Carlos Chagas
A fixação de Marina Silva
como vice de Eduardo Campos, ontem, terá reflexos nas próximas pesquisas
eleitorais. Claro que nem todos os partidários da ex-ministra se
disporão a votar no ex-governador, mas razoável contingente se integrará
na chapa socialista. O efeito inicial atingirá Aécio Neves, mas a médio
prazo quem deve cuidar-se é Dilma Rousseff. É cedo para concluir que a
eleição de outubro chegará ao segundo turno, mas a possibilidade fica
reforçada, mesmo permanecendo a dúvida se será disputado por Eduardo ou
Aécio, junto com Dilma.
Muita gente estranha a
dupla ontem anunciada, já que a candidata à vice-presidência tem maiores
intenções de voto do que o cabeça da chapa, mas o malogro da Rede junto
à justiça eleitoral não deixou alternativa para Marina. Era integrar-se
ao Partido Socialista ou ficar de fora. A adesão teve o preço de levar
Eduardo mais para a esquerda, movimento capaz de desagradar o
empresariado paulista que ele vinha cultivando.
Problemas não faltam para a
dupla, a começar pelas sucessões estaduais. Em pelo menos nove estados
Eduardo e Marina não se entendem. Acresce que mesmo assustando Dilma com
a sombra do segundo turno, são frágeis as chances de o Partido
Socialista eleger uma forte bancada no próximo Congresso. A legenda
formará na oposição a um provável segundo mandato da atual presidente ou
retornará ao ninho antigo? Com Marina parece impossível.
Em suma, uma nova peça
insere-se no quadro sucessório. À dupla Dilma-Temer reúne-se a de
Eduardo-Marina. Falta Aécio Neves decidir quem será o seu candidato a
vice. Ou a candidata. O ex-governador de Minas não pode perder tempo. O
exemplo de José Serra quando candidato está aí para ninguém esquecer:
demorou a escolher e, com todo o respeito, escolheu mal, aceitando um
desconhecido Índio da Costa imposto pelo DEM.
À ESPERA DA RAPOSA
Os
governos do PT transformaram a Petrobrás num galinheiro, apesar de
ninguém garantir que, antes, o PSDB e o PMDB não tiraram suas
casquinhas. A designação de diretores da empresa por partidos políticos
tem sido um desastre. Da atual lambança investigada pela Polícia Federal
poderá sobrevir o pior. O caso, a chegada da raposa no galinheiro, quer
dizer, não faltarão vozes para sugerir a privatização total.
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