quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Para Alckmin, falta ‘legitimidade’ à gestão Temer


Josias de Souza


O governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, declarou que a falta de voto faz de Michel Temer um governante ilegítimo. Ele esmiuçou o raciocínio: “Claro que o governo sofre de ilegitimidade. Essa é a lógica da democracia. Precisa ter voto. Fui governador sem voto porque o Mário Covas faleceu e assumi o governo. Depois, eu fui três vezes governador com voto. Eleito. É totalmente diferente. Então é claro que o governo sofre um grande problema de falta de legitimidade, o que dificulta a governabilidade.”
A declaração foi feita em entrevista à Rádio Gaúcha (ouça no rodapé). A conversa ocorreu na manhã desta quinta-feira, três dias depois de Temer ter afagado o prefeito paulistano João Doria, que trava com Alckmin uma batalha não-declarada pela vaga de presidenciável do PSDB. Numa solenidade em São Paulo, o presidente chamou Dória de “companheiro”. E declarou que o prefeito “compreende como ninguém os problemas do país”, tem “uma visão nacional”.
A pergunta que levou Alckmin a grudar em Temer o selo da “ilegitimidade” fez menção a Doria. Falava-se sobre as alianças que o governador cogita fazer para 2018. Recordou-se ao entrevistado a “aproximação” de Temer com Doria. Sobreveio, então, a pergunta: O PMDB, com o todo o desgaste de Temer, é um parceiro com quem o PSDB gostaria de dividir o palanque em 2018?
“O PMDB tem bons quadros”, respondeu Alckmin. “Eu fui do MDB, do velho manda brasa, na época da Arena e do MDB.” Na sequência, sem dar nome aos “bons quadros” peemedebistas, o governador tucano disparou a avaliação tóxica sobre a “ilegitimidade” da gestão Temer.
Indagou-se também a Alckmin se o PSDB, no comando de quatro ministérios, deve permanecer no governo. E ele: “Acho que está superada essa questão. Nós vamos votar as reformas independentemente de estar ou não no governo. Os ministros vão acabar saindo, até porque a maioria deles é candidato. Isso depende do foro íntimo de cada um e do próprio presidente. Quero reafirmar aqui a nossa luta. Ajudamos na reforma trabalhista, acho que ela vai aumentar o número de empregos no Brasil.”
A certa altura, Alckmin foi instado a comentar a propaganda exibida pelo PSDB no rádio e na TV. Nela, o partido admite que “errou e tem que fazer uma autocrítica.” Mas não especifica os pecados que gostaria de expiar. Onde errou? O Aécio Neves é um desses erros? O apoio ao governo Temer é outro? Imprensado, o entrevistado soou implacável com Aécio: “Em relação ao Aécio, tanto é que ele próprio já se afastou da presidência do partido e o Tasso Jereissati já assumiu.”
Alckmin acrescentou: “Em relação ao governo Temer, defendi lá atrás que nós não participássemos, que ajudássemos em todas as medidas que fossem de interesse do país, mas que não precisava participar do governo. Não vamos deixar de votar nada do que seja necessário ao país por participar ou não. Mas acho que isso já está superado.”
De resto, Alckmin insinuou que resta ao PSDB buscar nas urnas de 2018 a legitimidade que falta a Temer: “Acho que nós temos de preparar um grande projeto para o futuro. A eleição do ano que vem é decisiva, porque um governo eleito pelo voto popular, com grande legitimidade, tem condição de fazer muito mais para ajudar o Brasil a recuperar o emprego, crescer. O Brasil é um país vocacionado para o crescimento. […] Vejo com otimismo, acho que gente pode voltar a crescer.”
Em ritmo de pré-campanha, Alckmin viajará para o Sul do país no final de semana. Nesta sexta-feira, estará em Porto Alegre. No sábado, em Florianópolis. Ele confirmou que o PSDB deve antecipar a escolha do seu candidato no final do ano. “Não precisa ser agora, mas também não pode ser improvisado, de última hora. Essas coisas precisam ser feitas com antecedência. O Brasil é um país continental, precisa haver boas propostas, programas, ouvir, debater. Então, o prazo deve ser dezembro.”
Alckmin também falou sobre a reforma política que está sendo votada na Câmara. Revelou-se contrário a tudo o que consta do projeto —do sistema batizado de “distritão” ao fundo público de financiamento da campanha. Repare na íntegra da entrevista, disponível abaixo:

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