Contratados para abastecer as cidades, alguns motoristas estão desviando a água que seria para os sertanejos
O
sertanejo piauiense que já tem muita luta para sobreviver em épocas de
seca, agora tem mais um motivo para se preocupar. Em alguns municípios,
os responsáveis pela distribuição de água para as famílias estão
desviando o líquido para vender.
Os "pipeiros" e alguns moradores, seus cúmplices, segundo denúncias
apuradas pelo DIÁRIO, são os responsáveis pelo crime com o objetivo de
lucro.
Segundo alguns moradores do município de Curral
Novo, na região de Simões, recentemente, o motorista de caminhão-pipa
foi flagrado debaixo de uma ponte quebrando os canos da adutora que
abastece a cidade para roubar a água e vender no interior.
Além
do furto da água, que já é um crime, o acusado estava deixando toda uma
cidade sem o líquido em uma época que se registra uma das maiores secas
dos últimos 50 anos. A água que sai nas torneiras das casas de Curral
Novo é da barragem de Marruás, no município de Patos.
Outra denúncia dos moradores é de que, em conluio, algumas pessoas sem escrúpulos e alguns "pipeiros" estavam desviando o dinheiro pago
pela água levada até as residências. O golpe funcionava da seguinte
maneira: os donos das cisternas assinavam os documentos como se a água
tivesse sido colocada em suas casas e depois o "pipeiro" dividia o
dinheiro recebido da Defesa Civil.
O caso já teria chegado ao
conhecimento da Defesa Civil que acionou a Polícia para apurar o crime e
punir os responsáveis. Se não fosse o roubo de água, a situação dos
moradores de Curral Novo nesta época não seria tão ruim. Apesar da seca,
nos últimos dias aconteceram pelo menos duas grandes chuvas que
encheram um açude na entrada da cidade que dá para usar a água,
principalmente para matar a sede dos animais.
Para beber, a
água de Mar-ruás é considerada de excelente qualidade. Apesar de ficar
mais distante do lago do que o município de Jaicós, Cur-ral Novo ganhou
logo uma adutora de modo que os carros-pipas distribuem água apenas na
zona rural do município.
Já a cidade de Jaicós continua seu
sofrimento com a falta de água. O açude Tiririca, que abastecia as zonas
urbanas e rural, secou há cerca de um ano. Há sete meses a reportagem
do DP esteve na cidade e constatou que apenas dois poços abasteciam toda
a cidade e que Jaicós estava à beira de um colapso.( Diário do Povo )
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