*Por Larissa Uchôa
Lembro
exatamente o dia em que fui “tirar” meu título de eleitor. Acabava de
completar a idade mínima obrigatória, 16 anos. Mas, bem antes disso,
fazia questão de ir às urnas na escola em que meus pais votavam. Era
engraçado e despertava o interesse dos mais adultos, pois além de saber
os nomes e os números dos candidatos, quando meus responsáveis optavam
por um que não fosse a minha opção, argumentava até que eles mudassem de
opinião. Enfim, com esta retrospectiva, quero chegar ao ano de 2012,
quando foi a primeira vez que me olhei diante da urna eleitoral. Momento
mágico, em que me senti muito importante, por ter a oportunidade de
participar de um processo de mudanças. Após 2012, passada a euforia,
comecei a analisar as posições políticas de colegas e amigos da minha
faixa etária. Encontrei alguns problemas e passei a me incluir na
realidade dos jovens maranhenses que hoje interrogam: “Qual a nossa
perspectiva para a política maranhense?”.
Politicamente,
o que demonstra o início do amadurecimento da juventude é o gradativo
cessar da passionalidade política no interior do Maranhão. Hoje, muitos
já se negam a manter títulos de eleitor em cidades onde sequer passam 15
dias ao ano. Infelizmente, nestas, ainda vale a lei do mínimo esforço e
pequenas famílias não medem esforços para manter seus domínios, é a
cultura da perpetuação do poder. São gerações perdidas, povos sofridos e
vidas ceifadas; tudo fruto do descaso público. As “casas grandes” só
são presentes no cotidiano da população a cada dois anos. Apesar de
vários municípios findarem com tais práticas, dizer que é uma totalidade
em nosso Estado é ser demagogo. Embora seja um aspecto positivo, ainda
há questões que chamam a nossa atenção, como iniciantes políticos.
É
perceptível a crescente militância política e a mobilização dos jovens
nas diversas mídias. Contudo, para aquele que verdadeiramente propõe
novos caminhos ao Maranhão, restam dúvidas. Diariamente, se assiste uma
série de ataques desnecessários; discursos repetitivos, nada
revolucionários e até postagens de cunho pessoal – por todos os lados. É
angustiante para o jovem maranhense viver em um fogo cruzado que expõe
os próprios cidadãos ao ridículo, uma vez que não há uma efetiva
integração dos poderes e resoluções concretas. Até quando seremos reféns
de questões políticas que desgastam a esperança que acabou de nascer em
nossos corações? As eleições de 2014 se colocam como um enigma: seria
tampar o sol com a peneira?
Ser
sujeito da verdadeira mudança social no nosso Estado ultrapassa as
barreiras do senso comum e do messianismo com que estas eleições estão
se dando. A positiva perspectiva política do jovem maranhense barra em
práticas politiqueiras promíscuas. Há um intenso desvirtuamento
ideológico que compromete a credibilidade das gestões que passam pelo
Executivo. Sem contar com o rompimento dos compromissos eleitorais, tudo
em nome de alianças fortuitas e que fragilizam ainda mais a população. O
pior é a existência de defensores que dizem: “Isso é da política”.
Apesar de estarmos de mãos atadas, não podemos ser coniventes com
práticas dessa natureza. É, sobretudo, dar espaço para que no amanhã
eles confundam o público com o privado e repitam o que hoje é apontado
como erro, ou seja, uma simples redundância na acepção de Orwell à
vista?
Mesmo com tantos motivos para
se entristecer, há algo que candidato nenhum pode retirar desta
juventude: a vontade pela justiça social neste Estado, a luta
pela verdadeira democracia e, principalmente, o direito à intensa
interrogativa crítica sobre a questão política que o Maranhão vivencia.
Por mais que o quadro seja complexo, podemos fazer a luz do nosso Estado
brilhar: basta fazer as escolhas corretas. Há um passado de luta e um
futuro que esperamos ser de glória. Aos jovens realistas, deixo os
versos de “Oração Latina” de César Teixeira: “… E diga sim a quem nos
quer abraçar, mas se for pra enganar diga não… E quem nos ajudará? A não
ser a própria gente, pois hoje não se consente esperar. Somente a rosa e
o punhal, somente o punhal e a rosa poderão fazer a luz do sol
brilhar…”. Avante, juventude!
Larissa Botêlho Albuquerque Uchôa, 18 anos,
Acadêmica do Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
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