(Foto: Daniel Pinto)
A população de Santa Cruz do Arari, no arquipélago do Marajó acusa o prefeito Marcelo Pamplona (PT) a pagar
de R$ 5 a R$ 10 a quem capturar cães e colocá-los numa canoa para que
sejam levados e desapareçam do município. Somente nos últimos dias 28 e
29 de maio, cerca de 300 cães foram supostamente exterminados. O caso
foi apontado pelo morador da cidade, Aragonei dos Santos, 49, que,
filmou com celular a “caçada” aos cães pela cidade e foi agredido porque
ameaçou denunciar o caso. Ele teve três cachorros raptados. O prefeito
confirmou a captura dos animais, negou o extermínio e afirma que a
caçada deve continuar.
No município vivem cerca de 8.100 habitantes
– segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e
agora o homem passou a pior inimigo dos cachorros. No último dia 28,
muitos moradores acordaram com latidos e choro dos animais. Nas imagens é
possível ver homens e crianças laçando os cães e os arrastando pelas
ruas da cidade. Os vídeos foram apresentados ontem, com exclusividade,
pela RBATV, no final do programa ‘Metendo Bronca’. As cenas são
chocantes. Bastante machucados, os cães são amordaçados e jogados dentro
de duas embarcações chamadas rabetas. Alguns chegam a ser pendurados
pelo pescoço e outros são agredidos.
Aragonei relata que naquele dia sentiu falta
dos seus quatro cachorros e saiu a procura dos animais, quando se
deparou com a perseguição aos cães. Ele foi informado por outros
moradores que o prefeito estaria oferecendo dinheiro
para quem capturasse os animais e dessem “um fim” a eles. “Foi quando
eu tive a ideia de começar a gravar e fui atrás dos meus bichos”,
comentou.
Ele ainda conseguiu salvar um dos seus cães.
“Eles pegaram inclusive cadelas que tinham acabado de ter filhotes –
alguns ainda nem abriram os olhos”, ressaltou. Uma das embarcações onde
os cachorros foram despachados, segundo Aragonei, pertence à prefeitura
de Santa Cruz do Arari. O rapaz contou que a caçada durou dois dias –
sendo que no primeiro foram capturados 170 cães e no dia seguinte mais
140. Moradores disseram ter visto cachorros boiando no rio Mocouns, a 50
Km da sede do município.
Na última sexta-feira, 31, Aragonei
conversava com a tia Jacilene dos Santos em uma rua quando foi agredido
por uma pessoa identificada pelo apelido de “Batata”. “Ele me pegou por
trás e começou a me bater, quase fico inconsciente. Ele deixou o local
da agressão dizendo que ‘era só um recado do prefeito’”, lembra.
O prefeito Marcelo Pamplona negou o
extermínio de cães. Ele disse que a cidade está tomada por cachorros,
que defecam nas ruas e porta das casas, por isso decidiu enviar os cães
para a zona rural - só não disse exatamente as vilas. “A gente vai
continuar fazendo isso até não ter mais cachorros andando nas ruas. Quem
tiver o seu que cuide e cuide dele em casa”, ressaltou.
O coordenador do grupo técnico do
Departamento de Zoonoses da Secretaria de Estado de Saúde Pública
(Sespa), Reynaldo Lima, criticou a forma com que o prefeito passou a
conduzir a situação. “Ele está fazendo de forma errada. Existe uma lei
que ampara os animais”, atentou.
(Diário do Pará)
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