Participantes do evento destacaram que o ano de 2015 fechou com o registro de 60,2 homicídios de pessoas de 10 a 19 anos para cada 100 mil habitantes na capital maranhense.

Estudantes participam do “Seminário Maranhense de Combate à Violência e Extermínio de Jovens”, realizado no prédio do antigo Convento das Mercês. Foto: G.Ferreira
Entidades locais e internacionais estão se mobilizando para encontrar soluções para as altas taxas de jovens mortos por conta da violência urbana na capital maranhense. O tema foi debatido ontem (2), no “Seminário Maranhense de Combate à Violência e Extermínio de Jovens”, ocorrido no Convento das Mercês. Participantes do evento destacaram que o ano de 2015 fechou com o registro de 60,2 homicídios de pessoas de 10 a 19 anos para cada 100 mil habitantes na capital maranhense.
A consultora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Lissandra Leite, disse no seminário – organizado pelo Instituto de Formação Juvenil do Maranhão (IFJ/MA) e Agência de Notícias da Infância Matraca – que, com base em levantamentos feitos no projeto Plataforma de Centros Urbanos (PCU), elaborado entre a entidade e a Prefeitura de São Luís, realizaram um monitoramento de indicadores para juventude. Essa lista inclui, dentre outros fatores, mortalidade neonatal, percentual de matriculados nas escolas, adolescentes grávidas e taxa de homicídios de jovens de 10 a 19 anos.
Com relação a este último indicador, explicou Leite, o projeto identificou que o ano de 2013 teve um saldo estatístico de 65,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes na capital, avaliado como uma taxa alta para a realidade local, tendo em vista que a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem como padrão aceitável a de 10 para cada 100 mil habitantes, mas tendo como referência todas as faixas etárias.
Em outro levantamento, agora realizado em 2015, houve uma pequena redução em 7,6%, pois os índices de jovens mortos em São Luís caíram para 60,2. Sendo assim, a Unicef e a Matraca iniciaram uma roda de diálogos nas comunidades mais vulneráveis a políticas públicas, com pouco ou nenhum investimento em saúde, segurança, saneamento, lazer etc. Escolheram, então, sete territórios trabalhados na PCU, que foram Tibiri, Maracanã, Tirirical, Vila Mauro Fecury, Vila Embratel, Cidade Olímpica e Coroadinho. Nesses locais, segundo João Carlos Raposo, membro da
agência Matraca, os jovens foram ouvidos pelos representantes, relatando seus anseios, problemas, desejos, expectativas e medos.
agência Matraca, os jovens foram ouvidos pelos representantes, relatando seus anseios, problemas, desejos, expectativas e medos.
Paralelamente, disse Raposo, o Instituto de Formação Juvenil do Maranhão (IFJ/MA) promovia diálogos com a juventude em cidades do interior maranhense, com a mesma proposta e meta.
Essas conversas, conforme explicado por João, começaram no mês passado, sendo que os resultados dos encontros nas comunidades seriam discutidos no seminário. Sobre esses debates nos bairros com os jovens, Lissandra Leite relembrou que eles, de forma quase unânime, reclamaram da forma como os policiais os abordavam nas localidades.
Essas conversas, conforme explicado por João, começaram no mês passado, sendo que os resultados dos encontros nas comunidades seriam discutidos no seminário. Sobre esses debates nos bairros com os jovens, Lissandra Leite relembrou que eles, de forma quase unânime, reclamaram da forma como os policiais os abordavam nas localidades.
A consultora da Unicef disse que os garotos e garotas, no entanto, compreendiam a importância das averiguações policiais, mas apenas pediam que ocorressem de maneira menos repressora.
Os jovens também alegaram que sentem falta de áreas de lazer nos bairros, tendo em vista a relevância de projetos esportivos e culturais nesses locais que, historicamente, são marginalizados ou “esquecidos” pelo Poder Público. Eles avaliam que esse tipo de iniciativa estatal teria consequências positivas na redução dos índices de violência dessas áreas.
Os jovens também alegaram que sentem falta de áreas de lazer nos bairros, tendo em vista a relevância de projetos esportivos e culturais nesses locais que, historicamente, são marginalizados ou “esquecidos” pelo Poder Público. Eles avaliam que esse tipo de iniciativa estatal teria consequências positivas na redução dos índices de violência dessas áreas.
BAIRROS MAIS VIOLENTOS
Lissandra Leite indicou que a Cidade Olímpica vem liderando as estatísticas de mortes violentas de jovens, chegando à taxa de 189 óbitos para 100 mil habitantes em 2013, sofrendo uma queda no ano passado, que se encerrou com 130 para cada 100 mil habitantes. O Bairro de Fátima (BF) e João Paulo surgem na sequência como o segundo e terceiro colocados, respectivamente. Ela contou que as pesquisas demonstraram que a zona rural de São Luís, em bairros como, por exemplo, Tibiri e Maracanã, também é afetada negativamente pela morte de jovens. A fonte acrescenta, entretanto, que é preciso cautela ao se analisar esses dados, pois somente essas informações não explicam de forma ampla o real problema que contribui para todo o contexto. Nesse sentido, torna-se prudente a avaliação de questões envolvendo as políticas públicas que não são implementadas nesses bairros, sendo que a ausência desses investimentos estatais poderia interferir na
proliferação da criminalidade. Em outras palavras, a segurança pública não é apenas um problema a ser resolvido somente pelas forças policiais.
proliferação da criminalidade. Em outras palavras, a segurança pública não é apenas um problema a ser resolvido somente pelas forças policiais.
O SEMINÁRIO
O evento, ocorrido no Convento das Mercês, começou por volta das 8h e se encerrou no fim da tarde. Aproximadamente 100 jovens da capital e do interior maranhense participaram do evento. Alguns exibiram faixas pedindo o fim do extermínio contra a juventude. Lissandra Leite esclareceu que um “Plano de Prevenção da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens” seria elaborado e entregue a representantes dos poderes Executivo estadual e municipal, para que tomassem conhecimento da realidade discutida no seminário e se esforçassem por planejar alternativas para
a modificação desse quadro negativo. Ela pontuou que o projeto – que tem o apoio dos conselhos Municipal e Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente – elevou a faixa etária de pesquisa para 10 a 29 anos, sendo que anteriormente essa referência era de 10 a 19 anos.
a modificação desse quadro negativo. Ela pontuou que o projeto – que tem o apoio dos conselhos Municipal e Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente – elevou a faixa etária de pesquisa para 10 a 29 anos, sendo que anteriormente essa referência era de 10 a 19 anos.
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