segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Dilma e o Maranhão

 

  Ligia Teixeira

O Maranhão deu à presidente Dilma Rousseff a  maior votação proporcional do país, com  78,76% dos votos válidos. Dilma teve no Estado apoio das duas forças políticas majoritárias. A profunda dependência do bolsa família que atinge mais de dois terços da população, também contou muito para a votação espetacular da presidente.
Entre os meus leitores e nas redes sociais, passei todo o segundo turno ouvindo a tese de que em uma eventual vitória do PT restauraria o poder do grupo Sarney, derrotado no primeiro turno de forma contundente por Flávio Dino. A tese se espalhou, conforme eu havia dito anteriormente, apenas entre  um pequeno grupo dentro da chamada classe média urbana, que ainda  guarda  mágoa com os fatos ocorridos entre 2006 e 2009 quando, apesar da vitória da oposição liderada por Jackson Lago, o governo Lula preferiu governar com Sarney, então presidente do Senado Federal e o político mais influente no Congresso.
Sarney esteve presente em todos os governos, desde que iniciou carreira política no início dos anos 60, esteve inclusive ao lado dos governos do tucano FHC onde o filho, Zequinha, foi ministro de Estado. Mas Sarney sempre compôs com o governo federal usando como estratégia o bom trânsito junto ao Congresso e nas instituições chaves para o exercício do poder. Jackson Lago, apesar de eleito governador do Maranhão, jamais  conseguiu transitar em outras searas da vida pública, ficando isolado no Palácio dos Leões.
Em entrevista ontem(26) após a votação, o governador eleito Flávio Dino, declarou ter votado em Dilma Rousseff. Ex-auxiliar da presidente Dilma na Embratur, Dino é hoje a maior liderança nacional de seu partido, o PCdoB, legenda profundamente ligada ao Partido dos Trabalhadores, com quem Flávio Dino terá trânsito livre e que obviamente, será o parceiro preferencial do governo Dilma no Estado. Só quem não conhece o futuro governador eleito, acharia que ele iria cometer o equívoco de apoiar  a eleição de um governo que poderia se voltar contra ele, como Lula fez com Jackson Lago.
Sendo assim, é tolice daqueles que insistem em achar que a vitória da presidente Dilma Rousseff significará o retorno do grupo Sarney ao poder. É claro que o grupo trabalhará para ter espaço no governo Federal, o próprio Sarney estaria cotado para um ministério, assim como a ainda governadora Roseana Sarney e o deputado federal Gastão Vieira, mas o espaço para um dos três terá que ser costurado no PMDB, e dentro do PMDB, o poder do grupo Sarney hoje é exíguo, por motivos óbvios.
Pesa também contra o grupo Sarney o fato de que o próprio senador do Amapá não terá mais um mandato político, nem ele e nenhum de seus herdeiros mais próximos e, portanto, não poderá usar sua já tradicional capacidade de manobrar o Congresso Nacional como fez em 2006, quando impediu que um processo de impeachment contra Lula  fosse aberto no Senado Federal.
Já disse e repito, Flávio Dino não é Jackson Lago e 2014 não é 2006. As circunstâncias que construíram a derrota do grupo Sarney em 2014 são outras. A oposição que venceu agora, é muito, mas muito diferente mesmo daquela que venceu em 2006.(JP)

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