Na sexta-feira passada, foi divulgado um vídeo com imagens do detento Anderson Barbosa Lima sendo morto (Foto: Divulgação)
Três mortes nas casas
penais do Estado em nove dias, entre sábado, 14 de fevereiro, e ontem,
reacenderam a discussão sobre as condições do sistema penal paraense que
há muito vem sendo alvo de denúncias das entidades de defesa dos
direitos humanos. O caso mais recente foi registrado ontem.
A Superintendência do Sistema
Penitenciário do Estado (Susipe) confirmou a morte do interno Leonardo
Melo, 20 anos, no final da tarde, na Central de Triagem de São Brás
(CTSB), em Belém. Segundo a Susipe, por volta das 18h, durante a entrega
do jantar, um agente penitenciário verificou que na cela “triagem”
havia um interno morto.
O detento Rangel Ferreira da Silva
assumiu que matou Leonardo depois de um desentendimento entre os dois. O
acusado prestou depoimento na seccional de São Brás e será indiciado
por homicídio. Um inquérito policial vai apurar as reais causas da
morte, já que não havia perfurações no corpo da vítima. Leonardo estava
detido sob acusação de roubo qualificado.
OUTROS CASOS
OUTROS CASOS
Na madrugada de domingo. Azael Gambeira
Rodrigues, 38 anos, foi encontrado morto na Seccional da Cidade Nova em
Ananindeua, região metropolitana de Belém. Estava pendurado em uma
corda, enforcado e apresentava ferimento na cabeça. A polícia ainda
investiga as circunstâncias da morte
No dia 14 de fevereiro o detento
Anderson Barbosa Lima também teve ferimentos na cabeça e, em seguida,
foi enforcado. O autor do crime foi Josias Roberto dos Santos Cordeiro,
de 19 anos.
No dia 19 de fevereiro veio a público um
vídeo com imagens de Anderson sendo assassinado nas dependências do
Centro de Recuperação Penitenciário do Pará III, considerado presídio de
segurança máxima.
“O Estado precisa ter controle do que
ocorre dentro desses espaços. Essas pessoas estão sob sua
responsabilidade”, diz a presidente da Comissão de Direitos Humanos da
Ordem dos Advogados do Brasil, secção Pará, Luanna Tomaz. Para ela, as
dificuldades encontradas pelo Estado para manter esse controle são
resultado da superlotação das casas penais e da falta de infraestrutura.
A advogada diz que todas as denúncias e casos de morte em presídios são
acompanhadas pela OAB. Ela confirma que a entidade tem recebido
denúncias de violência promovida pelos próprios presos e de tortura
cometida, pelos agentes prisionais, contra os detentos. Em geral, as
denúncias são feitas por parentes dos presidiários.
RELATÓRIO
RELATÓRIO
No ano passado, a OAB/PA fez visitas a
18 unidades prisionais do Estado. O material foi reunido em um documento
de quase 100 páginas onde o Estado é alertado para as péssimas
condições das casas penais. “Neste relatório, a OAB revela um
diagnóstico do Sistema Carcerário do Pará, com destaque para a
superlotação dos presídios, custos sociais e econômicos das unidades
prisionais, a permanência de encarcerados que já cumpriram pena, a
violência nas unidades prisionais, a corrupção e a eventual existência
de ramificações do crime organizado nas unidades prisionais, em
desacordo com a Lei de Execução Penal, com a Constituição Federal, com
princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da
individualização da pena, da proibição da Tortura e da pena cruel e
degradante.”, informou à época, o tesoureira entidade Eduardo Imbiriba.
PROVIDÊNCIAS
PROVIDÊNCIAS
Ontem, por meio de nota, a Susipe
informou que está em contato com as famílias de Azael, Anderson e
Leonardo para prestar “total apoio psicossocial e tomar as providências
com o auxílio-funeral”.
A Susipe informa ainda que os internos
que filmaram a execução de Barbosa foram identificados e vão cumprir
medida disciplinar pelo uso do aparelho dentro da cela.
A Susipe informa ainda que realiza
diariamente revistas estruturais em todas as 41 unidades prisionais do
Estado, além de revistas periódicas de rotina com apoio da Polícia
Militar, com intervalos não regulares, e em casos que decorram de
situações identificadas por meio do serviço de inteligência.
A Corregedoria da Susipe abriu
sindicância investigativa para apurar a entrada do celular no presídio e
se houve ou não conivência de servidores.
(Diário do Pará)
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