sábado, 3 de dezembro de 2016

Operação da PF combate 'calote' de R$ 41 mi ao BNB


 

Prefeito recém-eleito no Interior, ex-gerentes e ex-superintendentes do Banco estão entre os investigados


 Messias Borges - Repórter/DN
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Agentes da PF cumpriram mandados de busca e de sequestro de bens ( Foto: Divulgação/PF )
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O delegado Cláudio Carvalho, responsável pela Operação e o superintendente da PF, Delano Cerqueira Bunn, deram detalhes sobre a investigação da Polícia Federal deflagrada nessa sexta-feira no Ceará e Rio Grande do Norte ( Foto: Thiago Gadelha )
Operação da Polícia Federal (PF), denominada 'Default', foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (2) no Ceará e do Rio Grande do Norte para combater um 'calote' de R$ 41 milhões aos cofres do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) - valor desatualizado de juros - entre os anos de 2009 e 2010. Entre as dez pessoas intimadas a prestar esclarecimentos e indiciadas pela PF estão o prefeito recém-eleito de Morada Nova, empresários, ex-gerentes e ex-superintendentes do alto escalão do Banco.
Com 57 agentes, a PF cumpriu 13 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de sequestro e ofícios de indisponibilidade de bens aos Cartórios de Registro de Imóveis e ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), expedidos pelo juiz André Vieira de Lima, da Justiça Federal de Limoeiro do Norte (15ª Vara Criminal).
Os municípios alvos da operação no Ceará foram Fortaleza, Limoeiro do Norte, Morada Nova e Tabuleiro do Norte, além de Mossoró, no estado vizinho.
Foram apreendidos 49 máquinas pesadas, 38 caminhões e equipamentos eletrônicos como computadores e celulares das pessoas físicas e jurídicas investigadas na operação.
"A Operação Default foi deflagrada para combater uma fraude que ocorreu no âmbito do Banco do Nordeste do Brasil. A Polícia Federal observou que uma organização criminosa se instalou nas estruturas de poder do Banco e, com isso, financiamentos foram concedidos para empresas que não tinham a capacidade econômico-financeira para tanto", explicou o delegado responsável pela investigação, Cláudio Carvalho, em entrevista coletiva concedida pela PF.
"O objetivo da operação não é só a repercussão no âmbito penal, da punição pelo crime praticado, previsto no artigo 19 da lei dos crimes financeiros. Mas também o ressarcimento ao erário", completou o delegado.
Esquema
O prefeito recém-eleito do município de Morada Nova, José Vanderley Nogueira, conhecido como Wanderley Nogueira (PT), foi o principal alvo da Operação 'Default'. O político teve bens apreendidos e sequestrados e foi intimado a prestar esclarecimentos, o que fez de forma colaborativa, segundo a Polícia Federal, que o indiciou por crime contra o Sistema Financeiro Nacional.
Wanderley aparece como o sócio majoritário das três empresas que foram criadas em 2009 e 2010 e receberam financiamentos do BNB que somam mais de R$ 41 milhões. São elas Wander Nogueira Serviços de Terraplanagem Ltda., JV Nogueira Combustível e Wander Motos Center Peças e Serviços de Motos Ltda..
O dinheiro recebido pelas três empresas foi utilizado para a compra de maquinário pesado, tratores, caminhões e caçambas. Entretanto, as empresas fecharam e deram um 'calote' no Banco, o que já era premeditado pelos golpistas, segundo a Polícia Federal. Ainda de acordo com a investigação, as referências nos nomes das empresas a combustível e motocicletas eram enganosas. "As empresas foram criadas com um propósito e, logo em seguida, mudaram a razão e o objeto social", disse Carvalho.
Posteriormente, novas empresas abertas receberam as máquinas compradas por aquelas três que estavam no nome de Wanderley Nogueira sem nenhum gasto. "Essas empresas estão operando com aquele maquinário. As três empresas que obtiveram os financiamentos ficaram apenas com a dívida e o banco com o prejuízo financeiro. Enquanto os fraudadores obtiveram o lucro", disse Carvalho.
Outros empresários que participaram do negócio fraudulento e ex-gerentes e ex-superintendentes de agências do BNB que facilitaram o golpe também foram chamados para prestar esclarecimentos à PF e serem indiciados pelo crime financeiro. Os funcionários do Banco ainda irão responder por burlar normativos de 'compliance' (conjunto de disciplinas) internos da instituição financeira.
Os nomes dos suspeitos, com exceção do político, não foram revelados. Em nota de esclarecimento publicada nas redes sociais, Wanderley Nogueira negou ter cometido qualquer crime financeiro. "Jamais foi nosso intuito fraudar e causar qualquer prejuízo àquela instituição financeira (BNB), responsável pelo fomento do desenvolvimento do Nordeste. Na realidade os empréstimos foram contraídos, contudo, dentro dos requisitos necessários à concessão de financiamentos a empreendedores.
Próximos passos
A Polícia Federal vai investigar se o dinheiro obtido no empréstimo fraudulento milionário também pode ter sido utilizado na campanha eleitoral de Wanderley Nogueira para prefeito de Morada Nova. A PF vai apurar ainda a participação das empresas que receberam o maquinário pesado em outras licitações.

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