
Tereza Cruvinel
Correio Braziliense
Correio Braziliense
A presidente viajou deixando dois novos ministros escolhidos e o
meio político pendurado na reforma ministerial. Na escolha do ministro
Aloizio Mercadante para a Casa Civil, e de Arthur Chioro para a Saúde,
ambos do PT, Dilma efetivamente combinou as exigências técnicas e
políticas. Ambos contemplam o PT. Mercadante dará uma nova densidade
política à pasta e Chioro, embora não seja ainda um nome nacional,
contempla Lula e o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Luiz
Marinho, um apoio importante para Dilma no colégio eleitoral paulista.
Resolvida a substituição de Mercadante no Ministério da Educação, com
nomeação do secretário executivo Henrique Paim para a pasta que há
tempos pilota, uma outra substituição relevante, para os rumos do
governo, será a do ministro Fernando Pimentel na pasta de
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar, tem os
atributos, como empresário bem-sucedido, e trânsito em segmentos do
empresariado. Mas o PMDB não aceita que seja contado como ministro de
sua cota, até porque se filiou muito recentemente, ele ficaria na cota
pessoal de Dilma. Agora, entretanto, ele vem sendo “queimado” por
núcleos governistas que divulgam a falta de declarações de apoio a
ele vindas do capital.
SEM ATRIBUTOS E QUALIFICATIVOS
Afora isso, na escolha dos outros ministros, Dilma não estará nem um
pouco preocupada com atributos ou qualificativos dos indicados para os
cargos. Nem ela nem seus antecessores ou sucessores. O que pautará as
escolhas será a busca da maior coligação partidária e do consequente
maior tempo de televisão. Depois da eleição de Collor, que foi
atípica, no retorno à democracia, nas disputas seguintes (Fernando
Henrique, Lula e Dilma), ganhou quem teve o apoio do maior número de
partidos e mais tempo na tevê.
De volta, Dilma trata então de contentar o PMDB, que não aceita
perder pastas nem trocar cebolas de lugar (Turismo por Portos, por
exemplo), e amarrar o PP, o PSD e o Pros. Se ela conseguir amarrar bem
essas pontas, não garantirá os palanques estaduais, mas reduzirá os
problemas já existentes. Antes de viajar, ela mandou dizer ao PMDB
que, logo que voltar, terá uma reunião com a cúpula do partido.
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