
Carlos Chagas
Al Capone vendia proteção
aos comerciantes de Chicago. Se não pagassem, mandava seus capangas
incendiar e até jogar bombas nos estabelecimentos.
Exceção das explosões, qual
a diferença entre a ação do rei dos bandidos americanos e a ameaça
feita pela presidente Dilma aos líderes dos partidos da base oficial, na
noite de segunda-feira? Ela comunicou que só liberaria 444,7 milhões
para as emendas individuais ao orçamento, de deputados e senadores, caso
eles aprovassem o projeto alterando as metas fiscais para o ano em
curso. Condicionou a entrega de recursos para obras nos municípios à
votação do projeto alterando a Lei de Diretrizes Orçamentárias,
permitindo ao governo descumprir a meta fiscal deste ano e transformar
deficit em superavit.
O nome dessa operação é
chantagem. Importa menos se parte das emendas individuais cheira mal,
tendo em vista ligações espúrias entre seus autores e empreiteiros de
obras superfaturadas. De qualquer forma, serão escolas, postos de saúde,
pontes, estradas vicinais e uma infinidade de outras iniciativas
destinadas a beneficiar municípios e regiões do interior.
A gente pergunta como
tamanha barganha pode acontecer senão à luz do dia, pelo menos já de
noite, sob os holofotes da sala de reuniões da presidente Dilma com seus
líderes. Pior é que os fotógrafos registraram todo mundo rindo, como
numa festa de Natal antecipada. Houve um adendo, quando a anfitriã
acrescentou que seria aprovar o projeto de mudança na LDO ou o governo
cortar verbas para obras em estados e municípios.
Como tamanha indecência
pode acontecer? Primeiro por não ser novidade, muito menos prerrogativa
da administração do PT. Ainda que sem a desfaçatez de um ato público,
faz tempo que essas coisas se repetem, calcadas na Oração de São
Francisco: é dando que se recebe. Do Brasil Colônia à Monarquia e à
República, das ditaduras à democracia, a regra tem sido a mesma.
DE HERODES AOS TEMPOS ATUAIS
Herodes cuidou das
criancinhas, chacinando milhares. Agora chegou a vez dos velhinhos. O
governo anuncia que por conta do aumento da idade média dos brasileiros,
será reduzido em 0.65% o cálculo das aposentadorias. Quer dizer, os
velhinhos receberão menos porque viverão mais.
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