
O
deputado federal Jesus Rodrigues (PT) publicou artigo nesta terça-feira
(24) no qual sugere que o partido reveja os nomes dos candidatos
considerados ficha-suja.
O
parlamentar citou como exemplo o nome do deputado federal petista Assis
Carvalho, que teve as contas reprovadas pelo TCE. Nesse ponto,
Rodrigues critica a posição de omissão do partido e pede uma resposta.
No
artigo, Jesus declarou ainda que não pretende assumir cargos
comissionados no futuro governo e afirmou que vai apresentar um Projeto
de Emenda Constitucional propondo um novo formato para as composições
dos TCEs.
Confira o artigo na íntegra:
"A ficha não está suja, nem limpa
Quero
fazer aqui uma abordagem sobre a Lei da Ficha Limpa. Aqueles que nela
forem enquadrados não poderão concorrer a cargo eletivo por um período
de oito anos. No caso de cargos comissionados no poder Executivo,
secretários de Estado ou DAS qualquer, há também restrições, pois várias
Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais já votaram Leis da Ficha
Limpa para os ocupantes de cargos no Executivo. Para quem não lembra,
essa é uma lei de iniciativa popular e para aprová-la foi preciso
cumprir todo um trâmite regimental e, por ser de iniciativa popular, ela
tem uma conotação especial.
Desde
o ano de sua vigência, 2012, vários questionamentos jurídicos foram
feitos para postergar sua aplicação, como por exemplo o de que políticos
enquadrados à época da promulgação da matéria não deveriam ser
incluídos. Esses candidatos passaram a concorrer por força de liminar,
sob a justificativa de que a condenação estava supostamente eivada de
vício. Além disso, caso tais "fichas-suja" fossem eleitos, diplomados e
empossados, aplicava-se a imunidade parlamentar e a suposta
inelegibilidade ficava adiada para o próximo pleito, e assim vai-se
empurrando com a barriga até onde for possível.
Embora
tenha feito críticas ao ativismo judiciário e tenha me manifestado
contra algumas posições do STF - Supremo Tribunal Federal e também
esteja por apresentar uma PEC - Projeto de Emenda Constitucional
propondo um novo formato de composição dos TCEs - Tribunais de Contas
Estaduais, aceito e acato suas decisões, embora não fuja jamais do
debate político e, cabendo recursos, sempre os apresentarei. Defendo
ainda, sem nenhuma dúvida, o uso dos "freios e contra-pesos" de um poder
sobre o outro, inclusive sobre o quarto poder, que é a mídia.
Diante
dessa realidade, tenho dito que não assumirei cargo comissionado no
próximo governo. Haveria uma possibilidade mínima de assumir um cargo
ligado ao governo federal numa área que fosse muito identificada com meu
próximo campo de trabalho, que será o da agricultura familiar ou
catadores de lixo. Afora isso, decidi que não vale a pena sentar no
banco dos réus do TCE por nenhuma secretaria de estado que seja e não é
por medo, mas pelo estresse, pela impossibilidade de ter controle total
sobre todos os processos que envolvem os atos administrativos e de
repente estar envolvido por um erro que não cometi.
Falei
da composição dos TCEs. Ela favorece sobremaneira a aprovação de todas
as contas, já que oferta a oportunidade às partes de questionarem todos
os tópicos que entenderem necessários. Dos sete conselheiros, apenas
dois não têm indicação política. Os outros cinco são indicados pelo
Legislativo e Executivo. Em tese, para uma prestação de contas não ser
aprovada é preciso que ela esteja eivada de erros, não meramente
formais. As minhas já foram aprovadas em todos os anos que exerci cargo
no Executivo e recordo que, além da defesa técnica, fiz questão de
apresentar oralmente justificativas às dúvidas dos conselheiros. Espero
que por conta deste artigo não reabram para reavaliação e passem a
guilhotina na minha elegibilidade.
Levanto
essa questão porque considero necessário que o Partido dos
Trabalhadores avalie com a profundidade necessária as possíveis
repercussões jurídicas, pré e pós eleição, da reprovação por unanimidade
das contas do Deputado Federal Assis Carvalho enquanto secretário de
saúde. Mais que isso, o PT deveria fazer uma avaliação política da
situação e dar uma resposta aos demais candidatos e principalmente à
sociedade. Afinal, sua ficha não está suja, nem limpa, e a omissão do
Partido até agora tem sido a pior resposta, na minha opinião, quase
sempre isolada".( Cidadeverde)
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