Ligia Teixeira
O Maranhão deu à presidente Dilma
Rousseff a maior votação proporcional do país, com 78,76% dos votos
válidos. Dilma teve no Estado apoio das duas forças políticas
majoritárias. A profunda dependência do bolsa família que atinge mais de
dois terços da população, também contou muito para a votação
espetacular da presidente.
Entre os meus leitores e nas redes
sociais, passei todo o segundo turno ouvindo a tese de que em uma
eventual vitória do PT restauraria o poder do grupo Sarney, derrotado no
primeiro turno de forma contundente por Flávio Dino. A tese se
espalhou, conforme eu havia dito anteriormente, apenas entre um pequeno
grupo dentro da chamada classe média urbana, que ainda guarda mágoa
com os fatos ocorridos entre 2006 e 2009 quando, apesar da vitória da
oposição liderada por Jackson Lago, o governo Lula preferiu governar com
Sarney, então presidente do Senado Federal e o político mais influente
no Congresso.
Sarney esteve presente em todos os
governos, desde que iniciou carreira política no início dos anos 60,
esteve inclusive ao lado dos governos do tucano FHC onde o filho,
Zequinha, foi ministro de Estado. Mas Sarney sempre compôs com o governo
federal usando como estratégia o bom trânsito junto ao Congresso e nas
instituições chaves para o exercício do poder. Jackson Lago, apesar de
eleito governador do Maranhão, jamais conseguiu transitar em outras
searas da vida pública, ficando isolado no Palácio dos Leões.
Em entrevista ontem(26) após a votação, o
governador eleito Flávio Dino, declarou ter votado em Dilma Rousseff.
Ex-auxiliar da presidente Dilma na Embratur, Dino é hoje a maior
liderança nacional de seu partido, o PCdoB, legenda profundamente ligada
ao Partido dos Trabalhadores, com quem Flávio Dino terá trânsito livre e
que obviamente, será o parceiro preferencial do governo Dilma no
Estado. Só quem não conhece o futuro governador eleito, acharia que ele
iria cometer o equívoco de apoiar a eleição de um governo que poderia
se voltar contra ele, como Lula fez com Jackson Lago.
Sendo assim, é tolice daqueles que
insistem em achar que a vitória da presidente Dilma Rousseff significará
o retorno do grupo Sarney ao poder. É claro que o grupo trabalhará para
ter espaço no governo Federal, o próprio Sarney estaria cotado para um
ministério, assim como a ainda governadora Roseana Sarney e o deputado
federal Gastão Vieira, mas o espaço para um dos três terá que ser
costurado no PMDB, e dentro do PMDB, o poder do grupo Sarney hoje é
exíguo, por motivos óbvios.
Pesa também contra o grupo Sarney o fato
de que o próprio senador do Amapá não terá mais um mandato político, nem
ele e nenhum de seus herdeiros mais próximos e, portanto, não poderá
usar sua já tradicional capacidade de manobrar o Congresso Nacional como
fez em 2006, quando impediu que um processo de impeachment contra Lula
fosse aberto no Senado Federal.
Já disse e repito, Flávio Dino não é
Jackson Lago e 2014 não é 2006. As circunstâncias que construíram a
derrota do grupo Sarney em 2014 são outras. A oposição que venceu agora,
é muito, mas muito diferente mesmo daquela que venceu em 2006.(JP)
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