segunda-feira, 3 de outubro de 2016

PT reduz em 60% número de prefeituras na Bahia


 

O Partido dos Trabalhadores ainda perdeu em algumas das principais cidades do interior do estado e RMS

As eleições municipais de 2016 alteraram bastante a configuração das prefeituras baianas. O Partido dos Trabalhadores (PT), que em 2012 havia emplacado 93 candidatos ao posto de líder do Executivo municipal, em 2016 fez apenas 39 prefeitos, uma redução de quase 60%.
Legendas como o PSDB e DEM, no entanto, aumentaram consideravelmente o número de prefeituras. Este ano, o Democratas saltou de nove para 34 prefeituras na Bahia. Enquanto o PSDB, que nas eleições municipais passadas também havia feito nove prefeitos, chegou aos 19 candidatos eleitos.
Além disso, algumas das cidades de maior relevância socioeconômica da Bahia também elegeram, na sua maioria, candidatos filiados ou coligados ao DEM e PSDB. Na capital do estado, o prefeito ACM Neto foi reeleito com 73,9% dos votos válidos, superando Alice Portugal (PC do B) que, com o apoio do governador Rui Costa, terminou o domingo eleitoral com 14,5% dos votos.
Reeleito, Neto comemora resultado (Foto: Arisson Marinho/CORREIO )
Reeleito, ACM Neto comemora resultado
(Foto: Arisson Marinho) 
Na cidade de Feira de Santana, o cenário foi bastante parecido com o apresentado na capital. O democrata José Ronaldo bateu o petista Zé Neto por 71,1% a 15,7%, conquistando a segunda maior prefeitura do estado.
Em Camaçari, Elinaldo, também do DEM, somou 60,8% dos votos e derrotou Caetano (PT). Já em Ilhúes, a candidata Carmelita, do Partido dos Trabalhadores, não ficou sequer entre os cinco mais votados do pleito, que foi vencido por Dr. Mario Alexandre (PSD). E Oeste do estado, na cidade de Barreiras, Zito Barbosa (DEM) venceu Antônio Henrique (PP), que recebeu apoio petista.
O Partido dos Trabalhadores, por sua vez, recuperou a prefeitura do município de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Moema Gramacho voltou ao cargo após somar 52,3% dos votos válido. Ela superou os candidatos Mateus Reis (PSDB) e Chico Franco (DEM), que tiveram, respectivamente, 40,6% e 6,9% dos votos.
A legenda ainda tem chances de vencer em outra importante cidade do estado. Em Vitória da Conquista, no Sudoeste do estado, o petista Zé Raimundo disputará o segundo turno com o Herzem Gusmão, do PMDB.  
BrasilOs números na Bahia acompanharam a tendência nacional. Em todo o país, o PT reduziu o número de prefeituras de 644, conquistadas no último pleito, para 256. O partido ainda teve uma queda de 60% no número de votos para prefeito no primeiro turno, reduzindo de 17,2 para 6,8 milhões.
O PSDB foi o partido que mais cresceu no último domingo no cenário nacional. A legenda subiu de 701 em 2012 para 793 este ano. Em número de votos, os tucanos cresceram 27%, saindo de 12,9 milhões há quatro anos para 17,6 milhões agora.
"Eleições do antipetismo"
De acordo com o cientista político Camilo Aggio, o motivo da queda vertiginosa do Partido dos Trabalhadores no comando das prefeituras brasileiras se deu, principalmente, pelo sentimento antipetista que aflorou nos eleitores com o desenrolar das fases da Operação Lava Jato.
"A Lava Jato foi o principal cabo eleitoral do antipetismo, sobretudo nas últimas fases da Operação, que aconteceram em momentos muitos próximos às eleições, e transformou o ex-presidente Lula em réu e culminou com as prisões dos ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega", afirmou Aggio.
Aggio atribuiu as perdas ainda ao fato da crise econômica estar muito atrelada ao governo Dilma e ao desgaste das imagem do ex-presidente Lula; o que, segundo ele, é mais uma consequência do modo como a Lava Jato vem sendo conduzida. 
"Graças ao desgaste que a Lava Jato provocou, os candidatos do PT perderam a força de Lula como puxador de votos", disse. Aggio usa como exemplo o caso da prefeitura de São Paulo, onde o candidato João Dória (PSDB) venceu no primeiro turno o petista Fernando Haddad.
"Em 2012, Lula conseguiu fazer Haddad prefeito de São Paulo. Esse ano, no entanto, o candidato petista foi derrotado pelo Dória no primeiro turno, algo histórico. A fragilização do PT acabou afetando um líder que estava acima do capital eleitoral do partido", completou.

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