Uma das três mulheres que acusam PMs de tê-las estuprado na Favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, teve que interromper seu depoimento à Justiça. A adolescente, de 16 anos, teve uma crise de choro. O EXTRA teve acesso, com exclusividade, à integra da audiência em que as mulheres detalharam à Justiça a violência que afirmam ter sofrido, em setembro deste ano.
— Só vivo chorando, não consigo fazer nada direito — disse a menor antes de cair no choro.

O depoimento, dado em 4 de setembro, só continuou depois que a menina foi tranquilizada pela juíza.
Na última terça-feira, a juíza Ana Paula Monte de Barros, da Auditoria de Justiça Militar, revogou a prisão dos três PMs acusados do estupro. Segundo a decisão da magistrada, não existem mais “riscos à instrução criminal”, uma vez que “já ocorreu a oitiva de todas as testemunhas essenciais à elucidação dos fatos”.
Gabriel Machado Mantuano, Anderson Farias da Silva e Renato Ferreira Leite foram expulsos da Polícia Militar por conta da acusação. Para a defensora pública Claudia Taranto, os depoimentos não encontram respaldo nos laudos produzidos pela Polícia Civil:
— Os laudos não mostram lesão, o que põe em xeque a versão de que houve violência.

Outras duas mulheres — uma mãe de criação e sua filha de 18 anos — revelaram novos detalhes do que ocorreu no dia em que afirmaram terem sido estupradas. Segundo o depoimento da mais velha, as três haviam ido ao Jacarezinho buscar uma amiga, usuária de crack. Como não conseguiram achá-la, ficaram vendo televisão no barraco de outra amiga. Nesse momento, segundo a versão dela, chegaram os PMs e mandaram que as três saíssem.
— Pensamos que íamos ser revistadas. Nos botaram num barraco e mandaram a gente tirar a roupa. Pensamos que íamos ser revistadas, mas eles falaram que éramos “crackudas” e bateram na gente. Antes do ato sexual, botaram um isqueiro e uma caneta na vagina da menina de 18 anos — disse a mulher.
Já sua filha afirmou que, enquanto era estuprada pelos policiais, sua mãe pediu ajuda a um outro policial, que estava do lado de fora do barraco:
— Ela gritou pela janela: “Pelo amor de Deus, ajuda a gente”. Ele não fez nada.
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