Em pouco mais de duas semanas, Planejamento autoriza seleções para 2,3 mil vagas, com salário mensal de até R$ 17,3 mil
Rodolfo Costa
Após um início de ano
escasso de editais para o Executivo Federal, o Ministério do
Planejamento decidiu reagir. Desde a segunda metade de junho, foram
autorizadas 2.344 vagas - 250,9% a mais do que o número de permissões de
janeiro até 15 de junho -, com salários de até R$ 17,3 mil.
O momento é oportuno até mesmo para
quem ainda não iniciou os estudos. Das 2,3 mil autorizações, 1.236 vão
contemplar cargos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e nas
agências nacional de Aviação Civil (Anac), de Saúde Suplementar (ANS), e
do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Apesar da confirmação
dos concursos, os editais têm até seis meses para serem publicados,
prazo que se encerra no fim de dezembro.
A grande oferta de vagas mostra que o
governo federal tem pressa em repor setores considerados prioritários,
como as áreas de atendimento à população e de infraestrutura. O
Planejamento havia comunicado que o reforço do quadro de pessoal nas
agências reguladoras vai melhorar os processos de fiscalização,
regulação e autorização para novos empreendimentos visando a segunda
etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL).
A recomposição do quadro de pessoal do
INSS procura atender o aumento da demanda, em decorrência das novas
atribuições relacionadas às mudanças na legislação sobre aposentadoria
especial para deficientes físicos, e evitar mais desgastes com a
sociedade, que vem reclamando do péssimo atendimento. Nas agências da
Previdência, as principais queixas dos contribuintes estão relacionadas à
demora para terem os problemas solucionados, mesmo com os 37,4 mil
servidores que atuam no órgão.
Ajuste fiscal
No último concurso realizado para o
INSS, em 2014, todas as 300 vagas para analistas do seguro social foram
ocupadas. O novo certame oferece 150 oportunidades para o cargo. Em
nota, o órgão informa que a “identificação das necessidades de concursos
não está, necessariamente, vinculada ao total de vagas criadas para
cada cargo, considerando o acompanhamento e a evolução nos processos de
trabalho e demandas”.
O Planejamento não comunicou quais são
os próximos órgãos que terão atendidas as solicitações para realização
de certames, ressaltando que não antecipa autorizações de concursos ou
de nomeações. “As vagas são dadas ao longo do ano, após o estudo de cada
caso. São resultados de análises criteriosas das demandas, com vistas a
atender as prioridades do governo, respeitando as condições
orçamentárias”, destaca. Além de infraestrutura e áreas de atendimento, o
governo pretende atender setores de atuação estratégica para o Estado,
como segurança pública, saúde, educação, formulação de políticas
públicas e gestão governamental.
Pela necessidade de reequilibrar as
contas, especialistas acreditam que o governo federal poderá autorizar
vagas para a Receita Federal — o que também contribuiria para o
atendimento à população. Dos 20.420 cargos de auditor fiscal autorizados
por lei, apenas 52% estão ocupados. “Sem uma máquina arrecadatória
completa e motivada, será impossível conseguir obter os recursos de que o
país necessita”, avalia a diretora executiva da Associação Nacional de
Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Maria Thereza Sombra.
Quem procura a sonhada estabilidade e
um ótimo salário deve aproveitar o atual momento e mergulhar nos
estudos. Somente em âmbitos federal e distrital, há 4.189 vagas
distribuídas entre 66 concursos públicos para contratações celetistas e
estatutárias em cargos para todos os níveis de escolaridade, com
salários de até R$ 15 mil.
Graduados em nível médio e superior
poderão concorrer a boas oportunidades no Executivo Federal. O
Ministério do Planejamento está com 664 oportunidades — sendo 22 para a
Escola Nacional de Administração Pública (Enap), instituição vinculada à
pasta. Os postos estão distribuídos em três editais: um do Centro de
Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe/Cebraspe); um da Escola de
Administração Fazendária (Esaf); outro da Fundação Professor Carlos
Augusto Bittencourt (Funcab).
Como os concursos para o Planejamento
são organizados por bancas examinadoras diferentes, especialistas
recomendam que os interessados leiam bem os editais e identifiquem os
cargos com o perfil adequado. O certame celebrado pela Esaf oferece 80
chances para analista de planejamento e orçamento, que exige diploma de
nível superior em qualquer área. A seleção organizada pela Funcab conta
com 28 cargos para graduados em direito, administração, ciências
contábeis ou economia, e arquivologia. As oportunidades restantes estão
presentes no edital do Cespe/Cebraspe, sendo que 106 são para formados
em qualquer curso superior.
Os ministérios da Justiça e da
Educação oferecem 360 chances para diplomados em curso superior, com
salários de até R$ 8,3 mil. Os aprovados no concurso para a Educação
atuarão sob contrato temporário com prazo de um ano, podendo ser
prorrogado por até cinco anos.
A Liquigás, subsidiária da Petrobras,
oferece o maior número de oportunidades para candidatos com nível
fundamental incompleto e completo, e médio completo. Do total de 4.625
vagas — entre imediatas e para formação de cadastro de reserva —, 4.195
são para ajudante de carga e descarga, oficial de produção, ajudante de
motorista, assistente administrativo e técnicos.
Concurso
Como o concurso da Liquigás abrange 21
estados, além do Distrito Federal, o número de postos está bem
dividido. O que não deve ser observado como um problema, avalia o
coordenador da VestconOnline, Alexandre Amorim. (RC)
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