sábado, 5 de julho de 2014

Procura-se desesperadamente um craque como Amarildo para substituir Neymar

Emoções das Copas, 1962
Carlos Newton
Futebol, todos sabem, é jogo de conjunto. Ninguém ganha nem perde sozinho. Se a ausência de Neymar é hoje um problema gravíssimo, pode-se calcular a comoção que ocorreu em 1962 quando o Brasil perdeu Pelé logo na segunda partida da Copa. Naquela época, não havia substituições e todo jogador contundido que ainda aguentava ficar de pé era colocado na ponta-esquerda, para ficar “fazendo número”, como se dizia.
Na estreia, a seleção derrotou o México  por 2 a 0, mas Pelé se contundiu no jogo seguinte, contra a Tchecoslováquia, empate de 0 a 0. O treinador Aymoré Moreira escalou Amarildo, numa decisão longe de ser unanimidade. Ele tinha apenas 21 anos, mas já era uma estrela no Botafogo, formando um endiabrado e fulminante ataque com Garrincha,  Quarentinha e Zagallo.
Deu certo. Garrincha e Amarildo se entendiam divinamente. Logo no primeiro jogo, contra a Espanha, o jovem atacante simplesmente fez os dois gols no triunfo duríssimo por 2 a 1, garantindo a classificação à próxima fase.  Entusiasmado, o jornalista Nelson Rodrigues logo o apelidou de “O Possesso”.
GARRINCHA, DEMAIS!
Garrincha na época era o maior jogador do mundo. Nesta Copa, fez gol de cabeça e gol batendo falta, de curva. Na semifinal, diante dos chilenos, o ponta-direita  marcou os dois primeiros gols da goleada por 4 a 2, o centroavante Vavá fez os outros dois, e Amarildo também jogou muito bem.
Cada vez mais empolgado, Nelson Rodrigues escrevia artigos e mais artigos sobre “O Possesso”, prevendo o bicampeonato. E não deu outra: na decisão, em novo jogo contra a Tchecoslováquia, Amarildo abriu o placar para o triunfo por 3 a 1. O Brasil conquistou o bicampeonato e não pairava mais qualquer dúvida sobre a importância de Amarildo. Junto com Garrincha, ele foi um dos mais aplaudidos pelo público na recepção da delegação em Brasília, relatou à época O Estado de S. Paulo.
Amarildo tornou-se um superstar mundial. No ano seguinte à Copa foi contratado pelo Milan, onde jogou até 1967. Ainda na Itália, passou Fiorentina e Roma. Em 1974 encerrou a carreira no Vasco da Gama. Um supercraque.
QUEM SERÁ O NOVO AMARILDO?
Bem, está no hora de Felipão e Parreira escolherem quem fará o papel de Amarildo na próxima terça-feira, enfrentando a sempre poderosa Alemanha, que já é tricampeã e, se bobearmos, pode virar tetracampeã, como a Itália, e ficar colada no Brasil.
São poucas as opções. Eu prefiro Bernard, e escalaria o time assim: Júlio Cesar; Maicon, David Luiz, Henrique e Marcelo; Fernandinho, Hernandes e Oscar: Bernard, Hulk e Jô.
Mas Felipão e Parreira são retranqueiros e só escalariam este timaço no segundo tempo, se estivessem perdendo. E la nave va.
 
 

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