A equipe da Dececa informou que não há provas se Massaharu Adachi privava os filhos de liberdade
por Emanoela Campelo de Melo - Repórter/DN


Três dos seis filhos de Massaharu Nogueira Adachi, suspeito de negligenciar e abandonar intelectualmente as crianças, prestaram depoimentos, na tarde de ontem, na Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa). A criança de 10 anos de idade e as adolescentes, de 14 e 17 anos, estão entre as vítimas do suposto cárcere privado, denunciado anonimamente às autoridades. No entanto, a Polícia informou que não há provas que Adachi mantivesse os filhos privados de liberdade, no apartamento da família, no bairro Dionísio Torres.
Ontem, a titular da Dececa, delegada Ivana Timbó, concedeu entrevista ao lado do defensor público Adriano Leitinho Campos e da delegada adjunta do 4ºDP (Pio XII), Milena Moraes, acerca do caso que veio à tona, na última sexta-feira (25).
Para a Polícia, os depoimentos dos menores de idade revelaram que os filhos do suspeito não viviam enclausurados e não sofriam maus-tratos. Até o momento, é certo para a titular da Dececa que crianças e adolescentes foram vítimas de abandono intelectual e negligência.
Na última sexta-feira, o empresário foi ouvido e liberado, já que não foi constatado o flagrante de nenhum crime. Segundo a Polícia, a esposa de Adachi também prestou depoimento. A Dececa não divulgou se ela é considerada vítima ou suspeita.
"Os depoimentos de três filhos foram suficientes. Ouvimos de acordo com as idades. Faltou a menina de nove anos e o menino de quatro anos. Ainda é cedo para dizer em quais tipos penais ele será enquadrado. Não temos ainda elementos suficientes para dizer se houve o cárcere", afirmou Ivana Timbó.
Em depoimento, Massaharu Adachi teria revelado que desde janeiro de 2017 manteve os filhos em casa. A situação teria se agravado, porque ele foi vítima de um assalto e acreditava que os filhos deveriam ser protegidos a qualquer custo, nem que para isso eles tivessem de ser mantidos no apartamento.
Convivência
De acordo com a Defensoria Pública, o suspeito não tinha noção do mal que fazia aos filhos, e pensava que estava protegendo-os do meio externo.
Adriano Leitinho Campos afirma que as investigações devem revelar se a mãe tinha ou não consciência sobre o que estava acontecendo e se, diretamente, se manteve conivente com o suposto cárcere. Campos ressalta que, até o presente momento, não há condições que favoreçam o retorno dos filhos à convivência com os pais.
"Os pais serão responsabilizados por quaisquer atos ilegais praticados por eles [os seis filhos] que forem comprovados. Os menores estão em unidades de acolhimento, onde os pais não têm acesso nem ao endereço. A menina de 19 anos de idade está em uma família extensiva. Os filhos pedem para voltar a morar com os pais, mas ao mesmo tempo, entendem o processo pelo qual estão passando", disse o defensor público sobre a continuidade da medida protetiva imposta ao suspeito.
Segundo a titular da Dececa, o caso é de "alta complexidade e merece ser aprofundado'. Ivana Timbó ressalta que nos próximos dias serão ouvidas outras testemunhas e parentes. A Polícia deve concluir as investigações até o fim do próximo mês.
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