Site Poemas & Canções
O cantor e compositor cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (1946-2017), na letra de “Monólogo da Grandeza do Brasil”, fala sobre o fascínio do nordestino (iludido) com o Sudeste, onde acredita que encontrará o sucesso, mas isto nem sempre acontece. A música faz parte do álbum duplo “Auto-Retrato”, lançado em 1999, pela Paraíso/GPA/Velas.
MONÓLOGO DA GRANDEZA DO BRASILBelchior
Todo mundo sabe/todo mundo vê
Que tenho sido amigo da ralé da minha rua
Que bebe pra esquecer que a gente
É fraca
É pobre
É víl
Que dorme sob as luzes da avenida
É humilhada e ofendida pelas grandezas do brasil
Que joga uma miséria na esportiva
Só pensando em voltar viva
Pro sertão de onde saiu
Que tenho sido amigo da ralé da minha rua
Que bebe pra esquecer que a gente
É fraca
É pobre
É víl
Que dorme sob as luzes da avenida
É humilhada e ofendida pelas grandezas do brasil
Que joga uma miséria na esportiva
Só pensando em voltar viva
Pro sertão de onde saiu
Todo mundo sabe
(principalmente o bom Deus, que tudo vê)
Que os homens vão dizer que a vida é dura e incompleta
Pra quem não fez a guerra e não quer vestibular
Pra quem tem a carteira de terceira
Pra quem não fez o serviço militar
Pra quem amassa o pão da poesia
Na limpeza e na alegria
Contra o lixo nuclear.
(principalmente o bom Deus, que tudo vê)
Que os homens vão dizer que a vida é dura e incompleta
Pra quem não fez a guerra e não quer vestibular
Pra quem tem a carteira de terceira
Pra quem não fez o serviço militar
Pra quem amassa o pão da poesia
Na limpeza e na alegria
Contra o lixo nuclear.
Como uma metrópole,
O meu coração não pode parar
Mas também não pode sangrar eternamente
O meu coração não pode parar
Mas também não pode sangrar eternamente
Ta faltando emprego
Neste meu lugar
Eu não tenho sossego
Eu quero trabalhar
Já pensei até em passar a fronteira.
– eu vou pra São Paulo e Rio
(eldorados da além – mar)
A estrada é uma estrela pra quem vai andar.
Oh! não! oh! não!
Ai! ai! que bom que é
A lua branca, um cristão andando a pé!
Ai! ai! que bom, que bom se eu for
Pés no riacho, água fresca, nosso senhor!
Neste meu lugar
Eu não tenho sossego
Eu quero trabalhar
Já pensei até em passar a fronteira.
– eu vou pra São Paulo e Rio
(eldorados da além – mar)
A estrada é uma estrela pra quem vai andar.
Oh! não! oh! não!
Ai! ai! que bom que é
A lua branca, um cristão andando a pé!
Ai! ai! que bom, que bom se eu for
Pés no riacho, água fresca, nosso senhor!
Vou voltar pro norte/ semana que vem
Deus já me deu sorte/ mas tem um porém
Não me deu a grana/ pra eu pagar o trem.
Deus já me deu sorte/ mas tem um porém
Não me deu a grana/ pra eu pagar o trem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário