Governador venceu pesos pesados da política, unidos no segundo turno
O
governador reeleito Luiz Fernando Pezão usou muito os pés, em longas
caminhadas durante a campanha, para derrotar Lindberg, Garotinho e
Crivella
Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
A mais amarga foi sentida pelo
ex-governador Garotinho, superado por Crivella por menos de um ponto
percentual no primeiro turno, quando os principais institutos de
pesquisa davam como certa a sua ida para o segundo turno. Sem mandato a
partir do ano que vem, Garotinho deixará a Câmara dos Deputados e se
dedicará ao programa de rádio que mantém na cidade de Campos.
O insucesso enfraquece o
ex-governador para novas disputas para o Executivo, mas deixa intacto o
poder de seu clã. Sua filha Clarissa, segunda deputada federal mais
votada, se credencia como um dos principais nomes da oposição e forte
candidata a disputar a Prefeitura do Rio daqui a dois anos.
Vídeo: Pezão dedica vitória a Cabral
O senador Lindberg Farias, por sua
vez, não conseguiu fazer sua candidatura decolar. O petista rompeu a
aliança regional de seu partido com o PMDB e criou mal-estar entre
integrantes das duas cúpulas. Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva
ficaram numa saia justa e pouco se engajaram na campanha do
correligionário. O seu consolo é que terá mandato até 2018, e deve
concorrer em outras eleições para o Executivo.
Lindberg não conseguiu decolar candidatura
Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
Sem conseguir alianças em torno de
sua candidatura e com pouco tempo de televisão no primeiro turno,
Crivella chegou pela primeira vez ao segundo turno de uma disputa para o
Executivo. O candidato já perdera dois pleitos para prefeito do Rio e
um para governador, apesar das boas votações para o Senado, em que foi
eleito e reeleito com mais de três milhões de votos. O resultado
expressivo contra Pezão lhe dá respaldo para tentar outras eleições para
o Executivo.
Senador do PRB buscará o ‘terceiro turno’ na Justiça: quer condenar Pezão
Superado por Luiz Fernando Pezão (PMDB) no segundo turno, Marcelo Crivella (PRB) afirmou que acompanhará o julgamento dos processos de cassação de registro a que seu adversário responde no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). Caso o peemedebista obtenha êxito, Crivella tentará um ‘terceiro turno’ no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Em nome de cada eleitor que votou em mim, vou à Justiça, porque há treze pedidos de cassação do Pezão. Acho prematuro ele comemorar a vitória”, disse Crivella, em coletiva após a divulgação do resultado do pleito. Ele afirmou que nove das ações foram propostas pela Procuradoria Regional Eleitoral. Em caso de cassação, Pezão perderia o diploma e assumiria o segundo colocado na disputa, no caso, Crivella.
Garotinho sai enfraquecido
Foto: Márcio Mercante / Agência O Dia
“Nossa luta continua, agora nos
tribunais. Se formos derrotados no TRE, meus advogados recorrerão ao
Tribunal Superior Eleitoral. Lá em Brasília, o julgamento estará livre
de influências regionais”, declarou o senador do PRB.
Crivella afirmou ainda que a conduta do
peemedebista no último debate da TV Globo deveria tê-lo levado à prisão.
“Pezão anunciou que fez um site de maledicências e declarou isso no
debate. Nunca se viu isso. Um réu confesso. Em outra situação, tinha que
sair algemado de lá. É um absurdo”, disse, reconhecendo que os ataques
do PMDB — que reforçaram seus laços com a Igreja Universal do Reino de
Deus e levantaram suspeitas sobre a instituição — surtiram efeito e
frearam seu crescimento. O senador disse ver na reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) um alento. “Estou pesaroso pela derrota, mas a vitória da Dilma compensa a tristeza. Ela garante o avanço do salário mínimo, do pré-sal e do Bolsa Família.”
Crivella: senador ainda não pensa em disputar prefeitura em 2016
Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
O marqueteiro de Crivella, Lula
Vieira, afirmou que se tratou de uma luta de Davi contra Golias em
termos de recursos financeiros. “O Davi quase ganhou do Golias.
Conseguiu passar do primeiro turno. Solidifica-se um político muito
importante no estado do Rio, que é o Crivella. Antes desta eleição, ele
era conhecido de apenas um segmento. O Pezão ganhou, mas o Crivella não
perdeu”, disse.
O dia do candidato do PRB começou
cedo. Ele chegou pontualmente às 9h do domingo para votar no Clube
Marimbás, no Forte de Copacabana. Ao lado da mulher Sylvia Jane e dos
dois filhos, entrou na seção e espalmou as mãos no alto para fazer o
número dez, que simboliza a sua candidatura. Depois, Pezão seguiu de
carro para a comunidade do Jacarezinho.( O Dia-RJ)
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