segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Irmão mais velho leva garoto para mundo do crime

Irmão mais velho leva garoto para mundo do crime (Foto: Wagner Almeida)
Muitos jovens acabam tendo a vida abreviada ao se envolverem com ações criminosas (Foto: Wagner Almeida)
Ele tem apenas 18 anos de idade, recém-completados, mas já possui uma considerável experiência de vida, em especial sobre o crime. O jovem entrevistado pelo DIÁRIO POLÍCIA, que pediu anonimato, vai contar brevemente sua trajetória de conflito com a lei durante a adolescência que irá representar outros adolescentes que estão inseridos nesse contexto, com a diferença de ter saído com vida, antes que a morte o encontrasse. Pois, independente das causas e medidas que precisam ser adotadas para conter esse problema, muitos jovens têm a vida abreviada em consequência do envolvimento com a criminalidade.
Ele conta que o contato com a criminalidade se deu através do irmão mais velho, que envolvido em assaltos, chegava em casa constantemente com dinheiro. Com apenas 13 anos de idade pediu para participar em um dos assaltos e ouviu do irmão não apenas um “sim”, mas palavras de incentivo. “Eu via ele sempre com dinheiro, usando tênis de marca e outras coisas que nossos pais não tinham condição de comprar. Quando eu pedi para assaltar com ele, a resposta foi ‘te prepara pra gente meter o bicho amanhã’”, disse ele.
Com o aval do irmão mais velho, a função inicial do então adolescente era receptar os objetos das vítimas durante o assalto. Em pouco tempo, passou a cometer assaltos e, assim como o “padrinho” no crime, conseguiu roupas e tênis de marca, participava de festas que conseguia entrar através de uma identidade falsa, onde esbanjava gastos elevados em bebida alcoólica com amigos.
No entanto, o jovem também lembra dos momentos em que teve a vida por um fio, além das apreensões que o levaram para uma unidade de atendimento ao adolescente, onde passou os piores momentos neste período de conflito com a lei, que o fizeram a repensar sobre o estilo de vida que levava. 
“Teve uma vez que tinha acabado de meter o bicho (assaltar) um casal e na hora passou ‘os cana’ (polícia) na viatura. Eles perseguiam e atiravam em mim. Só escapei porque entrei nuns becos que não dava pra entrar carro. Mas, a pior coisa foi quando fui interno em Benevides. A gente ficava solto por lá sem fazer nada e só pensava em coisa ruim, mas às vezes me passava um filme na cabeça de não querer mais aquela vida”, conta o jovem.

FAMÍLIA PRESENTE
A decisão de abandonar o envolvimento com o crime não veio com o internato na Unidade de Atendimento Socioeducativo (Uase), em Benevides. O grande estímulo veio da família e por ter se convertido a uma igreja evangélica. “Tive sorte porque eu sabia que muitos morriam por causa do crime. Mas, minha família por ser evangélica sempre me aconselhava e me fizeram conhecer a Palavra e consegui sair da vida criminosa, antes que algo ruim me acontecesse”, comemora o jovem.
Diferente do personagem acima, muitos adolescentes se envolvem cada vez mais em conflito com a lei e não tem a mesma sorte de saírem com vida dessa situação. Enquanto as medidas socioeducativas eficazes não forem adotadas, muitos adolescentes serão mortos prematuramente, pois o crime não leva em consideração nenhum fator social. 
“O número de adolescentes em conflito com a lei é um fenômeno social, por isso que muitos têm morrido. Pois essa situação muitas vezes é um caminho sem volta”, conclui o delegado da Data, Fabiano Amazonas.
(Diário do Pará)



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