Direitos Humanos não descarta a
hipótese de represália de policiais por causa da morte do cabo Antonio
Figueiredo. (Foto: OAB-PA)
Descontrole
emocional e pânico entre a população foram destacados durante coletiva
realizada pela Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará (OAB), no
final da manhã desta quarta-feira (05), referente às execuções que
ocorreram na capital paraense desde a noite de terça-feira (04).
A coletiva contou com a presença de Ana
Cláudia Lins, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos
(SDDH), que destacou esse descontrole devido as informações que circulam
nas redes sociais sobre a violência na cidade.
Segundo Ana Cláudia, não está descartada a
hipótese de represália de policiais por causa da morte do cabo Antonio
Figueiredo, da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam), no bairo do
Guamá, na noite de ontem.
Das 10 mortes confirmadas pelo Instituto
Médico Legal (IML) de Belém, três não teriam envolvimento com a
criminalidade ou demais práticas ilícitas, segundo Francisco Batista,
representante dos Direitos Humanos da OAB.
Dentre essas pessoas, uma seria deficiente
mental, outra um deficiente físico e a última uma cobradora de van. As
mortes, por sua vez, teriam características semelhantes: pessoas que
transitavam nas ruas pela madrugada e foram executadas com tiros na
cabeça ou peito, sem haver pistas dos autores dos crimes.
Também participou da coletiva o sargento
Rossicley Silva, da Polícia Militar, e presidente da associação de
militares, que sustentou que a série de mortes teria ocorrido por
confronto entre facções rivais dos bairros da Terra Firme e do Guamá.
A posição do militar, no entanto, foi
refutada por membros dos órgãos de Direitos Humanos devido às
características dos homicídios - mais próximas de uma execução ao invés
de brigas e conflitos. Porém, Rossicley argumentou que seis pessoas
foram mortas por um mesmo grupo, de uma única facção, sem a participação
de policiais.

Publicado no Facebook, o texto de Rossicley
foi lembrado durante a coletiva na OAB. A postagem foi removida horas
depois. (Foto: Reprodução/Facebook)
Segundo Eliana Fonseca, ouvidora do Sistema
de Segurança Pública do Estado, às 15h ocorrerá uma reunião na
Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará (Segup) para discutir
quais providências serão tomadas sobre o estado de insegurança na
capital paraense desde ontem.
Dentre as providências já tomadas, foi
enviado ofício para a Segup e representação federal da OAB solicitando
apoio e colaboração em futuras ações.Também não está descartada a ajuda
da Força Nacional de Segurança. A Anistia Internacional, associação
mundial que trabalha nos Direitos Humanos, já foi informada sobre as
mortes em Belém.
(DOL)
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