terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Brasil cobra impostos ridículos aos ricos, diz Piketty

Economista Thomas Piketty diz que está tudo errado no Brasil
Vitor Sorano
iG São Paulo
Chegar ao topo apenas com trabalho está ficando mais difícil, aponta o economista Thomas Piketty. Ele diz que ser rico no Brasil significa pagar imposto baixo e ficar com uma fatia cada vez maior do bolo. Ainda assim, muitos dos que estão lá em cima – onde está mais difícil chegar unicamente pelo trabalho – fingem que o fato de ganharem cada vez mais que os outros é algo natural.
“A maior alíquota de Imposto de Renda aplicável a rendas mais elevadas no Brasil é bastante baixa pelos padrões internacionais. O imposto sobre herança é ridiculamente baixo, 4%, algo muito próximo de 0%”, diz Piketty, autor do best-seller “O Capital no Século XXI”, um compêndio de 672 páginas produzido após mais de 15 anos de pesquisas sobre a distribuição de renda e patrimônio no mundo.
O livro aponta que a desigualdade, após cair ao longo do século 20, voltou a crescer nas últimas décadas: o 1% mais rico da população está ficando com uma fatia cada vez maior da renda e do patrimônio disponíveis, reduzindo a fatia disponível para a classe média e para os pobres.
TAMBÉM NO BRASIL
Para Piketty, o mesmo possivelmente está acontecendo no Brasil, apesar do discurso em contrário do governo – o 1%, estima, fica com quase 60% da renda, e não com menos de 50% como indicam os levantamentos oficiais.
O País ficou de fora da obra em razão da falta de transparência dos dados sobre o pagamento de Imposto de Renda, mas o economista espera disponibilizar análises sobre o cenário nacional “nos próximos meses”.
E a fórmula para evitar o crescimento desse fosso – e permitir que o trabalho, e não um pai rico ou um salário injustificado, seja o caminho mais natural para o topo – é taxar mais os ricos e altas heranças, aliviando o imposto sobre o consumo. Afinal, a desigualdade é socialmente construída – e não um fenômeno da natureza.
“Claro que algumas pessoas no topo sempre estão tentando fingir que a desigualdade é o que de fato deveria ser”, diz o economista. “Eu consigo entender a posição delas, mas eu acho que algumas vezes é um exagero.”
 
 

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