quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

E a reforma ministerial?

 
 
Tereza Cruvinel
Correio Braziliense


A presidente viajou deixando dois novos ministros escolhidos e o meio político pendurado na reforma ministerial. Na escolha do ministro Aloizio Mercadante para a Casa Civil, e  de Arthur Chioro para a Saúde, ambos do PT, Dilma efetivamente combinou as exigências técnicas e políticas. Ambos contemplam o PT. Mercadante dará uma nova densidade política à pasta e Chioro, embora não seja ainda um nome nacional, contempla Lula e o prefeito de  São Bernardo do Campo (SP), Luiz Marinho, um apoio importante para Dilma no colégio eleitoral paulista.
Resolvida a substituição  de  Mercadante no Ministério da Educação, com nomeação do secretário executivo Henrique Paim para a pasta que há tempos pilota, uma outra substituição relevante, para os rumos do governo, será a do ministro Fernando Pimentel na pasta de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar, tem os atributos, como empresário bem-sucedido, e trânsito em segmentos do empresariado. Mas o PMDB não aceita que seja contado como ministro de sua cota, até porque se filiou muito recentemente, ele ficaria na cota pessoal  de  Dilma. Agora, entretanto, ele vem sendo “queimado” por núcleos governistas que divulgam a falta  de  declarações  de  apoio a ele vindas do capital.
SEM ATRIBUTOS E QUALIFICATIVOS
Afora isso, na escolha dos outros ministros, Dilma não estará nem um pouco preocupada com atributos ou qualificativos dos indicados para os cargos. Nem ela nem seus antecessores ou sucessores. O que pautará as escolhas será a busca da maior coligação partidária e do consequente maior tempo  de televisão. Depois da eleição  de  Collor, que foi atípica, no retorno à democracia, nas disputas seguintes (Fernando Henrique, Lula e Dilma), ganhou quem teve o apoio do maior número de  partidos e mais tempo na tevê. De volta, Dilma trata então de contentar o PMDB, que não aceita perder pastas nem trocar cebolas de  lugar (Turismo por Portos, por exemplo), e amarrar o PP, o PSD e o Pros. Se ela conseguir amarrar bem essas pontas, não garantirá os palanques estaduais, mas reduzirá os problemas já existentes. Antes  de  viajar, ela mandou dizer ao PMDB que, logo que voltar, terá uma reunião com a cúpula do partido.
 
 

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