Suspeito de assaltar um ônibus na manhã desta terça-feira (25), Felipe Silva Soares, 20 anos, morreu após ser baleado por um passageiro dentro do coletivo. Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o crime aconteceu dentro do ônibus que faz a linha Marechal Rondon/Barra, do consórcio Integra Plataforma, por volta das 6h, na BR-324, na região da Jaqueira do Carneiro, sentido Salvador.
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(Foto: Tailane Muniz/CORREIO)
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De acordo com o motorista do ônibus Jorge Batista, 50 anos, a dupla de bandidos entrou na Jaqueira do Carneiro e logo anunciou o assalto. Durante o roubo, o motorista disse que ouviu um único disparo feito do meio do veículo, que atingiu um dos assaltantes.
Ao ouvir o tiro, o comparsa do assaltante ordenou que o motorista parasse o veículo no trecho da Baixa do Camurugipe, nos fundo de São Caetano, desceu e entrou em um Celta preto que estava acompanhando o coletivo. Ainda de acordo com o motorista, ele fugiu sentido Salvador. De acordo com a Polícia Civil, o bandido fugiu com outros dois homens que o aguardavam no carro.
Jorge Batista é o mesmo motorista vítima de um assalto no dia 22 de julho, que resultou em um passageiro morto e outros cinco baleados. Na época ele dirigia a mesma linha, no mesmo horário e o assalto foi anunciado no mesmo local de hoje. Apesar do susto repetido, Jorge diz que não tem medo e que gosta da profissão. "A situação não muda, a gente tem que ficar calmo e não reagir", disse ao CORREIO.
PânicoFelipe foi baleado, não resistiu aos ferimentos e morreu. Uma passageira, identificada como Karina Pereira dos Santos, também foi atingida e socorrida por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Geral do Estado (HGE).
Segundo a ocorrência registrada no posto policial do HGE, a vítima foi atingida por um disparo na região da coxa esquerda. O documento diz ainda que os suspeitos exigiam os pertences quando um dos passageiros sacou a arma e reagiu. No momento do assalto havia cerca de 55 passageiros dentro do coletivo, de acordo com o motorista. Houve pânico dentro do ônibus e outra passageira torceu o pé na confusão.
A avó de Felipe, a doméstica Sileide Ferreira, 61, esteve no local e reconheceu o corpo do neto. Abalada, ela disse ao CORREIO que só soube da morte de Felipe porque o suspeito que fugiu procurou a família. "Ele foi avisar na casa da minha filha, eu vim ver porque não acreditei", disse, aos prantos. Sileide afirmou, ainda, que Felipe passou um ano e sete meses preso pelo mesmo motivo e que ganhou a liberdade ano passado.
"Ele era tudo para mim, meu primeiro neto, lutei tanto para que ele saísse dessa vida, ligava diariamente, mas não adiantou", relatou. A família do suspeito mora na região da Cidade Nova mas desde que foi solto, Felipe residia no Arenoso, próximo a uma irmã. Segundo a avó, ele deixa esposa e uma filha de 5 meses.
A polícia ainda não tem informações de quem fez o disparo que matou o suspeito. Como Felipe era quem estava com os pertences dos passageiros, nada foi levado. O local foi isolado para trabalho da perícia. Por conta do crime, o trânsito no local ficou engarrafado.
Passagens por roubo
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), Felipe já acumulava passagens por roubos de veículo, a transeuntes, além de tentar fugir do HGE, quando encontrava-se custodiado. Ainda adolescente, também foi internado numa Comunidade de Atendimento Socioeducativo (Case) por cometer delitos.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), Felipe já acumulava passagens por roubos de veículo, a transeuntes, além de tentar fugir do HGE, quando encontrava-se custodiado. Ainda adolescente, também foi internado numa Comunidade de Atendimento Socioeducativo (Case) por cometer delitos.
A polícia já teve acesso às imagens das câmeras do ônibus, ao depoimento das testemunhas e tem pistas sobre o segundo assaltante, participante da ação. A SSP informou que também está em busca de informações sobre o passageiro que reagiu à ação.
O caso é investigado pelo Grupo Especial de Repressão a Roubos de Coletivos (Gerrc) da Polícia Civil e acompanhado pelo Comitê Integrado de Defesa do Transporte Rodoviário, criado pela SSP para discutir ações específicas de prevenção e repressão a ataques a ônibus.

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