Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Sem terra fizeram protesto que acabou em confronto com a polícia em Brasília
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que fazem
uma manifestação nesta quarta-feira (12) na Praça dos Três Poderes,
derrubaram as grades laterais do Congresso e avançaram em direção ao
prédio. A Polícia Militar (PM) reagiu e houve confronto. Pelo menos um
trabalhador sem-terra foi agredido e outro foi preso por agredir um PM. O
MST reagiu jogando pedaços de paus e pedras e a policiais responderam
com bombas de gás.
Os líderes do MST pediram para que os manifestantes se acalmassem. Neste momento, estão concentrados em frente ao Congresso.
Segundo o primeiro-tentente da PM, Mikhail Muniz, o protesto reúne 15
mil manifestantes. Doze policiais ficaram feridos no confronto e foram
encaminhados para atendimento médico.
O protesto é uma marcha com o objetivo de cobrar mais rapidez na
reforma agrária no Brasil. Os manifestantes entoavam gritos e exibiam
cartazes, com mensagens como "Dilma, cadê a reforma agrária?", "Exigimos
uma reforma política" e "Dilma, se liberte do agronegócio". A
presidenta Dilma Rousseff não está no Planalto e cumpre agenda nesta
tarde em sua residência oficial, o Palácio do Alvorada.
Cerca de meia hora antes, o ministro Gilberto Carvalho desceu do
Palácio Planalto para receber uma carta-manifesto pela reforma agrária
que foi entregue por lideranças do MST. Carvalho avaliou como normal e
válido a manifestação. Ele disse que não houve nenhum ato violento
relevante durante o protesto, apesar dos manifestantes terem derrubado
algumas grades de isolamento do Palácio Planalto.
O Supremo Tribunal Federal (STF) interrompeu a sessão de julgamentos
desta tarde devido a uma ameaça de invasão por alguns integrantes do
MST durante a manifestação na Praça dos Três Poderes. Eles derrubaram as
grades que faziam a proteção do prédio. Para evitar a invasão do
prédio, seguranças do Supremo e soldados da Policia Militar entraram em
conflito. A tentativa de invasão do prédio aconteceu no momento em que
os ministros estavam reunidos no plenário da Corte.
O presidente do STF, Joaquim Barbosa, não estava no plenário no momento
em que os fatos ocorreram. A sessão era presidida pelo vice-presidente
Ricardo Lewandowski, que interrompeu os trabalhados ao ser alertado pela
equipe de segurança. “Fui informado agora pela segurança que o
tribunal corre o risco de ser invadido. Vamos fazer um intervalo na
sessão”, disse. A sessão foi retomada após 50 minutos.
Os manifestantes estão em Brasília para participar do Congresso
Nacional do MST, que começou segunda-feira (10) e vai até sexta (14),
com a presença de mais de 15 mil trabalhadores de 23 estados e 250
convidados internacionais. Entre os objetivos do encontro estão um
balanço da atual situação do movimento, a discussão de novas formas de
luta pela terra, pela reforma agrária e por transformações sociais.
Também são discutidos o papel político dos assentamentos e a
participação da mulher e dos jovens no movimento.
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