quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Preso por bater em mulher processa 42 pessoas no CE


 



 
Um ato de violência contra mulher se transformou em um grande problema para um grupo de advogados, defensores públicos e promotores de Fortaleza. Com o pedido de separação da esposa, o livreiro Henrique de Paula Fudoli, tentou agredir a mulher com golpe de alteres. Após uma série de ameaças, a mulher resolveu requerer uma prisão preventiva, concedida no último dia 19 de julho. Conforme a Ordem dos Advogados (OAB), que está defendendo os profissionais, o homem chegou a abrir 42 ações contra advogados, promotores, servidores, uma magistrada e um corregedor do Ministério Público que participaram direta ou indiretamente do caso.
Henrique também criou falsas dívidas em nome dos profissionais, inserido eles no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e no Serasa. Tentou lutar pela guarda do filho do casal, mas teve o pedido negado, então resolveu processar o próprio advogado. Não satisfeito com o resultado das audiências, o livreiro resolveu solicitar o serviço de outros profissionais que também foram processados. Conforme relatos de funcionários da 12º Vara da Família, servidores já não atendem mais telefones com medo de sofrer represálias ou agressões. O homem também chegou a enviar, quase diariamente, e-mails de teor intimidatório para o email da Vara exigindo providências.
Os defensores públicos (identidade preservada) que foram processados pelo o livreiro deram entrada em procedimentos administrativos junto a Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará. Conforme documento elaborado por defensores "o assistido vem, sistematicamente, de forma livre e impune, causando transtornos na vida de inúmeras pessoas, constrangendo, ameaçando, e tumultuando o cotidiano de todas as instituições do sistema de justiça". Segundo o texto, as ações jurídicas solicitadas por Henrique são "manejadas de forma abusiva e com flagrante má-fé processual, com propósito claramente distorcido, visando constranger e intimidar aqueles de quem esperava alguma ação", declara.
Defesa
Os advogados pedem da Defensoria que seja solicitada ao Ministério Público do Estado, a instauração de procedimento administrativo que visa a pertinência da ação de interdição contra Henrique. Demandam que se confirme que o assistido tenha fraudado documentos a fim de simular a falta de suficiência para fazer jus aos serviços da Defensoria Pública; que seja oficiado o Ministério Público Federal, solicitando a instauração de inquérito penal, para apurar o cometimento dos crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso.
A reportagem entrou em contato com a defesa do Henrique. O advogado da vítima, Heraldo Holanda, está recorrendo sobre os casos da medida protetiva e a prisão preventiva pela Lei Maria da Penha desde julho. "O Henrique, devido a separação com a esposa, no final de outubro, ele entendeu que foi vítima da esposa em alguns golpes aplicados por ela. A partir de então ele acionou o judiciário, buscando a reparação que ele acha ser vítima", afirma. Ainda segundo a defesa, a prova que a esposa apresentou da agressão não são consideradas verdadeiras.
Sobre as ações abertas pelo livreiro, o advogado afirma não está trabalhando com esses processos. "Não atuei nesses processos. Estou defendendo sobre a Maria da Penha e a medida protetiva". Atualmente, Henrique encontra-se preso provisoriamente no Complexo de Polícia Especializada há 16 dias. No dia de 17 de agosto uma nova audiência de instrução está marcada.

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