POR JULLY CAMILO/JP
As instruções do processo que apura o assassinato do jornalista Décio Sá, ocorrido em abril do ano passado, tiveram continuidade na manhã de ontem (3), no Fórum desembargador Sarney Costa, no Calhau. As oitivas, presididas pelo juiz Márcio Castro Brandão, respondendo pela 1ª Vara do Tribunal do Júri, duraram mais de dez horas e tiveram início com os depoimentos de Gláucio Alencar Pontes Carvalho, José de Alencar Miranda Carvalho (pai de Gláucio), e os policiais civis Alcides Nunes da Silva e Joel Durans Medeiros. Em seus interrogatórios, os suspeitos de serem os mandantes do crime – Gláucio e José de Alencar – revelaram durante as audições que receberam uma proposta na prisão, de R$ 10 milhões, para assumirem a autoria intelectual do assassinato.
De acordo com Gláucio Alencar, durante a sua permanência em uma das celas do Corpo de Bombeiros, ele teria recebido a visita de um advogado que havia lhe proposto o pagamento de R$ 10 milhões e a sua liberdade, caso ele conseguisse convencer seu pai a assumir a autoria intelectual do crime. Ele explicou que o proponente disse apenas que, pela avançada idade de José de Alencar, 73 anos, e por já estar no fim da vida, poderia ser concedido em seu favor uma prisão domiciliar e todos os problemas estariam resolvidos. “Infelizmente, o que estão fazendo comigo e ao meu pai é algo maldoso e criminoso; só não vou revelar o nome da pessoa que me fez esta proposta, por temer pela minha vida. Confio em Deus, na Promotoria e na Justiça, mas na polícia não acredito mais; afinal, muita coisa foi deturpada e abafada desde que fui preso. A única certeza que temos é que alguém muito ‘grande’ e ‘forte’ está sendo blindado. No dia em que recebi a proposta dos R$ 10 milhões, solicitei uma escuta à polícia para gravar a conversa, mas o que me mandaram foi fazer uma revista em minha cela, de onde levaram todas as minhas anotações e uma carta na qual pedia à governadora que acompanhasse o caso de perto, para evitar os erros que estavam ocorrendo durante o inquérito policial”, explicou.
O acusado contou que, em um determinado momento da sua acareação com José Raimundo Sales Chaves Júnior, o “Júnior Bolinha”, as câmeras usadas para gravar os depoimentos foram desligadas pela polícia, como forma de manipular ou omitir perguntas que estavam sendo feitas a eles. Gláucio narrou que o delegado responsável pelo procedimento teria perguntado a Júnior Bolinha se na noite do crime ele havia ligado para Pedro Teles e apesar da resposta negativa, o delegado bateu na mesa e mostrou uma conta telefônica que provava a chamada. “Tudo isso aconteceu com as câmeras desligadas, o ‘Bolinha’ confessou que ligou para Pedro Teles, momento no qual meu advogado se levantou e disse que tudo aquilo deveria estar sendo gravado, caso contrário eu não falaria mais. O delegado levantou, esmurrou a mesa e disse que ele era autoridade policial e que não iria incluir o nome de ninguém. Outro absurdo foi ser indagado pelo próprio delegado Maymone Barros, no dia da minha prisão e após a minha apresentação pública à imprensa, se eu sabia se Pedro Teles tinha mandado matar Décio. Eu apenas respondi: doutor, isso quem deveria saber era o senhor, afinal vocês acabaram de me algemar e me apresentar como mandante de um crime que eu não cometi”, afirmou.
Gláucio Alencar, que teve o depoimento mais demorado do dia, com cinco horas de duração, afirmou também ter sido pressionado várias vezes durante o seu interrogatório, feito pelo delegado Maymone Barros, a informar ou induzir o nome do deputado Raimundo Cutrim; porém ele não o fez. Segundo o acusado, sua prisão foi algo planejado; e que agora ele tem sido alvo constante de perseguição. “Ninguém mais ouve falar em Júnior Bolinha, Jhonatan, só no Gláucio. Décio nunca postou nada sobre a minha pessoa; portanto eu não tinha motivos para fazer nada contra ele. Já sobre a família Teles, de Barra do Corda, foram 37 postagens, mas isso a polícia nunca quis apurar. Outro dia, fiquei sabendo de uma conversa entre o blogueiro Marcelo Vieira e a governadora Roseana, na qual ele teria dito que eu havia emprestado R$ 2 milhões para a campanha de Flávio Dino, e por conta desse comentário eu seria perseguido até o fim dos meus dias. Sou inocente e nunca mandei matar ninguém, muito menos Décio e Fábio Brasil; a polícia diz apenas que sou um marginal, mas nunca contou que eu sou um homem que serve a Deus, e que todos os dias levantava às 6h para trabalhar enquanto muitos ainda dormiam”, declarou.
Não conhecia Décio Sá – José de Alencar Miranda Carvalho garantiu, bastante emocionado, durante todo o seu depoimento, que não conhecia o jornalista Décio Sá e nunca esteve com ele. O pai de Gláucio confirmou a proposta recebida pelo filho para os dois assumirem a autoria intelectual do crime; porém, por medo, disse que também não poderia revelar o nome do advogado que teria feito a proposta. “Eu até perguntei o nome da pessoa disposta a pagar todo esse dinheiro, mas ele só me disse que, para o meu bem, seria melhor que eu não soubesse. Pedi ao meu filho que fosse à Seic, contasse o fato e pedisse uma escuta para gravar a chantagem, mas por incrível que pareça a escuta foi negada, uma revista foi programada na cela dele, quando levaram seus três cadernos com anotações. E, no dia seguinte, o mesmo advogado reapareceu retirando a proposta, dizendo que era melhor esquecermos tudo. Uma coisa é certa, eu faria qualquer coisa pelo meu filho, mas com dignidade, jamais me envolveria com sujeira ou bandidagem”, disse Miranda.
Os investigadores Alcides Nunes da Silva e Joel Durans Medeiros foram ouvidos, já no final do dia de ontem. Eles declararam que possuíam apenas ligações profissionais com Gláucio Alencar, que por várias vezes os chamaram no intuito de intervir contra uma possível extorsão que ele sofria de Júnior Bolinha, por conta da morte do empresário Fábio Brasil, e garantiram que todas as operações feitas em seu favor eram de conhecimento de seus superiores.
As instruções do processo que apura o assassinato do jornalista Décio Sá, ocorrido em abril do ano passado, tiveram continuidade na manhã de ontem (3), no Fórum desembargador Sarney Costa, no Calhau. As oitivas, presididas pelo juiz Márcio Castro Brandão, respondendo pela 1ª Vara do Tribunal do Júri, duraram mais de dez horas e tiveram início com os depoimentos de Gláucio Alencar Pontes Carvalho, José de Alencar Miranda Carvalho (pai de Gláucio), e os policiais civis Alcides Nunes da Silva e Joel Durans Medeiros. Em seus interrogatórios, os suspeitos de serem os mandantes do crime – Gláucio e José de Alencar – revelaram durante as audições que receberam uma proposta na prisão, de R$ 10 milhões, para assumirem a autoria intelectual do assassinato.
De acordo com Gláucio Alencar, durante a sua permanência em uma das celas do Corpo de Bombeiros, ele teria recebido a visita de um advogado que havia lhe proposto o pagamento de R$ 10 milhões e a sua liberdade, caso ele conseguisse convencer seu pai a assumir a autoria intelectual do crime. Ele explicou que o proponente disse apenas que, pela avançada idade de José de Alencar, 73 anos, e por já estar no fim da vida, poderia ser concedido em seu favor uma prisão domiciliar e todos os problemas estariam resolvidos. “Infelizmente, o que estão fazendo comigo e ao meu pai é algo maldoso e criminoso; só não vou revelar o nome da pessoa que me fez esta proposta, por temer pela minha vida. Confio em Deus, na Promotoria e na Justiça, mas na polícia não acredito mais; afinal, muita coisa foi deturpada e abafada desde que fui preso. A única certeza que temos é que alguém muito ‘grande’ e ‘forte’ está sendo blindado. No dia em que recebi a proposta dos R$ 10 milhões, solicitei uma escuta à polícia para gravar a conversa, mas o que me mandaram foi fazer uma revista em minha cela, de onde levaram todas as minhas anotações e uma carta na qual pedia à governadora que acompanhasse o caso de perto, para evitar os erros que estavam ocorrendo durante o inquérito policial”, explicou.
O acusado contou que, em um determinado momento da sua acareação com José Raimundo Sales Chaves Júnior, o “Júnior Bolinha”, as câmeras usadas para gravar os depoimentos foram desligadas pela polícia, como forma de manipular ou omitir perguntas que estavam sendo feitas a eles. Gláucio narrou que o delegado responsável pelo procedimento teria perguntado a Júnior Bolinha se na noite do crime ele havia ligado para Pedro Teles e apesar da resposta negativa, o delegado bateu na mesa e mostrou uma conta telefônica que provava a chamada. “Tudo isso aconteceu com as câmeras desligadas, o ‘Bolinha’ confessou que ligou para Pedro Teles, momento no qual meu advogado se levantou e disse que tudo aquilo deveria estar sendo gravado, caso contrário eu não falaria mais. O delegado levantou, esmurrou a mesa e disse que ele era autoridade policial e que não iria incluir o nome de ninguém. Outro absurdo foi ser indagado pelo próprio delegado Maymone Barros, no dia da minha prisão e após a minha apresentação pública à imprensa, se eu sabia se Pedro Teles tinha mandado matar Décio. Eu apenas respondi: doutor, isso quem deveria saber era o senhor, afinal vocês acabaram de me algemar e me apresentar como mandante de um crime que eu não cometi”, afirmou.
Gláucio Alencar, que teve o depoimento mais demorado do dia, com cinco horas de duração, afirmou também ter sido pressionado várias vezes durante o seu interrogatório, feito pelo delegado Maymone Barros, a informar ou induzir o nome do deputado Raimundo Cutrim; porém ele não o fez. Segundo o acusado, sua prisão foi algo planejado; e que agora ele tem sido alvo constante de perseguição. “Ninguém mais ouve falar em Júnior Bolinha, Jhonatan, só no Gláucio. Décio nunca postou nada sobre a minha pessoa; portanto eu não tinha motivos para fazer nada contra ele. Já sobre a família Teles, de Barra do Corda, foram 37 postagens, mas isso a polícia nunca quis apurar. Outro dia, fiquei sabendo de uma conversa entre o blogueiro Marcelo Vieira e a governadora Roseana, na qual ele teria dito que eu havia emprestado R$ 2 milhões para a campanha de Flávio Dino, e por conta desse comentário eu seria perseguido até o fim dos meus dias. Sou inocente e nunca mandei matar ninguém, muito menos Décio e Fábio Brasil; a polícia diz apenas que sou um marginal, mas nunca contou que eu sou um homem que serve a Deus, e que todos os dias levantava às 6h para trabalhar enquanto muitos ainda dormiam”, declarou.
Não conhecia Décio Sá – José de Alencar Miranda Carvalho garantiu, bastante emocionado, durante todo o seu depoimento, que não conhecia o jornalista Décio Sá e nunca esteve com ele. O pai de Gláucio confirmou a proposta recebida pelo filho para os dois assumirem a autoria intelectual do crime; porém, por medo, disse que também não poderia revelar o nome do advogado que teria feito a proposta. “Eu até perguntei o nome da pessoa disposta a pagar todo esse dinheiro, mas ele só me disse que, para o meu bem, seria melhor que eu não soubesse. Pedi ao meu filho que fosse à Seic, contasse o fato e pedisse uma escuta para gravar a chantagem, mas por incrível que pareça a escuta foi negada, uma revista foi programada na cela dele, quando levaram seus três cadernos com anotações. E, no dia seguinte, o mesmo advogado reapareceu retirando a proposta, dizendo que era melhor esquecermos tudo. Uma coisa é certa, eu faria qualquer coisa pelo meu filho, mas com dignidade, jamais me envolveria com sujeira ou bandidagem”, disse Miranda.
Os investigadores Alcides Nunes da Silva e Joel Durans Medeiros foram ouvidos, já no final do dia de ontem. Eles declararam que possuíam apenas ligações profissionais com Gláucio Alencar, que por várias vezes os chamaram no intuito de intervir contra uma possível extorsão que ele sofria de Júnior Bolinha, por conta da morte do empresário Fábio Brasil, e garantiram que todas as operações feitas em seu favor eram de conhecimento de seus superiores.


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