O risco de um governante que retorna ao cargo por mais de 2 vezes é ser atingido por um extremo desgaste e comprometer a imagem que o fez confiável para os eleitores que o reconduziram. Quase todos têm muito pouco a oferecer, exceto a própria imagem de bom governante que construiu durante os mandatos anteriores. Ainda mais quando repete os mesmos auxiliares ou negocia cargos em troca de apoio.
Não por acaso, o prefeito Firmino Filho (PSDB), que exerce o mandato de prefeito de Teresina pela terceira vez, chega ao último ano do mandato conquistado há quase 4 anos, com sua imagem trincada. E justamente no ano em que ele vai para mais uma reeleição. O que está ajudando o prefeito neste quadro da sucessão é que, como na reeleição anterior, não há um adversário competitivo. Mas ele parece desprezar o fato.
A escolha do advogado, jornalista e ex-vereador Fernando Said para a Secretaria de Comunicação não foi uma boa saída encontrada por Firmino para trocar o titular da pasta, no ano em que mais precisa investir na imagem para tentar reverter o desgaste comum a governantes que ocupam o cargo por muito tempo.
No próprio discurso de posse Said declarou que não estava em seus planos voltar para a pasta e que só aceitou porque a amizade pessoal com Firmino falou mais alto, ou seja, para atender o pedido de um amigo. Ora, o discurso do novo secretário por si só já é uma prova de sua desmotivação para exercer a função e uma demonstração de arrogância e desprezo do prefeito pela conjuntura eleitoral.
Talvez essa postura seja algo comum entre os governantes do PSDB visto em que São Paulo ocorre a mesma coisa com o governador Geraldo Alckimin. Os escândalos das obras do metrô e da merenda escolar, o esvaziamento dos reservatórios que abastecem o estado e a decisão de racionar água, bem como a violência sem controle, parecem não afetá-lo. E quer ser candidato a presidente em 2018.
Com efeito, Firmino Filho parece não se dá conta de que sofrer um revés eleitoral é algo difícil de acontecer. Ele desconhece que já houve um caso numa eleição estadual 21 anos atrás. O PFL, que detinha o poder naquele ano, foi varrido por um efeito eleitoral chamado Mão Santa. Com seu discurso messiânico e sem qualquer projeto governamental freou e acabou com o projeto de continuidade do PFL.
Como os institutos de pesquisas (exceto o Amostragem aqui e acolá) só fazem sondagens de aprovação de governo nos períodos eleitorais, se desconhece qual é o nível de aprovação do prefeito de Teresina. Sabe-se que o prefeito sempre faz este tipo de sondagem mas esconde a 7 chaves. E não parece boa. Se fosse vazaria. Ainda assim, ele parece achar que seu governo ainda pode ir longe. Não é o fim.( Paulo Fontenele/AZ)
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