Em Porto Franco, esgoto a céu aberto faz parte da rotina dos agentes.
Das 337 delegacias no estado, apenas 37 foram reformadas, diz Sinpol.
Delegacia de Porto Franco sofre com abandono (Foto: Divulgação / Polícia Civil)Em Porto Franco, a 700 km de São Luís, os policiais convivem com a falta de infraestrutura e segurança para trabalhar. Na delegacia falta espaço para os equipamentos e processos, mas sobra precariedade da estrutura do prédio.
Presos e agentes convivem com o mau cheiro que emerge do esgoto a céu aberto, assim como da fossa usada pelos internos. As instalações elétricas comprometem o funcionamento da delegacia, nas paredes é possível ver rachaduras, há infiltrações, entulhos espalhados pelos cômodos e os veículos estão sucateados.
Agentes convivem com sujeira e falta de estrutura(Foto: Divulgação / Polícia Civil)
“Todas as autoridades do Maranhão já passaram por aqui e sabem que não existem condições humanas de prestar um serviço decente, tanto que a delegacia foi interditada várias vezes. Quem trabalha na delegacia se submete a condições totalmente insalubres”, afirmou um investigador.
Superlotação e insegurança
A delegacia possui cerca elétrica, mas o muro é baixo e não há monitoramento eletrônico o que facilita as investidas. O prédio, que atende outras cinco cidades, sofre com a superlotação das celas criadas para comportar 15 pessoas, mas que atualmente abrigam 70 presos.
Além da superlotação, outro agravante é o número de policiais na delegacia: sete agentes se revezam nas escalas de serviço, sendo um monitor e um investigador por dia.
“Atualmente existem cerca de 70 presos na delegacia. O serviço de carceragem não faz parte da função da Polícia Civil, pois isso é competência da Sejap. Isso faz com que os investigadores abandonem seus serviços para fazer aquilo que é da alçada de outros servidores” desabafa outro agente que trabalha no local.
De acordo com o sindicato, outros problemas também podem ser observados nos prédios onde outras delegacias estão instaladas. Entre eles, a falta de espaço para os equipamento e processos, além da infiltração em paredes e entulho espalhados pelos cômodos.
Prédio já foi interditado várias vezes, segundo informou o Sinpol (Foto: Divulgação / Polícia Civil)Os policiais civis decidiram pela continuidade do movimento grevista no Maranhão, em assembleia geral da categoria realizada na tarde desta quarta-feira (5), no Plantão Central do Bom Menino, em São Luís. A paralisação foi iniciada na segunda-feira (3).
De acordo com o sindicato, 2.166 policiais entre comissários, investigadores, escrivães, auxiliares de pericia médico legal, motoristas e operadores de rádios estão paralisados em todo o Estado. Apenas 30% do efetivo está nas delegacias, como determina o artigo 9º, da Lei 7.783/89.
A categoria reivindica melhores condições de trabalho, ampliação do efetivo de oficiais da corporação e reestruturação do subsídio com base nas tabelas apresentadas pelo governo do Estado.
Ilegalidade
A decisão foi tomada após o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-MA) ter determinado a suspensão da paralisação no Estado na terça-feira (4). Na sentença, o desembargador Kleber Carvalho ordena que o órgão sindical deixe de "promover, divulgar ou incentivar qualquer medida que impeça ou embarace a regular e contínua prestação do serviço público inerente à atividade policial desempenhada pelos policiais civis do Estado do Maranhão".
Foi fixada multa de R$ 20 mil por dia de descumprimento da determinação judicial, além de desconto salarial dos dias não trabalhados pelos servidores que continuarem em greve. O sindicato tem 15 dias para apresentar contestação.
Paralisação
A greve por tempo indeterminado foi aprovada em assembleia geral do Sinpol, no dia 24 de julho. Com a paralisação, apenas crimes contra a vida, costumes e patrimônio estão sendo registrados nas delegacias do Estado.
Boletins de ocorrências de furtos, extravios de objetos, denúncias de violência, consultas de veículos e desaparecimentos de pessoas podem ser registrados por meio da Delegacia Online, que funciona 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. O tempo médio para liberação das ocorrências é de 40 minutos.
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