Muitos jovens acabam tendo a vida abreviada ao se envolverem com ações criminosas (Foto: Wagner Almeida)
Ele
tem apenas 18 anos de idade, recém-completados, mas já possui uma
considerável experiência de vida, em especial sobre o crime. O jovem
entrevistado pelo DIÁRIO POLÍCIA, que pediu anonimato, vai contar
brevemente sua trajetória de conflito com a lei durante a adolescência
que irá representar outros adolescentes que estão inseridos nesse
contexto, com a diferença de ter saído com vida, antes que a morte o
encontrasse. Pois, independente das causas e medidas que precisam ser
adotadas para conter esse problema, muitos jovens têm a vida abreviada
em consequência do envolvimento com a criminalidade.
Ele conta que o contato com a
criminalidade se deu através do irmão mais velho, que envolvido em
assaltos, chegava em casa constantemente com dinheiro. Com apenas 13
anos de idade pediu para participar em um dos assaltos e ouviu do irmão
não apenas um “sim”, mas palavras de incentivo. “Eu via ele sempre com
dinheiro, usando tênis de marca e outras coisas que nossos pais não
tinham condição de comprar. Quando eu pedi para assaltar com ele, a
resposta foi ‘te prepara pra gente meter o bicho amanhã’”, disse ele.
Com o aval do irmão mais velho, a função
inicial do então adolescente era receptar os objetos das vítimas
durante o assalto. Em pouco tempo, passou a cometer assaltos e, assim
como o “padrinho” no crime, conseguiu roupas e tênis de marca,
participava de festas que conseguia entrar através de uma identidade
falsa, onde esbanjava gastos elevados em bebida alcoólica com amigos.
No entanto, o jovem também lembra dos
momentos em que teve a vida por um fio, além das apreensões que o
levaram para uma unidade de atendimento ao adolescente, onde passou os
piores momentos neste período de conflito com a lei, que o fizeram a
repensar sobre o estilo de vida que levava.
“Teve uma vez que tinha acabado de meter
o bicho (assaltar) um casal e na hora passou ‘os cana’ (polícia) na
viatura. Eles perseguiam e atiravam em mim. Só escapei porque entrei
nuns becos que não dava pra entrar carro. Mas, a pior coisa foi quando
fui interno em Benevides. A gente ficava solto por lá sem fazer nada e
só pensava em coisa ruim, mas às vezes me passava um filme na cabeça de
não querer mais aquela vida”, conta o jovem.
FAMÍLIA PRESENTE
FAMÍLIA PRESENTE
A decisão de abandonar o envolvimento
com o crime não veio com o internato na Unidade de Atendimento
Socioeducativo (Uase), em Benevides. O grande estímulo veio da família e
por ter se convertido a uma igreja evangélica. “Tive sorte porque eu
sabia que muitos morriam por causa do crime. Mas, minha família por ser
evangélica sempre me aconselhava e me fizeram conhecer a Palavra e
consegui sair da vida criminosa, antes que algo ruim me acontecesse”,
comemora o jovem.
Diferente do personagem acima, muitos
adolescentes se envolvem cada vez mais em conflito com a lei e não tem a
mesma sorte de saírem com vida dessa situação. Enquanto as medidas
socioeducativas eficazes não forem adotadas, muitos adolescentes serão
mortos prematuramente, pois o crime não leva em consideração nenhum
fator social.
“O número de adolescentes em conflito
com a lei é um fenômeno social, por isso que muitos têm morrido. Pois
essa situação muitas vezes é um caminho sem volta”, conclui o delegado
da Data, Fabiano Amazonas.
(Diário do Pará)
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