido. Daniel Soares Dias, morador do bairro da Campina do Barreto, na Zona Norte do Recife, não é apenas um dos quase 140 brincantes de uma das principais quadrilhas juninas do Nordeste brasileiro: a Dona Matura, com sede no bairro de San Martin, na Zona Oeste da capital pernambucana. A verdade é que o jovem é visto com um exemplo de superação. Daniel perdeu a perna esquerda aos nove anos de idade após um ferimento causado por uma queda de bicicleta infeccionar e levá-lo à amputação do membro.
A história que parecia ter um caminho triste esbarrou em um jovem cheio de vontade de viver, mesmo com as limitações. Alegre e disposto, Daniel não foge dos longos ensaios da quadrilha que participa. Os encontros acontecem até três vezes por semana e duram até seis horas. Rodopios, pulos, palmas, gritos e muito forró fazem parte dos ensaios. Em meio ao grupo, Daniel só quer ser mais um. "Eu me sinto como qualquer outra pessoa, apenas mais um ali naquele grupo [quadrilha]."
Daniel faz com uma perna só o que nem eu consigo fazer tendo as duas
Mas o que se comenta entre os colegas de Daniel é que passar despercebido é quase impossível, e o motivo para isso não é a deficiência física, mas sim o show que o jovem dá quando a música começa a tocar. "Ele dança melhor que muita gente que tem as duas pernas" e "Daniel faz com uma perna só do que nem eu consigo fazer tendo as duas", sãos as frases que mais se repetem entre os integrantes da Dona Matuta quando o assunto é o jovem dançarino.

Para fazer bonito nas apresentações o grupo ensaia desde novembro
Fotos: arquivo pessoal e Marília Banholzer/NE10


Daniel conheceu e se apaixonou pela música aos 12 anos, por causa de uma apresentação da escola. "Eu tive que aprender a dançar, gostei e não parei mais. Há três anos participo de quadrilhas, mas também gosto muito de frevo", contou o jovem que sai do trabalho, passa em casa e parte para os ensaios com todo gás. "A dança traz uma inclusão, querendo ou não é uma maneira de se expressar", comentou Daniel que além das quadrilhas já participou de grupos de danças populares.

Daniel não participa apenas de quadrilhas, mas de diversos grupos de dança
Fotos: arquivo pessoal

Para o quadrilheiro, o segredo para superar suas limitações é conhecer seu corpo e até onde consegue fazer cada movimento. Porém, um dos grandes obstáculos para seu objetivo de ser mais um ainda é o olhar de espanto dos outros para o que ele é capaz de fazer. "As vezes eu sinto o olhar das pessoas me vendo como coitado, mas eu nunca olhei ninguém assim. Eu sempre olhei com muita força de vontade e assim que eu vou superando mais esse obstáculo", decretou o dançarino que tem dentro de casa um grande apoio para que participe da quadrilha junina. Segundo Daniel, a mãe nunca o viu dançar, apenas pela televisão quando algum concurso é televisionado, mas ela é a primeira a incentiva-lo a não faltar aos ensaios. "Ela fica perguntando como vai a quadrilha, como vão as coisas e fica dizendo para eu ir dançar."

Ter perdido a perna não é um problema para Daniel se divertir dançando
Foto: Marília Banholzer/NE10
Confira a participação da Dona Matuta no concurso de quadrilhas juninas promovida pela Globo Nordeste em 2012. O grupo foi o grande vencedor do último concurso:
DONA MATUTA - Formada há sete anos, a quadrilha junina tem sede em San Martim, na Zona Oeste do Recife, mas é composta por moradores de diversos bairros da Região Metropolitana. Em seu curto tempo de estrada, a Dona Matuta já se tornou uma das principais quadrilhas do Nordeste por sempre figuras entre as melhores colocadas nos concursos do gênero. Em 2012, o grupo venceu o concurso regional de quadrilhas juninas e se consagrou a melhor do Nordeste. Além deste título, a Dona Matuta já abocanhou o troféu de melhor quadrilha matuta do concurso promovido pela Globo Nordeste.( Do NE10 )
 


 

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