O suspeito foi reconhecido por fotografia e em vídeos veiculados pela imprensa pelo tatuador Fábio Raposo
A Polícia Civil do Rio informou nesta
segunda-feira, 10, que pediu a prisão temporária por 30 dias do suspeito
de ter acionado o rojão que atingiu na quinta-feira o cinegrafista da
TV Bandeirantes Santiago Andrade, cuja morte cerebral foi declarada na
manhã de ontem. O suspeito foi reconhecido por fotografia e em vídeos
veiculados pela imprensa pelo tatuador Fábio Raposo, preso no domingo
sob acusação de envolvimento no crime. O reconhecimento foi feito na
Penitenciária Bandeira Estampa, em Bangu, na zona oeste do Rio, para
onde Raposo foi transferido. No fim da noite, a Justiça do Rio aceitou e
expediu o pedido de prisão temporária do suspeito, identificado como
Caio Silva de Souza.
“Já tínhamos informações de inteligência sobre o
suspeito. Com a ajuda do advogado de Raposo, chegamos à identificação
dele. Ainda precisávamos que Raposo fizesse um reconhecimento do
suspeito por foto, o que ocorreu nesta tarde. Temos convicção de que o
suspeito é quem acionou o rojão”, afirmou o delegado responsável pela
investigação, Maurício Luciano de Almeida, da 17.ª DP, em São Cristóvão.
A polícia já levantou o endereço do suspeito.
Assim como Raposo, o suspeito foi indiciado por
homicídio doloso (com intenção de matar), agravado pelo uso de explosivo
e pelo crime de explosão. As penas podem chegar a 35 anos de prisão. A
defesa do tatuador disse que vai tentar enquadrar seu cliente no crime
de lesão corporal seguida de morte (4 a 12 anos de reclusão). Ao ser
ouvido na cadeia, Raposo disse, segundo o delegado, que o suspeito de
acender o rojão tem perfil violento: “Além do grande porte físico, ele
se envolveria constantemente em brigas durante as manifestações”,
afirmou o delegado.
“Ao utilizarem o rojão na manifestação, os dois
pretendiam atingir as forças policiais. A intenção era ferir ou matar.
Infelizmente, o cinegrafista foi colocado na linha de tiro com a
deflagração do rojão. Se, durante as investigações, ficar provado que os
dois se uniam de forma estável e duradoura para praticar crimes nos
protestos, eles também poderão ser indiciados por organização
criminosa”, acrescentou o delegado.
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Cinegrafista foi atingido durante manifestação no Rio de Janeiro (Foto: Agência O Globo)
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O
policial criticou a legislação atual, que permite a qualquer maior de
18 anos comprar rojões do tipo que matou o cinegrafista, conhecido como
treme-terra ou rojão de vara. “Este artefato é letal.” Em relação à
oferta do presidente Dilma Rousseff de colaboração da Polícia Federal na
investigação, o delegado disse que não teria problema em aceitar a
ajuda, mas ressaltou que a Polícia Civil “cumpriu o seu trabalho”.
Defesa
Raposo se entregou à polícia no sábado e foi preso no domingo, sob suspeita de tentativa de homicídio e crime de explosão. Seu advogado, Jonas Tadeu Nunes, afirmou ter repassado à polícia o nome, codinome e CPF do suspeito de ter acendido o artefato. Ele disse ter chegado ao nome do deflagrador por meio de “pessoa muito íntima” de seu cliente.
Raposo se entregou à polícia no sábado e foi preso no domingo, sob suspeita de tentativa de homicídio e crime de explosão. Seu advogado, Jonas Tadeu Nunes, afirmou ter repassado à polícia o nome, codinome e CPF do suspeito de ter acendido o artefato. Ele disse ter chegado ao nome do deflagrador por meio de “pessoa muito íntima” de seu cliente.
Esse intermediário estaria tentando convencer o
rapaz a se entregar à polícia. “Quando esteve na delegacia, Raposo
estava muito cansado, com fome. Ele não conseguiu se lembrar do nome.
Aí, ele lembrou de uma terceira pessoa, que conhece o rapaz e poderia
ajudar a localizá-lo”, disse o advogado.
O suspeito que teve prisão decretada ainda não se
apresentou. A partir das 5h desta terça-feira, a polícia pode fazer
buscas para cumprir o mandado e prendê-lo.

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