Alguns desavisados poderão me taxar de
exagerada; outros, de sensacionalista. Mas, na verdade, estou sendo
apenas realista, em cima dos meus experientes 56 anos de vida, os quais
vivi na sua totalidade, na submissão de uma ditadura de ideias, do poder
econômico, do poder social e de mentiras, à margem dos bons empregos,
das boas roupas, dos bons carros e de tudo de bom que a vida nos
oferece, itens excluídos da minha vontade de adolescente e adulta por
não fazer parte, nem eu nem meus amigos, nem minha família da casta
Sarney ou dos seus puxa sacos mais próximos.
Ora, até que tentamos mudar este triste
cenário. Meu pai, lembro como se fosse hoje, gastou suas parcas
economias em detrimento do nosso estoque de alimentos em casa, em um
curso de Técnico Agrícola, na esperança de se inserir no grande projeto
de agricultura irrigada (Salangô), considerado pelos Sarney como a
redenção para o povo da Baixada Maranhense. Deu no que deu: desvio de
dinheiro público, enganação, decepções e a sofrida população envolvida, a
ver navios. Passado o sofrimento, nova esperança: o Maranhão seria sede
de uma grande indústria de autopeças (Usimar) para abastecimento dos
polos fabris do sudeste Brasileiro. Imediatamente, por ser a mais velha
dos três filhos do casal, matriculei-me em um curso de Torneadora
Industrial, para, novamente, tentar melhorar a condição financeira da
família. Parece novela mexicana: dinheiro desviado, mentiras, decepções,
estelionato político e eu, assim como meu pai, vivendo dos sonhos não
concretizados.
Passada a euforia, surgiu uma nova
esperança: minha mãe poderia nos salvar de tantas desilusões. O Polo de
Confecções de Rosário era a realidade daquele outro momento do nosso
sofrido Estado. Minha mãe, como ótima costureira, poderia se inserir no
mercado de trabalho e melhorar os rendimentos da família. O Polo de
Confecções, segundo a família Sarney, exportaria seus produtos para a
China, um grande mercado consumidor, uma realidade inquestionável. Minha
mãe continua até hoje costurando para a vizinhança; o polo afundou na
lama sarneysista, como tudo que foi planejado por esta oligarquia ao
longo meio século no Maranhão. Tudo bem, somos resignados, não é à toa
que insistimos, junto com o sofrido povo maranhense, em deixar a família
real no poder. Temos a esperança de que alguma coisa aconteça. E
aconteceu. O Maranhão vai ser contemplado com três. Não são duas nem
quatro, são três siderúrgicas para aproveitar o minério de ferro de
Carajás. Euforia, temos o ferro, os orientais têm o dinheiro para
investir, os produtos têm mercado certo no Japão e na China, pronto:
faca e queijo na mão.
De imediato, a fim de dar credibilidade
ao projeto, uma faculdade que idolatra a Família Real, e que não é boba
nem nada, implantou o curso de siderurgia para que os jovens maranhenses
pudessem fazer parte do processo. Curso caro, pais se sacrificando
pelos filhos, – “é, mas já sai do curso empregado”, diziam. Meu irmão do
meio, com minha ajuda – sou torneira mecânica, (lembram?) faço bicos em
oficinas por aí – mergulhou de cabeça nessa empreitada e se
formouTecnólogo em Siderurgia, o que foi festejado com todo aquele
foguetório característico daquela instituição nas suas formaturas. As
pseudo Siderúrgicas elegeram governadores, senadores, deputados,
vereadores etc. etc. Coitado do meu irmão do meio. Trabalha hoje em dia
numa respeitada loja de móveis populares. E ele tem família para
sustentar. Para o irmão mais novo sobrou, finalmente, uma esperança: a
Refinaria Premium, segundo Lobão (Ministro de Minas e Energia), no
longínquo ano de 2009, conforme profetizou aos quatro cantos; verbis: “a
Refinaria de Bacabeira estará refinando 600 mil barris de Petróleo em
2014. Não só óleo diesel, como pensado inicialmente, mas também outros
derivados, como gasolina, querosene de aviação, nafta etc. Queremos
trazer para o Maranhão um polo Petroquímico para aproveitarmos o
potencial da Refinaria”. Pensamos: o nosso irmão mais novo ainda
acredita, ainda não foi contaminado com o descrédito da realeza Sarney.
Vamos investir nele. O curso de Petróleo e Gás está na moda e tem futuro
nesse colosso de Refinaria. Vamos bancar os estudos naquela mesma
“faculdade que não é boba nem nada”. Meu pobre irmão trabalha em uma
carroça própria, na Praia Grande (sofisticada, pois é puxada por uma
égua mestiça), ganha honestamente seu pão de cada dia e o único gás que
ele tem contato é o emanado pelo belo traseiro daquele animal
quadrúpede.
Nunca, em nenhuma parte do mundo, nas
piores ditaduras, nos piores imperialismos, herdou-se tanta maldade,
tanta morte vinculada à desesperança, à mentira. Os estelionatos
políticos que se deram nos casos acima narrados foram exitosos para a
Realeza Sarney. Em todos os fatídicos empreendimentos, muitos dos seus
foram eleitos, muitos deles ficaram ricos, muitos de nós morreram por
falta de hospitais, segurança, remédios, alimentos, ambulâncias, água
tratada, rede de esgotos, rua pavimentada, escolas, trabalho digno etc.
Lembram dos dois últimos senadores eleitos com a exploração da Refinaria
de Bacabeira? Ambos tiveram mais votos do que a candidata a governador.
A terraplanagem da metade do terreno onde
se implantaria a Refinaria de Bacabeira consumiu 1, 6 bilhão de reais;
ou seja, daria para comprar 30 Passadenas (ao preço que os holandeses
compraram antes da Petrobras entrar no negócio) ou construir centenas de
UPAS, milhares de escolas, 1,6 milhões de casas populares, 320 mil
celas penitenciárias para colocar estes e mais um bocado de corruptos na
cadeia. Lembro que o serviço de terraplanagem feito lá já se foi, o
mato já tomou conta novamente de toda a área.
Vem agora Edinho, descendente e
representante direto da realeza Sarney, dizer que é o salvador da pátria
e que no leito de morte Deus lhe deu uma missão de salvar o Maranhão da
família Sarney, dos seus encostos, dos seus afilhados de tambor. Ora,
Edinho, Deus não te quer lá. Por isso não foste. O teu guia quer que
fiques para causar mais sofrimento à pobre população desse Estado, como
na estória do Lobo Mau, a tua grande mão não vai se apoderar de nossas
riquezas, tua boca não vai comer as vovozinhas, os netinhos, e os
pobrezinhos não deixaremos: a resignação acabou. Os caçadores, aqui
representados por UM MARANHÃO DE TODOS NÓS, darão a esta triste estória,
neste domingo, um final feliz. Prepare-se para deixar a nossa floresta.
Chore você e os seus: o fim chegou.
Outros empreendimentos lunáticos da Realeza Sarney:
*Base Naval da Marinha Brasileira na Ilha do Meio.
*Estaleiro para construção de Super Navios graneleiros na Ponta da Espera.
*Super Porto em São José de Ribamar
servido por autoestrada da Estiva até o Barbosa (naquela cidade
balneária), serpenteando a baia de São José.
OBS: Faltou criatividade deles para que esta lista fosse maior.
(Goreth da Silva, que só ouve as críticas da Edinho Lobão na Propaganda Partidária)
(Editorial do JP)

Nenhum comentário:
Postar um comentário