Trabalhadores
decidiram em votação ontem dar continuidade ao movimento grevista nos
Correios. Até agora não há sinal de negociação
Mesmo
com a ameaça dos Correios de cortar o ponto dos trabalhadores em greve,
a categoria, em assembleia geral ontem, deliberou pela continuidade do
movimento, que já chega ao décimo dia. A empresa afirma que a maioria
dos trabalhadores está desempenhando normalmente suas atividades, mas o
sindicato da categoria diz que a greve está forte e cresce a cada dia,
em Teresina e no interior do Piauí.
Para José
Rodrigues, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, essa
medida é uma forma de intimidar a categoria. "Essa informação de corte
de ponto, para nós, não faz muita diferença. Vamos continuar nosso
movimento porque a cada dia a greve está mais forte", diz.
Nacionalmente,
a situação continua semelhante ao início do movimento. Segundo Uilson
Ga-ma, membro da diretoria do sindicato e da CSP Conlutas, a em-presa se
nega a atender as reivindicações da categoria e o Tribunal Superior do
Trabalho (TST) ainda não marcou a audiência de julgamento pedindo o fim
da greve, encaminhado pelos Correios. "O provável é que eles marquem a
audiência para o dia 14 de outubro, mas ainda não tem nada certo",
explica.
Ainda assim, a empresa diz que irá descontar dos
salários dos grevistas os dias parados, já que, de acordo com a
legislação, a greve implica na suspensão do contrato de trabalho.
Segundo a empresa, a medida se deu em respeito aos mais de 90% dos
trabalhadores que continuam em atividade normalmente e à sociedade
brasileira. Para o sindicato, esses números não condizem com a realidade
e é mais uma forma de camuflar o movimento.
Os trabalhadores
dos Correios ocuparam as entradas do Edifício Sede dos Correios do
Piauí ontem, 26, no Centro de Teresina, em manifestação. Lideranças de
movimentos sociais e de outras categorias estiveram presentes em
solidariedade ao movimento.
Os setores que aderiram em maior
grau ao movimento grevista são também os que trabalham em condições mais
precárias. Carteiros, atendentes comerciais e operadores de triagem e
transbordo estão entre os postos de trabalho mais insalubres, é o que
afirma o carteiro Uilson Gama. "Nosso trabalho não é valorizado.
Trabalhamos na rua, no sol escaldante de Teresina ( Diário do Povo )
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