A brutalidade de um crime registrado no estado de Santa Catarina, na última segunda-feira (27), chocou moradores de Cunha Porã, cidade de 11 mil habitantes. O único suspeito até agora é o ex-namorado de uma delas, Jackson Lahr, de 24 anos. Três irmãs foram violentamente assassinadas a facadas.
Dilson Muller, vizinho da família, é a principal testemunha dos assassinatos. Ele conta que eram 21h quando ouviu gritos na casa dos fundos. De longe, ele viu as irmãs Julyane (23 anos) e outras duas garotas de 15 e 12 anos de idade correndo e pedindo ajuda, com diversas marcas de sangue. Assustado, pediu para que a esposa apagasse a luz. Logo em seguida, Giovane Meyer, marido de Julyane, bateu à porta dos vizinhos.
"Ele estava todo ensanguentado. Ligamos para a PM e tentamos estancar os ferimentos", disse Dilson.
Giovane está internado no hospital de Maravilha, município próximo, e ainda não sabe que a esposa e as cunhadas estão mortas. Antes de ser levado pela ambulância, ele denunciou que as agressões foram cometidas por Jackson.
O principal suspeito tem um filho de dois meses com a adolescente de 15 anos, com quem disputava judicialmente o pagamento de pensão e o direito de ver a criança.
Para o delegado Joel Speccht, responsável pela investigação, não há dúvida sobre a autoria do crime. "Ele não se conformava com o final do relacionamento", explica Speccht, acreditando na culpa de Jackson.
No entanto, o delegado também afirmou ter ficado surpreso, porque, na avaliação dele, Jackson não tem perfil de assassino. É um trabalhador rural, e algumas testemunhas falaram que ele era quieto e aparentemente tranquilo.
De acordo com a principal referência no assunto no Estado, a delegada responsável pela Coordenadoria das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher, Criança, Adolescente e Idoso de SC, Patrícia Zimmermann D'Ávila, o triplo homicídio deve ser enquadrado como feminicídio. A pena nesses casos pode chegar a 30 anos para cada uma das mortes, com agravantes pela convivência com as vítimas e a impossibilidade de defesa delas.
Jackson está detido na cadeia de Maravilha. Ele indicou uma advogada para defesa, mas a profissional está em viagem de férias. Se ela não voltar na próxima semana, um defensor público assumirá o caso.
O suspeito nega ter cometido os crimes. Ele alegou, apenas, que se lembra de ter esfaqueado o cunhado, mas não disse por quê.
No final do ano passado, Rafaela registrou um boletim de ocorrência contra o ex-namorado e solicitou na Justiça uma medida protetiva, que, segundo a Polícia Civil, foi aprovada.
A perícia ainda não concluiu o resultado da investigação. Por enquanto, sabe-se que o agressor usou uma faca, mas o número de golpes e as regiões dos corpos atingidas ainda não são conhecidos. O delegado espera obter novas informações nos próximos interrogatórios com Jackson.
Segundo delegado, após esfaquear as irmãs, o agressor foi até a propriedade onde morava, na zona rural de Cunhataí, trocou de roupa e pediu para um familiar levá-lo ao hospital, alegando que se feriu em uma queda. Ele foi preso no hospital de São Carlos, por volta das 23h. Ainda tinha marcas de sangue.
O local do triplo assassinato é um chalé de madeira azul. A casa era alugada por Giovane e Julyane. Recentemente, eles tinham hospedado Rafaela e seu bebê, Kayo Ricardo, para que se estabilizassem. Fabiane visitava a família naquela noite. Kayo está bem. Foi encontrado pelos policiais dormindo no berço.
Os pais das irmãs assassinadas são agricultores e ainda não prestaram depoimento oficial. O delegado os visitou na tarde de terça-feira. Ele explicou que "eles estão em estado de choque" e que "não falam coisa com coisa". A mãe, no entanto, revelou que sabia a filha estava sendo ameaçada de morte e disse que sentia que algo ruim poderia acontecer.
(Com informações do UOL)

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