terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Forum de Davos: quando os ricos vão às compras…


Pettersen Filho


Unanimidade mundial, em termos de evento fashion, de exibicionismo e ostentação, a pequena cidade suíça de Davos, recebe uma vez por ano os líderes dos países mais proeminentes do planeta, num misto de paisagem paradisíaca dos Alpes e estação de esqui, e também os milionários, com suas grifes famosas e Mercedes Benz luxuosos, dirigentes dos maiores oligopólios, cerca de poucos, e contados, 80 multimilionários, refletindo a “modernidade” da distribuição de riqueza no globo terrestre, eles, sozinhos, capazes de acumularem, o que o resto do mundo, cerca de 7 bilhões de pessoas, juntas, não conseguem, com a mesma galhardia, acumular.
Esse ano, sem poder contar com a inconveniente (para ela) presença da president’a do Brasil, a senhora Dilma Roussef, ocupada em ver seu eventual prestígio e legitimidade despencarem profundezas do Pré-Sal abaixo, em meio aos escândalos que envolvem seu governo com a Petrobras e a compra do apoio à sua base parlamentar, ao contrário das versões anteriores, em que o Brasil, em meio ao boom financeiro mundial foi presença obrigatória, aos tempos do então “promissor”presidente Lula, com o “marketing” caricato do “homem comum”, operário, que se sagrou presidente da República, tão interessante ao Fórum, apto à demonstrar a pouco representativa mobilidade de classe na perversa dominância econômica do planeta, quando o próprio Cristo Redentor, quando interessante, foi visto na capa da revista britânica “The Economist”, como um “foguete”, prestes à entrar em órbita, mas, depois, em tempos de míngua econômica, foi visto, na capa da mesma revista, em órbita descendente, rumo à colisão com o solo, o Fórum Econômico de Davos, contudo, não perdeu ainda, como evento, o seu glamour, sendo o ambiente perfeito, como agora, para que a União Europeia, em desvantajosa escaramuça com a Rússia, anuncie a injeção de 60 bilhões de euros mensais na sua combalida economia.
HIPOCRISIA
Ambiente perfeito, e hipócrita, para que os pseudointelectuais do planeta dignem-se a discutir, questões, para eles, “elite mundial”, assuntos tão intangíveis, como o atentado terrorista na França ou a questão étnica na Ucrânia, sem que possuam bagagem moral alguma para fazê-lo, sendo, na maior parte, eles próprios, protagonistas do encontro, os grandes promotores econômicos das injustiças sociais no planeta, Davos cumpre sua “missão” circense, uma vez por ano.
Enquanto isso, a nossa presidente Dilma Roussef, ao invés de prestigiar uma maison parisiense, a Casa Dior ou Calvin Klein, em Davos, optou por comparecer à posse do presidente índio Evo Morales, em seu terceiro mandato na obscura Bolívia, que ostenta índices de crescimento de cerca de 5% ao ano, em contrassenso com a “recessão” assumida, num acidente linguístico, emenda ele, em que supostamente queria dizer “contração” ao invés de recessão, em Davos, corrige o ministro Joaquim Levy, num soneto pior do que a rima, graças à encampação bolivariana da usina da Petrobras no país e ao aumento do gás fornecido ao Brasil, porquanto busca um acesso marítimo ao Oceano Pacifico, nem que seja através de guerra com o Chile…
… mas isso, certamente, será tema de outro debate entre os ricos, regado a champagne francesa e caviar russo (?), em tempos de boicote, em Davos, ano que vem… Será?
(artigo enviado por Sergio Caldieri)
 
 

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