Presidenta anunciou R$ 50 bilhões para transporte público, mas seu governo mantém sem concorrência linhas de ônibus interestaduais e da região metropolitana de Brasília. MPF ameaça ofensiva na Justiça

Lana Jéssica
Insatisfeitos com qualidade do serviço, moradores do Entorno do DF incendiaram vários ônibus nos últimos dias
No documento, Fonseca fala em nome de procuradores de todo o Brasil que fazem parte de um grupo de trabalho que cobra a licitação das linhas de ônibus. A demora acontece em meio a protestos em todo Brasil pela redução das tarifas e por mais qualidade no transporte público. Em Brasília, por exemplo, vários protestos pediram a licitação das linhas administradas pela ANTT, que descumpriu prazo dado pela Justiça Federal para abrir a concorrência
na região metropolitana da capital. Desde a semana passada, vários ônibus foram incendiados
no chamado Entorno do Distrito Federal e algumas rodovias chegaram a
ser bloqueadas por manifestantes. No Piauí, na região metropolitana de
Teresina, estudantes protestaram contra o monopólio da empresa que faz a
ligação da capital com a cidade vizinha de Timon (MA).
Pelo menos desde 2003, o Tribunal de Contas da União (TCU)
determina que a ANTT licite as linhas de transporte de todo o país. O
procurador da República em Juiz de Fora (MG) Carlos Bruno Ferreira,
membro do grupo de trabalho, atua na área há oito anos. Para ele, as
licitações são importantes para melhorar a qualidade do serviço e
reduzir os preços. “Certamente haverá mais qualidade. Há dois modelos de
licitação, que vão dar mais competitividade e reduzir as tarifas”,
disse ele ao Congresso em Foco. Na avaliação do
procurador, a população sofre com a demora do governo federal. “O
prejuízo é difícil de medir, mas certamente o preço teria caído muito e a
qualidade melhoraria com as licitações”, afirmou Ferreira.
No último encontro nacional de procuradores e promotores do Ministério da área de Direito do consumidor, ficou decidido que eles deveriam propor uma ação judicial de caráter nacional para resolver o problema. Fonseca diz que o melhor, porém, é o diálogo. O procurador questiona objetivamente qual caminho será adotado pela Casa Civil, as licitações da ANTT – atrasadas – ou o modelo de autorização, para o qual ainda não existe na lei, e que dá mais liberdade para o governo cancelar as linhas quando há falta de qualidade.

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