quinta-feira, 27 de junho de 2013

Dilma consegue desagradar até o PT e vai rolando ladeira abaixo


Carlos Newton/Tribuna da Imprensa 



Faltando um ano e meio para o fim do mandato, a presidente Dilma Rousseff está obtendo uma façanha realmente notável: consegue desagradar a todos, inclusive ao PT. Dentro do partido, o descontentamento contra ela é impressionante. Na chamada base aliada, a impressão é a mesma. Cada vez mais gorda e roliça, ela vai descendo a ladeira, numa velocidade impressionante.
Lembro que no regime militar, os governantes eram criticados por baixarem pacotes econômicos. Mas lembro também que nunca se viu, em toda a nossa História, um pacotaço tão amplo e abrangente como esse que a presidente tentou baixar, num verdadeiro delírio administrativo.
Mas logo depois o Planalto viu que não era bem assim e começaram as recuetas. A presidente é mal assessorada, seus ministros e auxiliares nem se dão ao trabalho de consultar a Constituição, para saber o que pode e o que não pode ser feito. Saudades de ministros da Justiça como Saulo Ramos, de saber incomensurável, que me dava entrevistas durante a Constituinte citando de memória a legislação dos mais diversos países, sem consultar livro algum.
COM AS CENTRAIS
Dilma se reuniu ontem com todas as centrais sindicais, tentando conseguiu apoio. Mas acontece que as entidades, em decisão unânime, já marcaram para 11 de julho o Dia Nacional de Mobilização do Sindicalismo.
A data foi definida em reunião das centrais CUT, Força, UGT, Nova Central, CTB, CGTB, CSP-Conlutas e CSP na terça-feira, em São Paulo, com participação da UNE e do MST.
A mobilização vai reforçar a Pauta Trabalhista e incorporar reivindicações das ruas, como melhoria no transporte urbano, mais investimentos em saúde pública e reajuste para os aposentados. A reforma política também foi debatida no encontro. Para Vagner Freitas, presidente da CUT, a população quer outra forma de fazer política. “O modelo atual está desgastado”, afirmou, dizendo que não há discordância entre a pauta sindical e dos manifestantes. “O que a população quer é um Estado mais efetivo, gastos públicos sob controle, transparência, combate à corrupção e mais diálogo. É o que sindicalismo sempre defendeu”.
E o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva votou a bater numa tecla recorrente da Força: a desindustrialização. “O jovem se forma e não encontra emprego de qualidade. Acaba indo para setores que tradicionalmente pagam menos. Os melhores empregos, hoje, estão no exterior”, argumentou.
CHEGANDO AO FIM
Assim, um ano e meio antes de chegar ao fim, o governo Dilma Rousseff vai se esvaindo e terminando antes do tempo. Dentro de mais um pouco, nem mesmo o rapaz que serve cafezinho no terceiro andar do Palácio continuará dando importância a essa senhora.
Enquanto isso,  a 2 mil km de distância, no Instituto Lula, o contentamento é geral. Quanto mais Dilma cai, mais cresce a candidatura de Lula. Os assessores dele pensam que será fácil ganhar a eleição em 2014, mas podem ter muito mais dificuldades do que julgam. Especialmente se o ministro Joaquim Barbosa aceitar a candidatura.
Como dizia o genial compositor Miguel Gustavo, meu vizinho no edifício Zacatecas, o suspense é de matar o Hitchcock…

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