
Meirelles conduzia a economia e Lula aceitava…
O mundo gira e hoje poucos lembram que, na primeira eleição de Lula, houve um enorme desespero diante da chamada “reação do mercado”. Surgiu, então, a “Carta aos Brasileiros”, escrita por José Dirceu e um grupo de colaboradores com objetivo de acalmar banqueiros, empresários e investidores nacionais e estrangeiros.
Mas o que realmente acalmou o mercado foi a nomeação do médico sanitarista e ex-prefeito Antonio Palocci para o Ministério da Fazenda e do deputado eleito Henrique Meirelles (PSDB-GO) para presidir o Banco Central.
Durante a “fase de transição”, Palocci teve oportunidade de mostrar sua maneabilidade (digamos assim) aos grandes capitalistas. Sua vocação de “consultor de empresas” já se fazia presente e ele foi consagrado como “confiável”, digamos assim.
Quanto a Meirelles, seu nome surgiu por indicação de Aloizio Mercadante, que havia trabalhado com ele no BankBoston. Para a Secretaria do Tesouro, Meirelles então indicou o tucano Joaquim Levy, que na segunda gestão de FHC, era economista-chefe do Ministério do Planejamento.
Prazerosamente, Palocci se colocou inteiramente “à disposição” do mercado. Portanto, para o PT, na equipe econômica sobrou apenas o Ministério do Planejamento, que não fede nem cheira, pois nada decide de importância, e o obediente Guido Mantega ficou estacionado lá.
Lula não tinha alternativa e concordou, assumindo um governo que era uma espécie de Hidra de apenas duas cabeças — uma administrativa (do PT) e a outra financeira (do PSDB). O mercado então sossegou, o dólar começou a cair e o governo foi em frente.
A HIDRA DEU CERTO
Esta estranha composição PT/PSDB deu absolutamente certo. Lula sabia transmitir esperança e otimismo a todos, o panorama internacional estava favorável, o preço das commodities subiu, puxado pelo efeito China, e o PIB foi crescendo, inflando a arrecadação federal. O Brasil parecia estar “no melhor dos mundos”, como dizia o professor Pangloss a seu discípulo Cândido, na genial criação de Voltaire.
Quando Lula entregou o governo em 2010, o PIB havia subido espantosos 7,5% naquele ano. Mas a sucessora Dilma Rousseff era uma espécie de Lula pelo avesso. Não tinha carisma, não sabia transmitir esperança ou otimismo e possuía um gravíssimo defeito — julgava entender de economia, por ter conseguido se formar na UFRS em 1977.
Dilma tinha tanta ânsia de demonstrar conhecimento em Economia que sua biografia oficial, no site da Casa Civil, informava erroneamente que ela era “mestre em Teoria Econômica pela Unicamp” e também “doutoranda em Economia Monetária e Financeira” pela mesma universidade. E no site da Plataforma Lattes, que abriga currículos, Dilma estava identificada como “mestra“, com título obtido em 1979, e “doutoranda em Ciências Sociais Aplicadas” desde 1998. Mas era tudo mentira.
A FARSA DE DILMA
Quando a farsa foi descoberta, Dilma deu a seguinte declaração: “Fiz o curso de mestrado, mas não o concluí e não fiz dissertação. Foi por isso que voltei à universidade para fazer o doutorado. E aí eu virei ministra e não concluí o doutorado“.
Foi patético, porque imediatamente a Universidade de Campinas informou que ela nunca se matriculou no mestrado. E o pior é que ninguém pode fazer doutorado sem antes fazer mestrado.
Quando Dilma assumiu, o obediente Mantega já estava na Fazenda desde março de 2006, quando Palocci foi derrubado pelo caseiro Francenildo. Dilma teve de mantê-lo, por ordem de Lula, mas conseguiu demitir Meirelles. Foi seu maior erro, porque era justamente Meirelles quem orientava Mantega. Dilma, porém, se julgava candidata ao Oscar e decidiu ela própria conduzir a economia, ou seja, conduzir Mantega, que simplesmente a obedecia sem jamais discordar.
UM FRACASSO ABSOLUTO
O resultado aí está. De 7,5% caímos para PIB zero, o país está devagar, quase parando, com uma presidente sem a menor credibilidade, que mostrou inacreditável despreparo nos debates da TV. Ora, se ela não consegue raciocinar direto nem concluir frases, como pode pretender conduzir a economia de um país complexo como o Brasil?
A solução de momento foi ouvir Lula e aceitar novamente a Hidra de duas cabeças — uma administrativa (PT) e a outra, financeira (PSDB). É o famoso jeitinho brasileiro, em versão política. Se vai funcionar novamente, só depende de Dilma Rousseff. Basta que ela não atrapalhe. Mas já está atrapalhando, com a alta dos juros, que elevam a dívida, e com novo repasse de R$ 30 bilhões ao BNDES, mediante emissão de títulos.
Dilma deveria ficar à vontade lá no Alvorada, brincando com o neto e se dedicando a coisas que realmente saiba fazer.
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